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    Café, mesmo descafeinado, pode ser aliado do eixo intestino-cérebro

    O café parece influenciar muito mais do que energia, disposição e foco. Uma pesquisa publicada em abril na revista Nature Communications indica que a bebida, inclusive na versão descafeinada , consegue alterar o microbioma intestinal e provocar efeitos benéficos sobre humor, memória, sono e cognição. Leia mais (09/07/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    7 de setembro de 2026 às 15:00
    Café, mesmo descafeinado, pode ser aliado do eixo intestino-cérebro
    Xícara branca cheia de café preto com vapor saindo, apoiada em pires branco sobre mesa de madeira clara. Colher de metal repousa no pires ao lado da xícara. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O café parece influenciar muito mais do que energia, disposição e foco. Uma pesquisa publicada em abril na revista Nature Communications indica que a bebida, inclusive na versão descafeinada , consegue alterar o microbioma intestinal e provocar efeitos benéficos sobre humor, memória, sono e cognição.

    No estudo, tanto o café tradicional quanto o descafeinado foram associados a melhora de humor, redução do estresse e diminuição da impulsividade após o período de abstinência - Mnimage/Adobe Stock · Mnimage/Adobe Stock
    No estudo, tanto o café tradicional quanto o descafeinado foram associados a melhora de humor, redução do estresse e diminuição da impulsividade após o período de abstinência - Mnimage/Adobe Stock · Mnimage/Adobe Stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os autores avaliaram 62 adultos saudáveis: metade consumia entre três e cinco xícaras de café por dia e a outra não tinha esse hábito. Os pesquisadores analisaram humor, função cognitiva , estresse , saúde física, composição da microbiota intestinal e metabólitos presentes em amostras de fezes e urina.

    Depois da avaliação inicial, os consumidores habituais de café passaram duas semanas sem a bebida e sem outras fontes de cafeína. Em seguida, parte deles voltou a consumir café com cafeína e a outra metade passou a ingerir a versão descafeinada durante três semanas.

    Tanto o café tradicional quanto o descafeinado foram associados a melhora de humor, redução do estresse e diminuição da impulsividade após o período de abstinência. O café com cafeína apresentou efeitos sobre atenção e ansiedade, enquanto o descafeinado esteve mais relacionado à melhora da memória, do sono e até da atividade física.

    Como manter a saúde intestinal
    Como manter a saúde intestinal — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Esse estudo reforça uma ideia que vem ganhando força: intestino e cérebro estão diretamente conectados . O que chama atenção é que o trabalho mostrou isso até com o café descafeinado, ou seja, não é só a cafeína que parece influenciar o organismo", observa o nutrólogo Diogo Toledo, do Einstein Hospital Israelita. "A bebida possui centenas de compostos bioativos além da cafeína, principalmente polifenóis e antioxidantes."

    Já se sabe que o intestino participa da produção de neurotransmissores e substâncias inflamatórias capazes de impactar humor, memória, sono e cognição. "Essa ‘conversa’ acontece pelo sistema nervoso, pelo sistema imunológico e também pelas bactérias intestinais", explica Toledo. "Por isso o eixo intestino-cérebro virou um dos temas mais estudados da medicina atual."

    O trabalho também identificou mudanças importantes na microbiota intestinal. Os consumidores de café apresentaram níveis maiores de algumas bactérias associadas a efeitos positivos para a saúde. Inclusive, durante a interrupção do consumo da bebida, houve alterações em metabólitos ligados ao funcionamento cerebral e ao metabolismo. "Há cada vez mais evidências mostrando que o microbioma intestinal é extremamente dinâmico e responde rapidamente ao que a pessoa come e bebe", relata o nutrólogo.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Outro achado foi que consumidores de café apresentaram inicialmente maior impulsividade e reatividade emocional. Isso pode ter relação com os efeitos estimulantes da cafeína no sistema nervoso central. "Ela aumenta neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, o que melhora atenção e disposição, mas também pode deixar algumas pessoas mais aceleradas emocionalmente", pontua Diogo Toledo.

    Contudo, os próprios autores destacam limitações: o estudo foi pequeno e utilizou apenas café instantâneo. E o método de preparo da bebida muda bastante sua composição final.

    "Café espresso, coado, em cápsula, prensa francesa ou instantâneo apresentam diferenças na quantidade de cafeína, polifenóis e outros compostos bioativos. Como o estudo utilizou apenas café instantâneo, não dá para afirmar que todos os tipos de preparo têm exatamente os mesmos efeitos sobre microbiota e saúde cerebral", pondera o médico do Einstein.

    Diretrizes internacionais consideram seguro o consumo de até 400 mg de cafeína por dia, o equivalente a cerca de três a quatro xícaras de café, dependendo do método de preparo. Mas não existe uma quantidade ideal universal — fatores genéticos e a velocidade com que cada organismo metaboliza a cafeína influenciam diretamente a tolerância à bebida.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/09/cafe-mesmo-descafeinado-pode-ser-aliado-do-eixo-intestino-cerebro.shtml.

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    No estudo, tanto o café tradicional quanto o descafeinado foram associados a melhora de humor, redução do estresse e diminuição da impulsividade após o período de abstinência - Mnimage/Adobe Stock · Mnimage/Adobe Stock — Foto: Folha de S.Paulo

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