Brasil teve 547 casos da doença de Creutzfeldt-Jakob de 2005 a 2021
Diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames como ressonância magnética, eletroencefalograma e análise do líquor

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O Brasil teve 547 casos confirmados da doença de Creutzfeldt-Jakob entre 2005 e 2021. Rara e sem cura, a condição costuma progredir rapidamente. O piloto e influenciador Lito Sousa morreu nesta quinta-feira (1º) , em São Paulo, 41 dias após revelar o diagnóstico.

A doença passou a integrar a lista de notificação compulsória em 2005. Nesse período, até 2021, dos 1.576 casos suspeitos notificados no país, 547 (34,7%) foram confirmados, 457 (29%) foram descartados e 572 (36,3%) ficaram sem classificação final informada.
Desde o início da contagem até agosto de 2026, foram registradas cerca de 2.500 notificações de casos suspeitos da doença no país, segundo o Ministério da Saúde .
Para o período entre 2021 e 2026, no entanto, a pasta não informou o número de casos confirmados.

Entre as notificações até 2021, 290 (18,4%) tinham registro de morte atribuída à doença de Creutzfeldt-Jakob. O restante informava óbito por outras causas ou não havia dados sobre a evolução do quadro.
A maior parte dos casos envolveu pessoas de 55 a 74 anos de idade, faixa que concentrou 60,2% dos registros. A idade média foi de 66 anos. Quanto ao sexo, 53,6% das notificações eram de mulheres, e 46,3%, de homens.
Considerando apenas os casos confirmados até 2021, São Paulo liderou, com 202 registros, seguido por Minas Gerais (57) e Paraná (44).

O diagnóstico da DCJ é feito a partir da combinação de sintomas, evolução clínica e exames como ressonância magnética, eletroencefalograma. Também é feita análise do líquor —líquido cefalorraquidiano, que circula ao redor do cérebro e da medula espinhal e tem, entre outras funções, a de proteger essas estruturas e transportar substâncias para o sistema nervoso.
Segundo Renato Gama, neurologista e professor da Afya Educação Médica, a investigação também precisa descartar outras doenças que possam produzir sintomas semelhantes, inclusive algumas com tratamento, como encefalites autoimunes e virais ou algumas formas de demência.
Um dos principais exames usados na investigação é o RT-QuIC, que identifica a atividade da proteína priônica anormal a partir de uma amostra de líquor, coletada por punção lombar.
"Com essa avaliação, e junto dos exames clínicos, podemos estabelecer um diagnóstico provável em vida, com elevado grau de confiança", afirma Gama.
A confirmação neuropatológica definitiva depende da análise do tecido cerebral, realizada após a morte.
Ainda não existe tratamento capaz de interromper comprovadamente a evolução da doença de Creutzfeldt-Jakob. Os cuidados são voltados ao controle dos sintomas, com o objetivo de oferecer melhor qualidade de vida ao paciente.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/10/brasil-teve-547-casos-da-doenca-de-creutzfeldt-jakob-de-2005-a-2021.shtml.

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