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    Brasileiro vem da África ao Brasil remando sozinho após 2 anos de treino

    Raphael Garcia repetiu feito de Amyr Klink ao cruzar o Oceano Atlântico 42 anos depois enfrentando perigos mortais; toda viagem foi feita em 136 dias

    CNN Brasil
    2 de outubro de 2026 às 01:30
    Brasileiro vem da África ao Brasil remando sozinho após 2 anos de treino
    Foto: CNN Brasil

    A cidade portuária Lüderitz, na Namíbia, costa do continente africano, recebeu mais um brasileiro disposto a concluir uma missão ‘quase impossível’ de cruzar o Oceano Atlântico com a força das próprias mãos . Raphael Garcia, 34, decidiu repetir o feito de Amyr Klink , 42 anos depois, partindo do mesmo local, com a missão de chegar ao Brasil remando.

    O paulistano que atualmente mora na Nova Zelândia leu o livro, em 2022, sobre a epopeia de Amyr Klink, ‘Cem dias entre céu e mar’. Engenheiro elétrico de formação, decidiu que iria repetir o feito de remar da África ao Brasil, mas para isso ele precisava aprender a remar.

    “O que eu fiz foi tentar desmembrar o projeto. Eu desenvolvi uma folha de autoavaliação, toda semana eu ia nessa folha marcar o quanto eu tinha feito. Eu tentava toda semana remar um pouco mais. Nesse período eu me machuquei três vezes, jogando bola. Machuquei o ombro e perdi toda a memória muscular, fiquei nove meses sem treinar. De remo mesmo eu tive mais ou menos uns dois anos de preparação”, explica Raphael Garcia à CNN Brasil.

    Raphael Garcia, 34, leu livro do Amyr em 2022 e decidiu fazer a mesma viagem • Allan Pace/CNN Brasil · • Allan Pace/CNN Brasil
    Raphael Garcia, 34, leu livro do Amyr em 2022 e decidiu fazer a mesma viagem • Allan Pace/CNN Brasil · • Allan Pace/CNN Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

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    A viagem total no pequeno barco de seis metros durou 136 dias, um pouco mais de tempo do que Amyr Klink, que precisou de 100. Uma das grandes preocupações são os encontros inesperados com navios gigantes que passam na mesma rota todos os dias. Pode parecer impossível um choque de embarcações, mas é o principal risco da viagem . Sem contar as baleias.

    “O grande problema foi no final. Eu tinha que acordar de 20 em 20 minutos, para tirar minha cabeça para fora da cabine, escanear o horizonte e ver se não tinha nenhum barco se aproximando. Depois de conseguir consertar o AIS, que faz a comunicação entre navios, eu estava numa tempestade e uma hora depois ele apitou, tinha um navio a 300 metros vindo na mesma direção. Eu tive que sair do barco, ondas de cinco metros, conectei um rádio VHF e consegui falar para avisar o capitão, quando ele já estava a menos de dez minutos da gente colidir”, conta Garcia.

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    Ao preparar a viagem, Raphael estudou as correntes marítimas, para melhorar a performance da travessia. Na rotina do dia a dia, o paulistano ficava à deriva à noite e todas as manhãs ele corrigia a rota ao perceber os desvios do caminho original pelo GPS (Sistema de posicionamento global).

    Algumas vezes eu conseguia corrigir a rota no mesmo dia, outras vezes eu levava semanas para voltar ao caminho certo.

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    O brasileiro nunca cogitou pedir resgate, mas logo no começo as dificuldades quase impediram o início da viagem. Amyr Klink, coincidentemente, também quase enfrentou momentos tensos logo na partida, ao chocar o barco com outra embarcação que estava o acompanhando. Sair da costa da África pode se tornar um desafio fatal.

    “Logo no começo eu peguei uma tempestade que me jogou 150 quilômetros acima da minha rota. Eu fiquei quatro dias nessa tempestade e tive que me esgoelar para voltar. Nesse momento eu achei que a viagem estava quase perdida, menos de um mês da partida”, revela o engenheiro.

    Raphael tem apenas um rim e tem tendência a ter pedras no único órgão, por isso teve que basear sua dieta em comida desidratada, alimento comum para esse tipo de travessia, pensando no problema do sódio.

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    À CNN Brasil, Amyr Klink fala sobre expectativa de Oscar para "100 Dias" — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Eu baseei toda comida que eu escolhi em baixo teor de sódio e isso é um grande problema, porque as comidas desidratadas têm mais sódio do que uma pessoa saudável come num dia inteiro. As minhas opções eram extremamente limitadas. Na verdade, minhas refeições foram extremamente repetitivas. Comi por quase meio ano, um dia sim, um dia não, a mesma comida”.

    Quando o brasileiro chegou em Salvador, ao concluir a travessia, o seu ídolo Amyr Klink o esperava. Raphael estava abatido e cansado, mas feliz. Agora, após todas as dificuldades, ele sabia porque Amyr nunca mais repetiu a viagem.

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    Raphael e Amyr • Uiler Costa-Santos
    Raphael e Amyr • Uiler Costa-Santos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Mãos de Raphael após a viagem • Uiler Costa-Santos
    Mãos de Raphael após a viagem • Uiler Costa-Santos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Raphael e Amyr • Uiler Costa-Santos
    Raphael e Amyr • Uiler Costa-Santos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Mãos de Raphael após a viagem • Uiler Costa-Santos
    Mãos de Raphael após a viagem • Uiler Costa-Santos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Marinha aprova teste do novo submarino brasileiro para operação em 2027 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    À CNN Brasil, Amyr Klink fala sobre expectativa de Oscar para — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Lula recebe carta na ONU pedindo proteção da Antártica | CNN PRIME TIME — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/brasileiro-vem-da-africa-ao-brasil-remando-sozinho-apos-2-anos-de-treino/.

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    Raphael Garcia, 34, leu livro do Amyr em 2022 e decidiu fazer a mesma viagem • Allan Pace/CNN Brasil · • Allan Pace/CNN Brasil — Foto: CNN Brasil

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