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    CagriSema, survodutida e retatrutida: veja novas canetas emagrecedoras em fases avançadas de testes

    As chamadas canetas emagrecedoras , desenvolvidas para tratar diabetes tipo 2, tornaram-se um fenômeno nos últimos anos e objeto de desejo de muitas pessoas que querem perder peso. Leia mais (09/23/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    23 de setembro de 2026 às 16:00
    CagriSema, survodutida e retatrutida: veja novas canetas emagrecedoras em fases avançadas de testes
    Mãos com luvas azuis seguram e organizam tubos de ensaio brancos dentro de uma caixa branca sobre bancada metálica. Ao lado, há um papel com texto impresso parcialmente visível. — Foto: Folha de S.Paulo

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    As chamadas canetas emagrecedoras , desenvolvidas para tratar diabetes tipo 2, tornaram-se um fenômeno nos últimos anos e objeto de desejo de muitas pessoas que querem perder peso.

    Pesquisadores da Unicamp (Universidade de Campinas) manuseiam canetas de Mounjaro para testes laboratoriais - Rubens Cavallari - 01.jun.26/Folhapress · Rubens Cavallari - 01.jun.26/Folhapress
    Pesquisadores da Unicamp (Universidade de Campinas) manuseiam canetas de Mounjaro para testes laboratoriais - Rubens Cavallari - 01.jun.26/Folhapress · Rubens Cavallari - 01.jun.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Medicamentos como a semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, ambos da Novo Nordisk , e a tirzepatida, do Mounjaro , fabricado pela Eli Lilly , popularizaram uma classe de remédios conhecidos como agonistas do receptor de GLP-1, hormônio que atua no controle do apetite, da saciedade e da liberação de insulina, o que contribui para o emagrecimento.

    O sucesso comercial e clínico desses compostos abriu caminho para uma nova corrida entre as grandes farmacêuticas: encontrar moléculas mais eficazes, com menos efeitos colaterais e em formatos mais simples de usar, como comprimidos orais.

    CagriSema, survodutida e retatrutida estão em fase avançada de testes clínicos pela Novo Nordisk, Boehringer Ingelheim e Eli Lilly, respectivamente. Todas estão em fase 3, a etapa final antes do pedido de aprovação a agências reguladoras como a FDA , dos Estados Unidos, e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

    Canetas de retatrutida, medicamento ainda em estudo, são vendidas ilegalmente nas redes sociais
    Canetas de retatrutida, medicamento ainda em estudo, são vendidas ilegalmente nas redes sociais — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O orforglipron já passou pelos testes e foi aprovado pela FDA em abril. Fabricada pela Lilly, a molécula é de uso oral e vendida nos EUA sob o nome comercial Foundayo, mas ainda não chegou ao Brasil. A expectativa é de que o medicamento chegue ao mercado brasileiro no segundo semestre de 2027.

    Os resultados divulgados recentemente pelas farmacêuticas indicam que a próxima geração de tratamentos pode superar os índices de perda de peso já alcançados pelos medicamentos hoje disponíveis —alguns com reduções superiores a 20% do peso corporal.

    Leia abaixo o que já se sabe sobre os principais compostos em teste.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Desenvolvido pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, o CagriSema é um duplo agonista: contém tanto a semaglutida, que age no receptor de GLP-1 , quanto a cagrilintida, que age na amilina. Nesta terça-feira (22), a Novo divulgou os resultados de dois estudos de fase 3 da molécula.

    No REIMAGINE 5, que avaliou pacientes com diabetes tipo 2, o CagriSema 1,0 mg/1,0 mg levou a uma perda média de peso de 12,4% na semana 60 (15 meses). O estudo também comparou os resultados com a tirzepatida 5 mg. Pacientes que usaram essa molécula tiveram uma redução de 9,1% do peso. Segundo a Novo, isso mostra que o CagriSema tem resultados superiores à tirzepatida para emagrecimento.

    Já no REDEFINE 9, voltado a adultos com sobrepeso ou obesidade, a perda de peso chegou a 21% na semana 68 (17 meses) para os pacientes que usaram CagriSema 1,0 mg/1,0 mg, ante 2% no grupo placebo. A empresa também relatou melhorias em pressão arterial sistólica, relação cintura-altura e perfil lipídico.

    Apesar de o documento divulgado pela farmacêutica não detalhar a lista de efeitos colaterais registrados nesses dois estudos específicos, a Novo diz que o medicamento foi "de modo geral, bem tolerado".

    "Os resultados são muito encorajadores e demonstram o forte potencial da combinação de semaglutida e cagrilintida. Embora o CagriSema ainda seja um produto investigacional, esses achados reforçam nossa confiança em seu potencial, ampliam as evidências crescentes sobre a biologia da amilina e fortalecem nossa ambição de desenvolver a próxima geração de tratamentos para obesidade e diabetes tipo 2", disse Martin Holst Lange, vice-presidente executivo de Pesquisa & Desenvolvimento e diretor científico da Novo Nordisk.

    A Novo Nordisk pediu o registro do CagriSema à FDA em dezembro de 2025 para uso no controle de peso. A empresa aguarda uma decisão regulatória para a venda nos EUA nos próximos meses deste ano.

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    A farmacêutica alemã Boehringer Ingelheim testa a survodutida, agonista duplo dos hormônios glucagon e GLP-1. Os resultados de dois estudos globais de fase 3 foram apresentados em junho e publicados no The New England Journal of Medicine e na Nature Medicine.

