Política

    Brasil tem pior trajetória da dívida entre emergentes, diz Troyjo

    Ex-presidente do Banco dos Brics mostra que país é o único dos 10 maiores do grupo com “alta significativa” na relação dívida/PIB

    Poder360
    17 de agosto de 2026 às 08:34
    Brasil tem pior trajetória da dívida entre emergentes, diz Troyjo
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    Ex-presidente do Banco dos Brics mostra que país é o único dos 10 maiores do grupo com “alta significativa” na relação dívida/PIB

    O Brasil apresenta a pior trajetória da dívida pública entre as 10 maiores economias emergentes, segundo análise do economista e ex-presidente do Banco dos Brics Marcos Troyjo . Em levantamento baseado em dados do FMI (Fundo Monetário Internacional), o país é o único do grupo classificado por ele com uma “alta significativa” na relação dívida/PIB.

    Segundo Troyjo, enquanto o Brasil registra deterioração do indicador, outras grandes economias emergentes apresentam estabilidade, alta gradual ou redução da dívida. Polônia e Índia têm trajetória estável a decrescente, enquanto a Indonésia registra queda.

    Para o ex-presidente do Banco dos Brics, uma mudança na trajetória da dívida depende também de uma sinalização política de compromisso com o controle das despesas e a reforma do Estado
    Para o ex-presidente do Banco dos Brics, uma mudança na trajetória da dívida depende também de uma sinalização política de compromisso com o controle das despesas e a reforma do Estado — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

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    O economista resume a situação brasileira em 3 fatores:

    “O Brasil passou a reunir a combinação mais preocupante de elevado endividamento, alto custo de financiamento e despesa com juros entre as maiores economias emergentes” , declara.

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    A combinação é relevante porque uma dívida elevada, associada a juros altos, aumenta o custo para o governo financiar e refinanciar seus compromissos. Uma parcela maior do Orçamento também pode ser direcionada ao pagamento de juros, reduzindo o espaço para investimentos e outras despesas. É esse quadro que, segundo o economista, torna a situação brasileira mais preocupante que a de outros emergentes.

    A dívida bruta brasileira voltou a crescer a partir de 2023. Depois de atingir 86,9% do PIB em 2020, durante a pandemia, a relação dívida/PIB caiu até o fim de 2022 e voltou a subir no ano seguinte.

    Troyjo afirma que, ao fim de 2022, a relação dívida/PIB havia recuado para a casa dos 70%. Em junho de 2026, a DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) atingiu 81,9% do PIB. A alta supera 10 pontos percentuais.

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    A trajetória é impulsionada pelos deficits nominais elevados e pelo custo do serviço da dívida. Segundo o levantamento apresentado por Troyjo, a relação dívida/PIB deve continuar em alta nos próximos anos.

    Para Troyjo, a comparação com a China ajuda a explicar a vulnerabilidade brasileira. Embora os chineses tenham uma relação dívida/PIB maior, o custo de financiamento é muito inferior ao brasileiro.

    Isso significa que o tamanho da dívida, isoladamente, não determina o risco fiscal. Uma dívida maior pode ser mais administrável quando o governo paga juros menores para financiá-la. No Brasil, a combinação de endividamento elevado com juros altos aumenta o custo de carregamento e faz com que uma parcela maior dos recursos públicos seja destinada ao pagamento de juros.

    “Poucas economias combinam simultaneamente dívida elevada, juros reais muito altos e uma das maiores despesas com juros como proporção do PIB” , afirma.

    Na avaliação do economista, é justamente o custo de carregamento da dívida que diferencia o Brasil de outros emergentes e amplia os riscos fiscais.

    Para Troyjo, uma mudança na trajetória da dívida depende também de uma sinalização política de compromisso com o controle das despesas e a reforma do Estado.

    “A economia é o que ela é, mais o que as pessoas acham que ela será” , afirma.

    Na avaliação dele, um compromisso de longo prazo com o ajuste poderia dar mais tempo para uma correção gradual das contas públicas, sem a necessidade de uma “terapia de choque” .

    Sem essa sinalização, investidores podem exigir correções mais rápidas e cobrar um prêmio maior para financiar a dívida brasileira, o que aumenta a pressão sobre os juros e a atividade econômica.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/brasil-tem-pior-trajetoria-da-divida-entre-emergentes-diz-troyjo/.

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    Para o ex-presidente do Banco dos Brics, uma mudança na trajetória da dívida depende também de uma sinalização política de compromisso com o controle das despesas e a reforma do Estado — Foto: Poder360

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