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    Breve história das reviravoltas no mês final da eleição para presidente

    A última fase da campanha começou, com TV e rádio. Falta pouco mais de mês para o primeiro turno. Não raro ocorre mudança relevante na votação de candidatos a presidente nessas semanas. Como em quase toda temporada final de caçada de votos, esta coluna recorda reviravoltas, nota que há a fazer na campanha e enfatiza que pesquisa eleitoral não é previsão de resultado, mas retrato de momento. Leia mais (08/29/2026 - 18h15)

    Folha de S.Paulo
    29 de agosto de 2026 às 21:15
    Breve história das reviravoltas no mês final da eleição para presidente
    À esquerda, homem de barba branca e chapéu de palha claro fala ao microfone, vestindo camisa branca. À direita, homem de cabelo escuro e terno preto segura microfone, com alfinete de tesoura na lapela, em fundo escuro com outra pessoa desfo — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA)

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    Na justaposição de fotos, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que disputam o Planalto e aparecem à frente nas pesquisas - Bruno Santos - 2.ago.26/Folhapress e Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP · Bruno Santos - 2.ago.26/Folhapress e Eva
    Na justaposição de fotos, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que disputam o Planalto e aparecem à frente nas pesquisas - Bruno Santos - 2.ago.26/Folhapress e Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP · Bruno Santos - 2.ago.26/Folhapress e Eva — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A última fase da campanha começou, com TV e rádio. Falta pouco mais de mês para o primeiro turno. Não raro ocorre mudança relevante na votação de candidatos a presidente nessas semanas. Como em quase toda temporada final de caçada de votos, esta coluna recorda reviravoltas, nota que há a fazer na campanha e enfatiza que pesquisa eleitoral não é previsão de resultado, mas retrato de momento.

    A eleição mais parecida com a deste ano é a de 2022. Desde o final de agosto de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva tinha ao menos 45% dos votos, com picos de 48%, segundo o Datafolha . Jair Bolsonaro tinha 32% em agosto, 34% em 9 de setembro e aí ficou até o primeiro turno. Na urna, deu 46,3% para Lula (votos totais) e 41,3% para Bolsonaro.

    Nas pesquisas de eventual segundo turno (antes, pois, do primeiro), Lula tinha 53% ou 54% dos votos totais (58% dos válidos). Bolsonaro, 38% ou 39%. Na urna, deu 50,9% dos válidos para Lula.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Pesquisa não é previsão, mas a discrepância entre pesquisas e voto de Bolsonaro no primeiro turno foi notável. Amostras baseadas no envelhecido Censo de 2010 contribuíram para a subestimação. O voto bolsonarista camuflado e a taxa mais alta de recusa a responder a pesquisas devem ter causado erro sistemático.

    A eleição de 2026 parece com a de 2022 porque:

    Primeiro, até fins de agosto há e havia apenas dois candidatos competitivos; segundo, é "plebiscitária"; terceiro, a avaliação dos candidatos à reeleição é parecida. Lula tinha 33% de "ótimo/bom" em agosto e 41% de "ruim/péssimo". Em agosto de 2022, Bolsonaro tinha, respectivamente, 30% e 43%. O pico de "ótimo/bom" de Jair até agosto de 2022 fora de 37%; o de Lula 3, de 38%;

    Quarto, a esquerda continua muito diminuída em estados e municípios e, mais ainda, na política digital.

    Mudança relevante ocorreu em 2014. Dilma Rousseff era candidata à reeleição em um país em revolta desde 2013 e a caminho da recessão. Em fins de agosto, tinha 34% dos votos, empatada com Marina Silva (PSB). Aécio Neves (PSDB) tinha 15%. Na véspera do primeiro turno, Aécio ainda empatava com Marina, mas foi ao segundo turno.

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    A eleição de 2018 foi caos e barbárie. Em fins de agosto, Bolsonaro tinha 22%, Fernando Haddad ( PT ), 4%, Marina Silva (Rede), 16%. Lula, preso, deixaria de ser candidato em 1º de setembro (até agosto, na espontânea tinha 20%, ante 15% de Jair).

    Depois da facada do 7 de setembro, Bolsonaro cresceria, mas apenas até 36% nas vésperas da eleição, com rejeição de 44% —teria 42% no primeiro turno.

    Em 2002, em fins de agosto Lula tinha 37%. Ciro Gomes (PPS), 20%, e José Serra (PSDB), 19%. Na véspera do primeiro turno, Lula subia a 45% e Serra, então com 19%, disputava com Anthony Garotinho (PSB), com 17%, a vaga em um segundo turno, que levou.

    Depois de agosto, as eleições de 1994, 1998, 2006 e 2010, basicamente PT x PSDB, foram estáveis. A de 1989 foi suja e caótica, mas o país era muito outro. O Brasil ficou decisivamente diferente após 2018. Para dar pincelada sumaríssima na político-partidária, o centro (PSDB) evaporou.

    Congresso e prefeituras são mais dominados pelas direitas. A extrema direita se organiza profunda e extensamente em um "partido digital", como diz o filósofo político Marcos Nobre. A esquerda é quase só Lula; em 2024, teve a menor votação para prefeitos deste século.

    Como se viu, porém, o jogo não está dado e os eleitores não raro contamos coisas que não sabíamos sobre o país.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2026/08/breve-historia-das-reviravoltas-no-mes-final-da-eleicao-para-presidente.shtml.

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    Na justaposição de fotos, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que disputam o Planalto e aparecem à frente nas pesquisas - Bruno Santos - 2.ago.26/Folhapress e Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP · Bruno Santos - 2.ago.26/Folhapress e Eva — Foto: Folha de S.Paulo

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