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    Cade rejeita pedido da Keeta contra 99Food, mas mantém investigação

    Conselho rejeitou medida para suspender cláusulas de exclusividade, mas determinou novas diligências sobre práticas que podem afetar a concorrência no mercado de delivery O post Cade rejeita pedido da Keeta contra 99Food, mas mantém investigação apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    2 de setembro de 2026 às 20:23
    Cade rejeita pedido da Keeta contra 99Food, mas mantém investigação
    Foto: Olhar Digital

    O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica ( Cade ) decidiu, nesta quarta-feira (2), aprofundar a investigação sobre possíveis práticas anticompetitivas relacionadas aos contratos da 99Food com restaurantes. Ao mesmo tempo, o órgão rejeitou o pedido da Keeta para adoção imediata de uma medida preventiva contra as cláusulas que a empresa classifica como de “banimento”.

    A decisão foi tomada no julgamento de recurso apresentado pela Keeta , que questionava as condições oferecidas pela 99Food a restaurantes. Por unanimidade, o Tribunal conheceu o recurso, mas negou provimento. Com isso, a 99Food não será obrigada, neste momento, a suspender as cláusulas questionadas nem impedida de firmar novos contratos com disposições semelhantes.

    Isso, porém, não significa que o Cade tenha considerado as práticas legais. O órgão determinou que o Inquérito Administrativo nº 08700.008408/2025-19 siga para instrução complementar pela Superintendência-Geral do Cade (SG/Cade), que deverá realizar novas diligências antes de uma conclusão definitiva.

    Medida preventiva solicitada pela Keeta tinha como objetivo suspender as cláusulas que a empresa considera de “banimento” e impedir a assinatura de novos contratos com disposições desse tipo – Imagem: jackpress / Shutterstock
    Medida preventiva solicitada pela Keeta tinha como objetivo suspender as cláusulas que a empresa considera de “banimento” e impedir a assinatura de novos contratos com disposições desse tipo – Imagem: jackpress / Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A investigação foi instaurada em março de 2026 após representação da Keeta . A empresa alegou que a 99Food estaria firmando contratos com restaurantes que restringiriam a contratação de plataformas concorrentes e, em determinados casos, estariam associados ao pagamento de incentivos financeiros.

    Na avaliação da Keeta, essas condições poderiam dificultar a entrada e a expansão de concorrentes no mercado brasileiro de plataformas digitais de entrega de comida.

    Em junho, a Superintendência-Geral havia decidido pelo arquivamento da investigação. Posteriormente, o Tribunal do Cade avocou o caso para avaliar se as informações reunidas até então eram suficientes para afastar as preocupações concorrenciais identificadas no início da apuração.

    logo da keeta em um smartphone
    logo da keeta em um smartphone — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Agora, o relator e presidente interino do Cade, Diogo Thomson de Andrade, entendeu que ainda existem questões que precisam ser esclarecidas.

    O Cade também poderá levar em conta os parâmetros estabelecidos no Termo de Compromisso de Cessação (TCC) firmado anteriormente com o iFood, além de informações produzidas em outras investigações e iniciativas de acompanhamento do setor.

    Outra frente determinada pelo Tribunal envolve documentos apresentados pela própria 99Food sobre supostas cláusulas contratuais adotadas pela Keeta. Caso a investigação identifique práticas capazes de gerar preocupações concorrenciais semelhantes, a SG/Cade poderá avaliar a adoção das medidas cabíveis.

    Rodrigo Mozelli
    Rodrigo Mozelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O relator também defendeu a inclusão da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) como terceira interessada no processo. A medida foi citada como forma de ampliar a análise sobre o funcionamento do mercado.

    A medida preventiva solicitada pela Keeta tinha como objetivo suspender as cláusulas que a empresa considera de “banimento” e impedir a assinatura de novos contratos com disposições desse tipo.

    Quando o Inquérito Administrativo foi instaurado, a SG/Cade havia postergado a análise do pedido até o desfecho de uma ação judicial relacionada ao tema. Para o relator, embora a decisão tenha formalmente adiado a análise, seus efeitos práticos foram equivalentes ao indeferimento da medida. Por isso, o recurso da Keeta pôde ser analisado pelo Tribunal.

    Ana Luiza Figueiredo
    Ana Luiza Figueiredo — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    No julgamento, entretanto, Andrade concluiu que ainda não existem elementos suficientes para justificar a adoção da medida preventiva.

