BTG e J&F pediram carta de segurança jurídica para reduzir risco em compra de ativos do Master
O diretor de Fiscalização do Banco Central , Ailton de Aquino, afirmou à Polícia Federal que o BTG Pactual pediu ao BC, em outubro de 2025, uma carta de conforto para a compra de novos ativos do Banco Master , nos mesmos moldes solicitados pela J&F na aquisição da Korv Seguradora. Leia mais (08/18/2026 - 04h00)

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O diretor de Fiscalização do Banco Central , Ailton de Aquino, afirmou à Polícia Federal que o BTG Pactual pediu ao BC, em outubro de 2025, uma carta de conforto para a compra de novos ativos do Banco Master , nos mesmos moldes solicitados pela J&F na aquisição da Korv Seguradora.

Segundo Aquino, o BTG queria evitar que a operação fosse posteriormente questionada como fraude à liquidação, caso o banco de Daniel Vorcaro fosse liquidado. O Master foi liquidado no mês seguinte , no mesmo dia em que o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal.
A Folha teve acesso ao depoimento de Aquino no âmbito da investigação aberta no STF (Supremo Tribunal Federal).
Na ocasião, segundo Aquino, o então diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Souza , que depois passou a ser investigado por supostamente auxiliar o Master, consultou a área técnica do BC sobre a possibilidade de emitir ao BTG o documento, nos mesmos moldes de uma carta encaminhada ao grupo J&F.

O episódio ocorreu em meio à deterioração da situação financeira do Master e às tentativas de Vorcaro de se desfazer de ativos do banco. De acordo com Aquino, J&F e BTG demonstraram interesse em adquirir ativos do grupo.
A J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, comprou a seguradora do conglomerado por meio da PicPay , enquanto o BTG adquiriu diferentes ativos em operações que, segundo o depoimento, somavam cerca de R$ 1 bilhão àquela altura.
A aquisição mencionada por Aquino em outubro de 2025 seria a segunda operação do BTG envolvendo ativos do Master. O banco teria procurado o BC para obter segurança jurídica sobre a operação, diante do temor de que, em uma eventual liquidação, a compra pudesse ser questionada pelos responsáveis pela massa liquidada.

Procurado na manhã de quinta-feira (13) para comentar, o BTG Pactual informou que não iria se manifestar. A assessoria da J&F, procurada por email e WhatsApp, não respondeu. O BC também foi procurado, por telefone e por email, mas não comentou.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Master, interrompendo as atividades da instituição e colocando sob o regime de liquidação os negócios que ainda permaneciam sob seu controle.
Vorcaro, que comandava o conglomerado, também passou a ser alvo central das investigações da Polícia Federal. O empresário foi preso e é investigado por supostamente ter comandado a venda de carteiras de crédito falsas ao BRB , banco estatal de Brasília.
Os investigadores apuram ainda suspeitas de que Vorcaro teria desviado dinheiro do banco para contas próprias e da família, deixando a descoberto o pagamento de mais de R$ 50 bilhões em CDBs emitidos no mercado.
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No momento da liquidação, a crise do Master já era acompanhada pelo BC havia meses. O banco havia negociado com o BRB uma fusão. A operação, porém, dependia de autorização do Banco Central e acabou sendo barrada.
A situação se agravou justamente no período em que o Master buscava alternativas para levantar recursos e reduzir sua exposição a determinados ativos. É nesse contexto, segundo o depoimento de Aquino, que apareceram os interessados na compra de partes do conglomerado.
O depoimento também ajuda a esclarecer a preocupação do BTG ao procurar o Banco Central. Uma carta conforto é um documento emitido por uma empresa para dar respaldo a um parceiro comercial sobre a situação financeira de uma terceira companhia, sem configurar uma garantia econômica.
O instrumento não seria, segundo o relato, uma autorização para a compra dos ativos, mas uma forma de reduzir o risco de que a operação fosse posteriormente considerada irregular caso o Master entrasse em liquidação.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/btg-e-jf-pediram-carta-conforto-para-comprar-ativos-do-master-diz-diretor-do-bc-a-pf.shtml.

Diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino - Raphael Ribeiro - 24.abr.26/Divulgação Banco Central · Raphael Ribeiro - 24.abr.26/Divulgação Banco Central — Foto: Folha de S.Paulo
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