    No SYNCHRONIZE-1, que acompanhou por 76 semanas adultos com obesidade ou sobrepeso sem diabetes tipo 2, a perda de peso média foi de 16,6%, contra 3,2% no grupo placebo. Exames mostraram ainda redução de 34% da gordura visceral e de 63,1% da gordura hepática, com a perda de peso concentrada principalmente na massa gorda, e não na massa magra.

    Já o SYNCHRONIZE-MASLD avaliou por 48 semanas pacientes com obesidade ou sobrepeso que tinham a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD, na sigla em inglês), com sinais de inflamação e/ou fibrose. Cerca de 84,2% dos participantes tratados com survodutida alcançaram ao menos 30% de redução da gordura hepática, contra 24,3% no placebo, e a perda de peso chegou a 12,2%. Praticamente 6 em cada 10 pacientes normalizaram a gordura no fígado até a 48ª semana.

    Os eventos adversos mais comuns foram os gastrointestinais, como náusea, vômito, diarreia e constipação, em geral, leves a moderados e concentrados na fase de aumento gradual da dose. "A survodutida tem o potencial de redefinir o que uma terapia direcionada para o controle do peso pode alcançar, ao buscarmos atuar sobre os principais determinantes da disfunção metabólica frequentemente associados à obesidade", afirmou Shashank Deshpande, presidente do conselho de administração e chefe da área farmacêutica da Boehringer Ingelheim.

    A survodutida segue em investigação, sem aprovação regulatória em nenhum país. Estudos de fase 3b já estão em andamento, incluindo pesquisas voltadas à saúde da mulher (SYNCHRONIZE-HERA) e a pacientes com formas mais avançadas de doença hepática (ELEVATE-LIVER).

    Diferentemente da semaglutida, da tirzepatida, do CagriSema e da survodutida, que atuam em um ou dois receptores hormonais, a retatrutida, da Eli Lilly, é um agonista triplo: ativa simultaneamente os receptores de GLP-1, GIP e glucagon. Os resultados mais recentes vêm de dois estudos de fase 3 .

    O TRIUMPH-3, com 1.949 adultos com obesidade grave e doença cardiovascular estabelecida (com ou sem diabetes tipo 2), mostrou que, após um ano e oito meses de tratamento, os participantes perderam em média 23,9 kg (21,6% do peso corporal) na dose de 9 mg e 25,3 kg (22,6%) na dose de 12 mg —contra apenas 3,5 kg (3,2%) no grupo placebo. Houve ainda redução de triglicerídeos, colesterol ruim, pressão arterial, circunferência abdominal e proteína C-reativa, marcador de inflamação.

    Já o TRIUMPH-2, com 1.152 adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2, registrou perdas de 12,7% (dose de 4 mg), 19,1% (9 mg) e 20,8% (12 mg) do peso corporal, com melhora no controle glicêmico.

    Os efeitos colaterais mais comuns em ambos os estudos foram diarreia, náusea, constipação, redução do apetite e vômitos, com frequência crescente conforme a dose —além de episódios de disestesia (sensações anormais como formigamento ou queimação) e infecções urinárias.

    Apesar de ainda estar em fase de testes e não ter aprovação em nenhum país do mundo, a retatrutida já circula ilegalmente no Brasil sob a forma de canetas contrabandeadas do Paraguai, com apreensões frequentes na fronteira em Foz do Iguaçu.

    A Eli Lilly planeja submeter o pedido de aprovação à FDA no primeiro trimestre de 2027.

    Diferentemente dos concorrentes citados acima, o orforglipron já deixou a fase de testes e foi aprovado pela FDA em 1º de abril deste ano. Ele é vendido nos Estados Unidos sob o nome comercial Foundayo e, ao contrário dos outros, que são injetáveis, trata-se de um comprimido oral de uso diário. O remédio custa US$ 149 (R$ 755) por mês para a dose mais baixa.

    No Brasil, porém, o medicamento ainda não tem data de aprovação pela Anvisa. Segundo informações disponíveis até o momento, a expectativa é que o Foundayo só chegue ao mercado brasileiro no segundo semestre de 2027.

    O orforglipron age como agonista do receptor de GLP-1 e pode ser tomado a qualquer hora do dia, sem restrições de alimentação. A substância foi descoberta pela farmacêutica japonesa Chugai e licenciada pela Eli Lilly em 2018.

    O remédio passou pelo estudo de fase 3 ATTAIN-1, que avaliou mais de 4.500 pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a um problema de saúde relacionado ao peso, sem diabetes. Na semana 72, as três doses testadas (6 mg, 12 mg e 36 mg) superaram o placebo na redução de peso corporal.

    Na dose mais alta, a perda média foi de 12,4% (27,3 libras, o equivalente a cerca de 12,4 kg), e quase 40% dos participantes perderam ao menos 15% do peso. Entre os que tinham pré-diabetes no início do estudo, até 91% normalizaram os níveis de açúcar no sangue, contra 42% no grupo placebo. O medicamento também reduziu marcadores de risco cardiovascular, como colesterol não-HDL, pressão arterial sistólica e triglicerídeos.

    Os efeitos colaterais mais frequentes foram gastrointestinais, como náusea, constipação, diarreia e vômitos, com incidência maior nas doses mais altas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/cagrisema-survodutida-e-retatrutida-veja-novas-canetas-emagrecedoras-em-fases-avancadas-de-testes.shtml.

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