    Entre os fatores considerados estão as incertezas sobre o conteúdo e os efeitos das cláusulas investigadas, além das características atuais do mercado e das práticas contratuais adotadas pelas diferentes plataformas.

    A decisão poderá ser revista futuramente, caso a investigação reúna novos elementos que indiquem a necessidade de uma intervenção antes do encerramento do processo.

    Medida preventiva solicitada pela Keeta tinha como objetivo suspender as cláusulas que a empresa considera de “banimento” e impedir a assinatura de novos contratos com disposições desse tipo – Imagem: jackpress / Shutterstock
    Medida preventiva solicitada pela Keeta tinha como objetivo suspender as cláusulas que a empresa considera de “banimento” e impedir a assinatura de novos contratos com disposições desse tipo – Imagem: jackpress / Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Em posicionamento enviado sobre a decisão, a 99Food afirmou ter recebido “de forma serena e positiva” a negativa da medida preventiva solicitada pela Keeta. Segundo a empresa, a decisão indica que não existem elementos que justifiquem uma intervenção imediata do Cade no mercado, como vinha sendo defendido pela companhia.

    A 99Food também afirmou que recebeu com tranquilidade a decisão de continuidade da investigação e que permanece confiante na legitimidade de suas práticas.

    Para a empresa, o aprofundamento da apuração faz parte de um processo que vem sendo acompanhado de forma colaborativa desde o início. A companhia afirma ainda que as parcerias firmadas com restaurantes continuam produzindo efeitos positivos e reforça que pretende seguir investindo no mercado em benefício de restaurantes, entregadores parceiros e consumidores.

    A 99Food também avaliou positivamente a inclusão de outras plataformas na análise do Cade. “Vemos com bons olhos que outras plataformas do setor, como iFood e Keeta, também passem a integrar o escopo de análise da autoridade, o que permite ao Cade construir um retrato mais completo de como o mercado de delivery opera hoje como um todo, e não apenas de uma de suas partes”, afirmou a empresa.

    A companhia disse ainda que permanece à disposição da Superintendência-Geral para contribuir com as diligências e declarou estar confiante de que uma análise mais aprofundada confirmará que suas práticas beneficiam os restaurantes parceiros e a concorrência.

    A Keeta, por sua vez, afirmou ao Olhar Digital que continua confiante na atuação das autoridades para corrigir o que considera problemas estruturais no mercado brasileiro de delivery. Para a empresa, cada dia sem uma decisão definitiva representa um custo para o ecossistema do setor.

    A companhia destacou que o próprio Tribunal do Cade reconheceu a importância da capacidade das plataformas de atrair e reter restaurantes para também conquistar e manter consumidores.

    “O segmento de delivery de comida segue fechado e disfuncional, prejudicando não apenas o nosso negócio, mas também restringindo oportunidades para restaurantes, entregadores parceiros e consumidores”, afirmou Danilo Mansano, vice-presidente da Keeta.

    Segundo o executivo, o próprio Cade já teria demonstrado preocupação em diferentes ocasiões com práticas avaliadas no setor e com a possibilidade de competição efetiva em um mercado que passou por entradas e saídas de empresas nos últimos anos.

    “A Keeta segue confiante de que as autoridades vão analisar o caso com a devida atenção para garantir um mercado aberto e justo, em que a competição ocorra pela qualidade do serviço, não pela imposição de barreiras artificiais”, disse Mansano.

    A decisão ocorre em meio à transformação do mercado brasileiro de delivery, com a expansão de novos concorrentes e a tentativa de diferentes plataformas de conquistar restaurantes e consumidores.

    A Keeta, controlada pela chinesa Meituan, e a 99Food, ligada à chinesa DiDi, vêm ampliando suas operações no país para disputar espaço com o iFood, líder do setor. A análise do Cade deverá considerar justamente essa nova configuração competitiva, incluindo também a atuação da Rappi.

    O caso, portanto, não termina com a decisão desta quarta-feira. O Cade negou a intervenção imediata solicitada pela Keeta, mas determinou que a investigação continue justamente para reunir informações que permitam avaliar com maior segurança se as práticas contratuais analisadas produzem efeitos prejudiciais à concorrência.

    O órgão ressaltou que a continuidade do inquérito não significa uma conclusão de que a 99Food cometeu infração à ordem econômica . Da mesma forma, a negativa da medida preventiva não encerra a possibilidade de novas providências caso as diligências encontrem elementos que justifiquem uma intervenção.

    Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

    Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/02/pro/cade-aprofunda-investigacao-sobre-contratos-da-99food-e-nega-pedido-da-keeta/.

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