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    Brasil teve 26 assassinatos de ambientalistas em 2025 e ocupa 2° lugar em ranking global

    O número de defensores ambientais assassinados no Brasil mais do que dobrou em 2025: foram 26 homicídios no último ano e 12 em 2024. O país caiu do 4º para o 2º lugar no ranking mundial de mortes de ambientalistas da ONG internacional Global Witness, divulgado nesta quarta-feira (16). Leia mais (09/16/2026 - 13h29)

    Folha de S.Paulo
    16 de setembro de 2026 às 16:29
    Brasil teve 26 assassinatos de ambientalistas em 2025 e ocupa 2° lugar em ranking global
    Dezesseis pessoas, incluindo policiais em uniformes bege e civis com roupas casuais, estão reunidas em círculo em área rural com vegetação ao fundo. Um homem de camisa branca e boné preto gesticula enquanto fala com o grupo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O número de defensores ambientais assassinados no Brasil mais do que dobrou em 2025: foram 26 homicídios no último ano e 12 em 2024. O país caiu do 4º para o 2º lugar no ranking mundial de mortes de ambientalistas da ONG internacional Global Witness, divulgado nesta quarta-feira (16).

    Fazendeiro, acompanhado de segurança armado, conversa com policiais militares que escoltavam fecheiros durante reconstrução de rancho em território de fecho de pasto em disputa com grileiros, em Correntina (BA) - Lalo de Almeida - 13.mar.24
    Fazendeiro, acompanhado de segurança armado, conversa com policiais militares que escoltavam fecheiros durante reconstrução de rancho em território de fecho de pasto em disputa com grileiros, em Correntina (BA) - Lalo de Almeida - 13.mar.24 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O índice representa um retrocesso na segurança de ativistas brasileiros que defendem suas terras e modos de vida e o Brasil volta à posição que ocupava em 2023 e 2022.

    A alta foi registrada no mesmo ano em que o país recebeu, em Belém (PA), a COP30 , cúpula sobre mudança climática das Nações Unidas. O evento teve participação indígena recorde e incluiu compromissos sobre direitos territoriais.

    Quase todos os casos documentados no Brasil em 2025 tiveram como causa principal a disputa por terra , incluindo sete ligados a territórios indígenas e 14 a agricultores familiares.

    Garimpos têm presença de facções e milícias pelo país
    Garimpos têm presença de facções e milícias pelo país — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Rondônia e Pará respondem, juntos, por metade das mortes, segundo o relatório. Na região, as comunidades tradicionais são pressionadas pelo avanço das fronteiras agrícola e extrativista.

    "A falta de resolução sobre os seus direitos fundiários deixam povos indígenas e pequenos agricultores expostos à grilagem de terras, intimidação e violência", afirma Gabriella Bianchini, chefe de parcerias da Global Witness.

    Ela acrescenta, porém, que essas comunidades não são passivas. "Elas estão se organizando, recorrendo à lei e desenvolvendo as suas próprias estratégias para defender seus territórios e seus direitos", diz.

    JBS
    JBS — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A América Latina segue sendo o lugar mais perigoso para defensores ambientais, com 105 assassinatos em 2025 —o que equivale a quase nove em cada dez mortes ao redor do globo. A lista é encabeçada pela Colômbia , com 39 homicídios no ano passado.

    Quase metade dos colombianos mortos era indígena, e outros 15 eram agricultoras familiares. "Identificamos possíveis vínculos com o crime organizado em 17 mortes e relacionamos outras cinco a pistoleiros contratados para executar assassinatos", diz o documento.

    No centro dessa violência está o departamento de Cauca, no sudoeste da Colômbia. Sua localização estratégica, próxima à fronteira com o Equador e ao acesso a rotas de exportação pelo Pacífico, a região se torno um corredor do tráfico de cocaína.

    Liberta
    Liberta — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O cultivo de coca aumentou cinco vezes na última década, em meio à crescente influência tanto de grupos armados colombianos como de cartéis mexicanos", afirma a ONG.

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    O índice global do último ano teve queda de 15% em relação a 2024 (142 assassinatos) e 37% na comparação com 2023 (196).

    BNDES
    BNDES — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "A realidade é que esses números provavelmente estão muito abaixo do total real, já que muitos casos não são denunciados", observa a organização, em comunicado. Insegurança generalizada, mortes em massa em situações de conflito e repressão ao documentar abusos estão entre os motivos listados para a subnotificação.

    A ONG ressalta que regimes de repressão dos direitos civis são mais comuns na África e na Ásia , mas têm ficado mais frequentes nos países latinos.

    "Dos 15 países onde documentamos assassinatos, 10 foram classificados como repressivos pelo Civicus Monitor, que acompanha as liberdades cívicas. A Nicarágua foi classificada como fechada, a categoria mais repressiva", acrescenta.

    Governo Federal
    Governo Federal — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Desde 2012, quando começa a série histórica da entidade, foram 2.375 assassinatos e desaparecimentos documentados.

    O relatório anual mostra, ainda, que quase três quartos das mortes registradas em 2025 foram de indígenas (47) e pequenos agricultores (44). Sete dos indígenas mortos atuavam como guardas na proteção de seus territórios.

    Disputas por terra foram o motivo para mais da metade (84) das mortes de 205, seguido por mineração (11), extração de madeira (8) e agronegócio (6).

    Vale
    Vale — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A organização destaca que a violência contra ativistas na América Latina é agravada pelo crescente poder do crime organizado. Foram identificados possíveis vínculos com organizações criminosas nos seis países que lideram a lista —Colômbia, Brasil, Filipinas , Honduras , México e Guatemala —, cinco deles na região.

    Fora da América Latina, a Ásia respondeu por 12% dos assassinatos em 2025, a maioria deles entre filipinos (12). No continente, também foram registradas mortes na Índia e na Turquia , sediará a cúpula climática da ONU deste ano.

    A Global Witness pondera que os homicídios são a forma mais extrema de punição enfrentada pelos ativistas, mas que, por trás deles, há um "iceberg oculto" de ataques não letais. Essas estratégias vão desde campanhas de difamação e criminalização a ameaças.

    Crux Alliance
    Crux Alliance — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Statkraft — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
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    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/09/brasil-teve-26-assassinatos-de-ambientalistas-em-2025-e-ocupa-2-lugar-em-ranking-global.shtml.

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    Fazendeiro, acompanhado de segurança armado, conversa com policiais militares que escoltavam fecheiros durante reconstrução de rancho em território de fecho de pasto em disputa com grileiros, em Correntina (BA) - Lalo de Almeida - 13.mar.24 — Foto: Folha de S.Paulo

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