Buracos negros não só destroem estrelas: eles podem ajudar a formá-las
Observações de nove galáxias próximas indicam que a atividade desses objetos pode estimular a formação estelar, contrariando modelos convencionais O post Buracos negros não só destroem estrelas: eles podem ajudar a formá-las apareceu primeiro em Olhar Digital .

Buracos negros supermassivos estão no centro de todas as galáxias , mas isso não significa que eles funcionem como “ralos cósmicos”, esperando que tudo ao redor caia em sua direção. Grande parte da matéria pode orbitar esses objetos sem ser afetada por bilhões de anos.
Quando se tornam ativos, porém, esses buracos negros podem interferir profundamente em suas galáxias hospedeiras. Eles aquecem o gás ao redor e podem interromper a formação de estrelas . Agora, pesquisadores encontraram evidências de que o efeito também pode ocorrer no sentido contrário: a atividade desses objetos pode contribuir para o nascimento de novas estrelas.
Um buraco negro ativo libera uma enorme quantidade de energia no gás ao seu redor. Essa energia pode ser lançada na forma de jatos poderosos, que se deslocam a velocidades próximas à da luz, além de ventos que atravessam a galáxia e aquecem o meio interestelar.

Para que estrelas se formem, porém, o gás precisa estar frio o suficiente para se condensar e, posteriormente, entrar em colapso. Por isso, os efeitos da atividade de um buraco negro sobre a formação estelar são mais complexos do que se imaginava.
“Depois que conseguimos resolvê-los, pudemos ver que eles não apenas acumulam coisas, mas também ejetam coisas”, afirmou Peixin Zhu, principal autor do estudo, estudante de pós-graduação e astrônomo do Center for Astrophysics. “A injeção e a acreção estão ligadas uma à outra.”
Segundo Zhu, as frentes de choque apresentam característica particularmente interessante: elas aparecem perpendicularmente à direção dos fluxos de material injetados pelo buraco negro.

“O fenômeno mais interessante sobre os choques é que eles sempre ocorrem perpendicularmente ao local para onde os fluxos de saída injetados pelo buraco negro se dirigem. É muito comum, e vemos isso aparecendo de forma consistente em todas as nove galáxias”, explicou.
Os pesquisadores também utilizaram o telescópio de raios X Chandra para confirmar de forma independente a atividade observada.
As observações revelaram um ciclo complexo envolvendo a acreção de material pelo buraco negro, a ejeção desse mesmo material de volta para a galáxia e os efeitos provocados por esse processo em toda a estrutura galáctica.

“Estamos vendo que os buracos negros não estão apenas consumindo material nos centros das galáxias, mas estão remodelando ativamente seus arredores”, afirmou Lisa Kewley, astrofísica do Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian, diretora do centro e orientadora de Zhu.
“Este trabalho nos ajuda a compreender um complexo ciclo de feedback que desempenha um papel importante na evolução das galáxias.”
O estudo foi publicado no periódico The Astrophysical Journal .

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/15/ciencia-e-espaco/buracos-negros-nao-so-destroem-estrelas-eles-podem-ajudar-a-forma-las/.

Região central da NGC 1386 com o anel de formação estelar em vermelho, a radiação do buraco negro em azul e os choques em amarelo – Imagem: Peixin Zhu — Foto: Olhar Digital
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