Caboclo d'Água: mineiros caçam monstro há 2 décadas e usam até isca humana
Associação de Caçadores de Assombrações e Monstros de Mariana organiza expedições pela mata para investigar relatos de criaturas misteriosas

Belo Horizonte — Uma noiva que aparece à beira de uma estrada pedindo carona e desaparece dentro dos carros. Um animal desconhecido, descrito como uma mistura de macaco, galinha e lagartixa . E uma bola de fogo brilhante que desce do céu.
Para tentar encontrá-los — e, quem sabe, até capturá-los —, algumas orientações são importantes: não comer chocolate, para evitar atrair mosquitos que, segundo os caçadores, sentem o cheiro da pele; não usar shampoo, que também deixa cheiro; e, em alguns casos, é melhor nem tomar banho . Quem se dispõe a servir de isca humana dentro de uma gaiola deve ficar pelo menos cinco dias sem se lavar.
Essas são algumas das instruções para quem quer participar das expedições periódicas, que incluem caminhadas pela mata e buscas por criaturas misteriosas , como, Noiva de Furquim, Caboclo-d’Água e Mãe do Ouro .

No último dia 10 de outubro, um anúncio publicado pelo jornal O Espeto chamou a atenção: a Associação de Caçadores de Assombrações e Monstros de Mariana (Acam) , em Minas Gerais, informou que colocará placas de aviso de perigo em áreas onde o Caboclo-d’Água teria sido avistado . A publicação também convidava os corajosos a participar de um curso para a caçada à criatura, previsto ainda este mês.
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A associação reúne amigos, interessados em folclore e curiosos que investigam relatos sobre o sobrenatural e lendas da região, muitos deles centenários.

Entre uma expedição e outra, o grupo também visita locais históricos e culturais, promove cursos de educação patrimonial e desenvolve atividades em escolas , com distribuição de livros sobre as lendas da região.
Associação de Caçadores de Assombrações e Monstros de Mariana (Acam)
A história começou em 2008, com a publicação de lendas e causos no jornal O Espeto . Diante da grande quantidade de relatos sobre o Caboclo-d’Água, alguns amigos do dono do jornal decidiram fazer uma vaquinha e oferecer R$ 1 mil a quem conseguisse apresentar uma fotografia da criatura . O próprio grupo ficaria responsável por avaliar a autenticidade da imagem.

“A partir daí passamos a receber também outros casos. Era o início da Acam, que nascia sem saber que existia. Só depois entendemos que estávamos formando um grupo! Recebemos pessoas, relatos, começamos a fazer pesquisas”, contou Leandro Henrique dos Santos, de 51 anos, professor, historiador, jornalista e diretor e fundador do jornal O Espeto.
Atualmente, a associação tem cerca de 80 membros inscritos e qualquer pessoa pode participar, sem restrição de idade. Menores de idade também são bem-vindos, mas precisam estar acompanhados de um responsável durante viagens e expedições.
Desde 2008, o grupo já realizou mais de 100 atividades, além de cinco encontros temáticos em municípios como Ouro Preto (Região Central), Acaiaca (Zona da Mata), Diogo de Vasconcelos (Região Central), Barra Longa (Zona da Mata) e Catas Altas (Região Central de Minas Gerais). A Acam não cobra pela participação nem recebe doações. “Pois, para nós, o acesso à cultura e às atividades deve ser gratuito “, explicou Leandro.

O Caboclo-d’Água, a Noiva de Furquim e a Mãe do Ouro têm algo em comum: relatos de testemunhas que atravessam gerações. “Esses três são os que mais têm testemunhas, muitas das quais se tornaram membros da Acam. Encontrar um ambiente acolhedor para falar sobre algo que foge do padrão da normalidade é reconfortante. A alegria das pessoas ao compartilhar seus relatos gera empatia e respeito, até para a autoestima”, disse.
Leandro conta que o Caboclo-d’Água é descrito como um animal desconhecido, com características que lembram uma mistura de macaco, galinha e lagartixa. Segundo a associação, depoimentos de garimpeiros, agricultores e fazendeiros ajudaram a identificar as regiões com maior concentração de supostas aparições por Barra Longa , Acaiaca , Guaraciaba e São Pedro dos Ferros , na Zona da Mata; e Mariana , Ouro Preto e Diogo de Vasconcelos , na Região Central de Minas Gerais.
Leandro conta que o assunto chegou a ser discutido em reuniões de vereadores de Barra Longa e Diogo de Vasconcelos. “ Duas mortes de pessoas foram atribuídas a seus ataques em Barra Longa e Acaiaca . Casos de ataques a bois foram relatados pelo ex-vereador Jafe, de Barra Longa, e pelo ex-presidente da Câmara de Diogo de Vasconcelos, José Quirino, que chegou a gravar um depoimento em vídeo sobre seu confronto com o Caboclo-d’Água, durante o qual teria disparado tiros para tentar matar a criatura”, contou.



Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/minas-gerais/caboclo-dagua-mineiros-cacam-monstro-ha-2-decadas-e-usam-ate-isca-humana.

Arquivo Pessoal — Foto: Metrópoles
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