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    Calor e El Niño afetam preços globais da alimentação, aponta FAO

    Clima, gargalos provocados por conflitos geopolíticos e dúvidas sobre rendimento das safras em várias regiões provocaram um aumento médio mundial dos preços dos alimentos de 2,2% em agosto, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

    UOL
    8 de setembro de 2026 às 19:00
    Calor e El Niño afetam preços globais da alimentação, aponta FAO
    Duas mãos masculinas seguram e deixam cair grãos dourados de cereal sobre uma grande quantidade do mesmo grão no chão ou superfície. O braço esquerdo usa um relógio preto. — Foto: UOL

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP

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    Agricultor manuseia grãos de soja em fazenda ucraniana - Valentyn Ogirenko - 7.ago.26/Reuters · Valentyn Ogirenko - 7.ago.26/Reuters
    Agricultor manuseia grãos de soja em fazenda ucraniana - Valentyn Ogirenko - 7.ago.26/Reuters · Valentyn Ogirenko - 7.ago.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Clima, gargalos provocados por conflitos geopolíticos e dúvidas sobre rendimento das safras em várias regiões provocaram um aumento médio mundial dos preços dos alimentos de 2,2% em agosto, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

    A entidade acompanha os preços de carnes, lácteos, cereais, óleos vegetais e açúcar. Este último foi o que mais subiu no mês passado a nível mundial, ficando, em média, 12% mais caro para os consumidores. No Brasil não foi diferente, os preços acumulados do açúcar no mês passado subiram 24%, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Possibilidade de uma produtividade menor no Brasil e na União Europeia , esta castigada por forte calor neste ano, e isenção de impostos pela Índia na importação de açúcar bruto forçaram a alta dos preços.

    Os óleos vegetais também passaram a pesar mais no bolso dos consumidores, segundo a FAO, com aumento de 0,6%. Expectativas do efeito do El Niño no Sudeste Asiático, grande região produtora de óleos vegetais, e instabilidade no fornecimento de petróleo sustentam os preços. Além disso, o óleo de soja é utilizado cada vez mais para a produção de biocombustível, principalmente nos Estados Unidos .

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O milho também foi um componente de alta no índice de preços da FAO, subindo 2,5%. Ainda há dúvidas sobre a produção em parte da região do Meio-Oeste dos Estados Unidos e sobre os efeitos da seca na Europa . Além disso, a demanda pelo cereal para a produção de etanol é mais um componente nessa formação de preços. No Brasil, o milho teve alta de 8% no mês passado, segundo o Cepea.

    O arroz, com demanda maior de países da África e da Ásia , subiu 0,5% na média mundial. No Brasil, com a chegada da entressafra e perspectivas de uma área menor de plantio, a alta foi de 14% em agosto.

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    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As carnes, devido à demanda mundial, tiveram um aumento médio de 1%, uma evolução que poderia ter sido maior não fosse a queda de preços das carnes bovina e suína. O Brasil também acompanhou essa tendência mundial.

    A carne bovina, com o preenchimento da cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas destinada ao Brasil, teve queda de 1% no país. O mesmo ocorre com a carne suína, uma vez que a China está bem abastecida, e boa parte da produção brasileira é voltada para as exportações.

    O Brasil, como um dos principais fornecedores de proteína animal para o mundo, pode influenciar o preço do mercado externo, mas também sofre os efeitos da demanda internacional. O frango , com maior procura no mercado externo, subiu de preços, e o Brasil está registrando recordes de exportação.

    Os lácteos ficaram 2,3% mais caros, segundo a FAO, mas os preços atuais ainda estão 22% inferores aos de há um ano. A Nova Zelândia elevou a produção, mas não o suficiente para equilibras os efeitos do clima na União Europeia. No Brasil, país que não tem interferência nesse setor no mercado internacional, os preços do leite registraram alta de 4,7% no campo, segundo a mais recente pesquisa do Cepea.

    Os alimentos vão passar por um cenário de dúvidas neste final de ano. Além dos problemas causados pelos efeitos geopolíticos ao sistema de produção e de distribuição, como os do mar Negro e os do Oriente Médio , o forte calor em grandes regiões produtoras e o El Niño tornam a situação ainda mais incerta.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2026/09/calor-e-el-nino-afetam-precos-globais-da-alimentacao-aponta-fao.shtml.

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    Agricultor manuseia grãos de soja em fazenda ucraniana - Valentyn Ogirenko - 7.ago.26/Reuters · Valentyn Ogirenko - 7.ago.26/Reuters — Foto: UOL

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