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    Brasil vai começar a rastrear diabetes tipo 5, pouco conhecido e associado a quadros de desnutrição

    O Brasil vai começar a rastrear pacientes com diabetes tipo 5 , algo inédito na saúde brasileira ?e no mundo em grande medida. Leia mais (08/26/2026 - 21h08)

    Folha de S.Paulo
    27 de agosto de 2026 às 00:08
    Brasil vai começar a rastrear diabetes tipo 5, pouco conhecido e associado a quadros de desnutrição
    Foto: Folha de S.Paulo

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    O Brasil vai começar a rastrear pacientes com diabetes tipo 5 , algo inédito na saúde brasileira –e no mundo em grande medida.

    Mulher mostra panela vazia em barra em Maceió (AL); estado no Nordeste chegou a ter 2,6 milhões de pessoas em insegurança alimentar em 2022 - Itawi Albuquerque - 14.set.22/Folhapress · Itawi Albuquerque - 14.set.22/Folhapress
    Mulher mostra panela vazia em barra em Maceió (AL); estado no Nordeste chegou a ter 2,6 milhões de pessoas em insegurança alimentar em 2022 - Itawi Albuquerque - 14.set.22/Folhapress · Itawi Albuquerque - 14.set.22/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A novidade foi confirmada pela SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes ) nesta quarta (26), em um congresso no Rio de Janeiro . Os alvos iniciais serão Norte e Nordeste, regiões que concentram mais casos de pessoas em insegurança alimentar e desnutrição.

    A decisão ocorre em função da causa desse tipo de diabetes: ele decorre de problemas nutricionais, e é confundido com o tipo 1 . Especialistas suspeitam que haja no país um número relevante de pessoas com o tipo 5 recebendo tratamento do tipo 1, o que incorre em riscos ao paciente.

    O diabetes tipo 5 ainda é pouco conhecido, embora tenha sido identificado nos anos 1950. Voltou a ser discutido no ano passado após uma reunião de especialistas na Índia , afirma Hermelinda Pedrosa, vice-presidente da Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês) e membro da SBD.

    Veja imagens do pâncreas artificial, que melhora qualidade de vida e controla glicemia dos diabéticos
    Veja imagens do pâncreas artificial, que melhora qualidade de vida e controla glicemia dos diabéticos — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Convencionou-se de forma unânime chamar esse diabetes de tipo 5 porque ele é diferente de todos os demais catalogados até hoje: ocorre em pessoas muito magras, comumente abaixo de 30 anos e que vão precisar de uma reposição menor de insulina ", diz a médica.

    Convencionou-se de forma unânime chamar esse diabetes de tipo 5 porque ele é diferente de todos os demais catalogados até hoje: ocorre em pessoas muito magras, comumente abaixo de 30 anos e que vão precisar de uma reposição menor de insulina

    São essas as características que levam especialistas a diagnosticarem esse diabetes como tipo 1; sobretudo a associação da baixa idade e peso com o fator hereditário. O tipo 2 , mais prevalente em todo o mundo, costuma resultar da resistência à insulina desenvolvida ao longo da vida, e de comorbidade como a obesidade .

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    "Já o tipo 5", segue Hermelinda, "tem uma particularidade importante: a pessoa não tem resistência à insulina e nem vai ter cetoacidose –emergência que ocorre quando a falta de insulina impede a glicose de entrar na célula. Esse tipo resulta de uma deficiência nas células que produzem o hormônio, problema este que resulta da deficiência nutricional".

    Um paciente com tipo 5 tratado como tipo 1, portanto, pode receber doses de insulina muito maiores que o necessário.

    A aplicação de insulina além do necessário pode provocar hipoglicemia, porque o hormônio faz as células absorverem glicose e reduz a liberação de açúcar pelo fígado. Em casos graves, a queda da glicemia pode causar confusão, convulsões, perda de consciência, coma e até morte. O risco é especialmente relevante quando a insulina é administrada sem que haja necessidade de reposição adequada do hormônio.

    Existem poucas evidências sobre remissão para este tipo de diabetes, segundo Hermelinda. Mas a aplicação de insulina com o reajuste da alimentação do paciente pode retomar o controle glicêmico.

    A ideia é que, a partir do rastreamento e coleta de dados da doença, novas formas de tratamento sejam desenvolvidas. Além da SBD, a implementação do rastreamento envolve a Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), a IFD e a Fiocruz. A iniciativa também prevê estudos com participação da Unifesp e da UFRJ.

    A Federação Internacional de Diabetes (IDF) estima que o Brasil tenha 16,6 milhões de adultos com diabetes. O tipo 1 afeta cerca de 500 mil pessoas de todas as idades, segundo a entidade. A maior parte dos casos —mais de 90%, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes— é de diabetes tipo 2.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/08/brasil-vai-comecar-a-rastrear-diabetes-tipo-5-pouco-conhecido-e-associado-a-quadros-de-desnutricao.shtml.

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