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    Brics: Brasil chega à cúpula entre cautela e baixa expectativa

    Cúpula de líderes do principal bloco de nações emergentes será realizada entre os dias 12 e 13 na Índia; Lula não vai ao evento do Brics

    Metrópoles
    7 de setembro de 2026 às 07:30
    Brics: Brasil chega à cúpula entre cautela e baixa expectativa
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    Resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade. Esses serão os pilares do encontro anual de lideranças do Brics , que será realizado entre os dias 12 e 13 de setembro, em Nova Déli, capital da Índia. O país assumiu a presidência rotativa do bloco no início deste ano.

    Ao Metrópoles , o embaixador da Índia no Brasil, Dinesh Bhatia, afirmou que cerca de 400 reuniões preparatórias foram realizadas nos últimos meses antes do encontro de líderes. Além disso, o diplomata também comentou sobre as expectativas do país para a reunião deste ano.

    “O esforço da Índia tem sido traduzir as prioridades de sua presidência em cooperação prática e resultados orientados ao desenvolvimento”, afirmou Bhatia. “A presidência da Índia tem se ancorado em um esforço de toda a nação, uma abordagem centrada nas pessoas, resultados práticos e orientados ao desenvolvimento, foco na governança global inclusiva e em um multilateralismo reformado, uma voz mais forte para o Sul Global e a valorização dos pontos fortes e da experiência de desenvolvimento da Índia”, completa.

    Alex Ferro/G20
    Alex Ferro/G20 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Neste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vai à cúpula. No seu lugar, o Brasil será representado por uma comitiva de diplomatas e pelo chanceler Mauro Vieira.

    Segundo interlocutores da diplomacia indiana, outros ministros brasileiros não devem participar do evento . A expectativa é de que alguns ministérios enviem apenas representantes, e não os titulares das pastas.

    Embora ainda marque presença no evento, a avaliação de membros do governo brasileiro é de que o encontro deste ano não deve ter grandes avanços .

    Mauro Vieira
    Mauro Vieira — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A cúpula presidida pela Índia ocorre em um momento desafiador para os Brics, que passa por rachas internos promovidos pela guerra no Oriente Médio e pela política tarifária de Donald Trump. Parte da avaliação do corpo diplomático brasileiro tem origem na forma como expansão do bloco foi feita: com poucos critérios e sem uma unidade entre os novos membros .

    A crise refletiu dentro do Brics, que agora enfrenta dificuldade de coesão e de consenso entre seus membros provocadas por tensões entre os membros do grupo. O principal fator é a guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.

    Chefes de Estado reunidos para a cúpula do Brics no Rio de Janeiro

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    Brics: Brasil chega à cúpula entre cautela e baixa expectativa - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Tradicionalmente, a cúpula de líderes do Brics ocorre após a reunião de ministros das Relações Exteriores, que serve como uma preparação para o encontro de chefes de Estado.

    O evento deste ano, contudo, ficou marcado por embates diretos entre dois membros plenos do bloco, Irã e Emirados Árabes Unidos, provocados pela guerra no Oriente Médio. A reunião ocorreu em maio.

    Na época, o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, disse ao Metrópoles que o lado iraniano buscou não usar o espaço da reunião para discutir o conflito, com o objetivo de preservar a unidade do Brics.

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    Brics: Brasil chega à cúpula entre cautela e baixa expectativa - imagem 2 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A postura, contudo, mudou após o representante emiradense acusar o país persa de realizar ataques terroristas contra os Emirados Árabes Unidos.

    Desde o início da guerra com os Estados Unidos, forças iranianas passaram a bombardear posições norte-americanas em países vizinhos. Neste cenário, os Emirados Árabes Unidos se tornaram uma das nações mais afetadas pelos ataques, que não focaram apenas em instalações militares de Washington, como também posições civis, afirmam autoridades locais.

    Em resposta, o chanceler iraniano afirmou que os Emirados Árabes Unidos ficaram ao lado dos EUA e Israel na guerra.

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    Brics: Brasil chega à cúpula entre cautela e baixa expectativa - imagem 3 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O racha ficou explicito após o fim da reunião, que terminou sem uma declaração conjunta assinada pelos países membros.

    Ao invés disso, a presidência indiana do Brics divulgou um documento com ressalvas, já que o grupo não entrou em acordo sobre dois pontos que estariam no declaração final.

    Os dois tópicos de divergência falavam sobre a situação na Faixa de Gaza, e os bloqueios marítimos no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb impostos pelos Houthis . O grupo, que controla partes do Iêmen desde 2014, é apoiado pelo Irã.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/brics-brasil-chega-a-cupula-entre-cautela-e-baixa-expectativa.

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