Brasília debate 6x1 enquanto juros ameaçam empregos
Nas últimas semanas, grandes e conhecidas empresas brasileiras passaram a frequentar uma lista que nenhum país gostaria de ver crescer. Leia mais (08/30/2026 - 22h00)

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Nas últimas semanas, grandes e conhecidas empresas brasileiras passaram a frequentar uma lista que nenhum país gostaria de ver crescer.
A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. A Braskem aprovou um plano de recuperação extrajudicial diante de um endividamento estimado em R$ 56 bilhões. Raízen, GPA, Tok&Stok, Habib’s e outras companhias também recorreram a mecanismos de reestruturação financeira ao longo deste 2026.
Os problemas específicos variam, mas há um fator que aparece de forma comum a todos os casos —um ambiente de juros muito elevados por um longo período, encarecendo o custo financeiro de todas as empresas e os orçamentos das famílias.

Enquanto o endividamento se alastra, Brasília concentra sua energia política na pauta eleitoreira do fim da escala de seis dias de trabalho por semana.
A proposta é apresentada como avanço social e ganho para a qualidade de vida dos trabalhadores. São objetivos obviamente meritórios, mas nem mesmo se debateram a contento efetividade, impactos e prazos.
Em princípio, tal mudança ocorre em economias que apresentam grandes aumentos de produtividade e juros baixos, pois assim as empresas têm capacidade de absorver os novos custos. Essa não é, nem de longe, a fotografia do Brasil de hoje.

Há décadas o país tem produtividade estagnada, e o custo do dinheiro se mantém em nível sufocante nos últimos anos, sem perspectivas de redução relevante.
O principal desafio do trabalhador brasileiro neste momento é, em alguns casos, ter apenas um dia de folga por semana ou estar empregado em uma empresa que talvez não sobreviva aos próximos anos? Essa é uma questão completamente ausente do debate sobre a 6x1, que parece desconectado da realidade do país.
A pauta da jornada de trabalho, que inexistia até a aproximação das eleições , ocupa espaço que deveria estar sendo dedicado à questão mais fundamental: qual será a agenda para reduzir de modo duradouro as taxas de juros.
A resposta passa pelo ajuste das contas públicas, sobretudo por meio de controle de despesas em proporção suficiente para estabilizar o endividamento do governo —hoje descontrolado e subestimado pela administração de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ).
Enquanto persistirem dúvidas sobre a trajetória da dívida pública e a disposição do mundo político de enfrentar o problema, os juros continuarão elevados para famílias e empresas.
Os atuais níveis recordes de emprego, também associados à alta das despesas do Tesouro, podem dar a impressão enganosa de tranquilidade. Entretanto a atividade econômica já está em desaceleração, e essa tendência agravará as dificuldades enfrentadas pela população. Uma crise financeira afetará principalmente os trabalhadores mais pobres.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/brasilia-debate-6x1-enquanto-juros-ameacam-empregos.shtml.

Congresso Nacional visto do Palácio do Planalto, em Brasília (DF) - Leonardo Sá/Agência Senado · Leonardo Sá/Agência Senado — Foto: Folha de S.Paulo
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