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    Brasília busca pactos por medo dos escândalos

    Não é de hoje, nem de ontem, que Brasília vive uma fase de acordos inusitados, fora do desenho constitucional de harmonia autônoma entre os Poderes. Foi o caso do acerto entre os presidentes da República, do Senado e da Câmara com mediação do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes . Leia mais (08/31/2026 - 10h17)

    Folha de S.Paulo
    31 de agosto de 2026 às 13:17
    Brasília busca pactos por medo dos escândalos
    Quatro homens em trajes formais conversam em ambiente interno com fundo claro. Um deles usa chapéu branco e terno marrom, outro veste terno cinza e está gesticulando enquanto fala. Os demais observam a interação. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Não é de hoje, nem de ontem, que Brasília vive uma fase de acordos inusitados, fora do desenho constitucional de harmonia autônoma entre os Poderes. Foi o caso do acerto entre os presidentes da República, do Senado e da Câmara com mediação do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes .

    O presidente Lula (PT) e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues - Pedro Ladeira - 6.ago.26/Folhapress
    O presidente Lula (PT) e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues - Pedro Ladeira - 6.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Avizinha-se agora uma tentativa de conciliação entre o ministro André Mendonça , do STF , e o diretor-geral da Polícia Federal , Andrei Rodrigues , patrocinada pelo presidente Luiz Inácio da Silva (PT), a fim de dirimir divergências na condução dos inquéritos sobre as fraudes no INSS e as trapaças financeiras de Daniel Vorcaro à frente do liquidado banco Master .

    A rigor, o Supremo e a PF não precisam de intermediações para cumprir suas funções com independência e estrito cumprimento das regras, cuja clareza não deixa dúvidas sobre o papel de cada uma dessas instituições de Estado. Quando, e se, há a necessidade de interferência do chefe da nação para resolver conflitos entre os condutores de investigações e calibrar o andamento dos trabalhos, algo grave está acontecendo.

    Magistrado e delegado nutrem suspeitas mútuas de ingerência na condução dos casos por razões de afeições e aversões políticas. Se existem motivos reais para tal desconfiança, se ambos —ou um deles— usam seus poderes e prerrogativas de modo indevido, extrapolam e, no limite, prevaricam. Coisa que não se resolve com panos quentes.

    Lula na campanha eleitoral de 2026
    Lula na campanha eleitoral de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se apenas divergem quanto ao gerenciamento das ações, de pouco ou quase nada adianta a mediação de terceiros que não têm responsabilidade direta sobre o encaminhamento dos casos. Ainda mais que nenhum dos dois mostra disposição de aderir a entendimentos extracurriculares.

    A tentativa de contornar a situação tem motivações pragmáticas: a necessidade de manter controle sobre os desdobramentos das investigações e o temor do mundo político do potencial de prejuízo que o dissenso entre Mendonça e Rodrigues possa ter sobre as candidaturas de Lula e de Flávio Bolsonaro ( PL ).

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/08/brasilia-busca-pactos-por-medo-dos-escandalos.shtml.

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    O presidente Lula (PT) e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues - Pedro Ladeira - 6.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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