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    Brasileiros levam jogo acessível à Gamescom 2026 em busca de publisher

    Criado pela Caramelo Biônico, Circo de Pulgas usa apenas um botão e foi à Alemanha em busca de parceiros; relatos de outros estúdios mostram os desafios e oportunidades dos indies brasileiros na feira O post Brasileiros levam jogo acessível à Gamescom 2026 em busca de publisher apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    30 de agosto de 2026 às 13:00
    Brasileiros levam jogo acessível à Gamescom 2026 em busca de publisher
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    Para pequenos estúdios, participar da Gamescom não significa apenas apresentar um jogo. Entre reuniões disputadas, playtests e encontros inesperados pelos corredores, a feira também pode representar uma oportunidade de encontrar os parceiros necessários para transformar um projeto independente em um lançamento comercial.

    Foi com esse objetivo que Roberto Spinelli (Pena) e Vitor Moreira, da Caramelo Biônico , viajaram para a Gamescom 2026, em Colônia, na Alemanha. A dupla levou Circo de Pulgas , projeto acessível que realizou seu primeiro grande teste com público internacional durante o evento.

    Circo de Pulgas nasceu com a proposta de ser jogado por pessoas com deficiência motora severa . Para isso, toda a experiência utiliza apenas um botão.

    Imagem: Roberto Spinelli/ Reprodução
    Imagem: Roberto Spinelli/ Reprodução — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A pulga se movimenta automaticamente pelo picadeiro enquanto o jogador controla o salto. O mesmo comando muda de função conforme a situação, permitindo interagir com elementos como canhões, trapézios e catapultas.

    Desenvolvido em cerca de um mês, com uso de inteligência artificial em animações e assets, o projeto atualmente possui um vertical slice com um nível. Nos testes, porém, a Caramelo Biônico percebeu que a simplicidade dos comandos também poderia tornar o game atraente para jogadores casuais.

    O primeiro grande teste internacional aconteceu de maneira improvisada. Durante a Gamescom Dev, Roberto e Vitor encontraram uma baia vazia e decidiram instalar o jogo no local. Quando um dos organizadores percebeu a situação, permitiu que continuassem usando o espaço até o final do dia.

    Imagem: Roberto Spinelli/ Reprodução
    Imagem: Roberto Spinelli/ Reprodução — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A oportunidade colocou Circo de Pulgas diante do público e serviu como uma primeira validação antes de outra missão importante da viagem: encontrar possíveis parceiros.

    A Caramelo Biônico havia mapeado cerca de 90 empresas , posteriormente reduzidas a 26 potenciais contatos. Durante a feira, conseguiu conversar com nove delas, e quatro demonstraram interesse no projeto.

    Uma das conversas mais promissoras aconteceu com uma plataforma de jogos para navegador com mais de 100 milhões de usuários. Nenhum contrato foi fechado durante a Gamescom, mas o estúdio pretende continuar as negociações para expandir Circo de Pulgas , inclusive com planos para mobile e Steam .

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    A experiência da Caramelo Biônico encontrou paralelo nas histórias de outros brasileiros presentes na feira. Em um evento desse tamanho, nem sempre a conversa mais importante está marcada na agenda.

    Matheus Lacerda, da TinyTank Studio , levou a demo para PC de My Girlfriend is a VAMP . Depois de não conseguir agendar uma reunião com uma publisher que estava em seu radar, encontrou um representante da empresa por acaso durante o evento. A conversa funcionou e abriu uma possibilidade que não havia surgido pelos canais tradicionais.

    Já Gildineia Guimarães, da Galactonautas , teve uma validação diferente com Bruce’s Gym , jogo de gerenciamento inspirado nas academias de bairro brasileiras. Um visitante passou cerca de 30 minutos jogando e foi embora. Mais tarde, ela percebeu que ele havia retornado para jogar novamente, algo que só confirmou ao comparar as fotos que havia registrado dos playtests.

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    Para Livia Yoshikawa, a Maki, da Dragonroll Studio , conseguir essas oportunidades exige insistência. Ela enviou cerca de 40 pedidos de reunião para publishers e conseguiu seis encontros para apresentar Final Flavor . A experiência contrasta com sua primeira Gamescom, em 2022, quando apresentou outro projeto e voltou sem conseguir avançar nas negociações.

    Os relatos evidenciam uma dificuldade comum aos pequenos estúdios. Com equipes e orçamentos reduzidos, participar de uma feira internacional significa disputar atenção com centenas de projetos enquanto cada conversa pode representar uma chance de viabilizar o próximo passo do jogo.

    Além das reuniões, a Gamescom Dev colocou em evidência outro tema presente na produção de Circo de Pulgas : o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de games .

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    Segundo Pena, as palestras apresentaram diferentes perspectivas. Enquanto a Tencent demonstrou um fluxo que utilizava IA em etapas como modelagem, rigging e animação, outras apresentações discutiram impactos ambientais e criativos da tecnologia.

    A Caramelo Biônico também utiliza IA durante o desenvolvimento, mas afirma buscar a tecnologia como ferramenta dentro de um processo autoral e com curadoria humana.

    Participar da maior feira de games do mundo com orçamento indie também exige criatividade fora do desenvolvimento. Para economizar, Pena e Vitor aproveitavam o café da manhã reforçado do hotel e as oportunidades de comida gratuita espalhadas pelos eventos.

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    Em uma das noites, os dois acabaram permanecendo por acidente em uma festa VIP no pavilhão indie , onde aproveitaram comida e bebida e ainda jogaram PowerWash Simulator com desenvolvedores.

    Maki relata uma estratégia parecida: procurar comida oferecida pelos estandes para diminuir os gastos durante a viagem. Pelo menos uma coisa parecia mais fácil de encontrar na Alemanha, segundo ela, o grupo conseguiu uma cerveja grátis por dia em algum ponto do evento.

    Entre esses improvisos, encontros de corredor e dezenas de pitches, a passagem dos brasileiros pela Gamescom mostra uma realidade distante apenas dos grandes anúncios e estandes milionários. Para os pequenos estúdios, a feira também é uma corrida para fazer o jogo ser visto, testado e, com alguma sorte, encontrar a parceria capaz de levá-lo adiante .

    Rachele Victoria
    Rachele Victoria — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Rachele Victoria é formada em Letras, MBA em Inovação e atua há 10 anos com comunicação e conteúdo gamer.

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    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/30/games-e-consoles/brasileiros-levam-jogos-indie-a-gamescom/.

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