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    Brasil tem amigos nos EUA, que não podem tirar os olhos da América Latina, dizem analistas

    Na medida em que o governo Donald Trump intensifica uma ofensiva contra o Brasil sem precedentes na história recente, um grupo de lideranças do Partido Democrata, de oposição ao presidente, tem se mobilizado para criticar políticas que, segundo elas, afastam os Estados Unidos de parceiros tradicionais e semeiam desconfiança em relação a processos eleitorais. Leia mais (08/10/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    11 de agosto de 2026 às 02:00
    Brasil tem amigos nos EUA, que não podem tirar os olhos da América Latina, dizem analistas
    Dois homens de terno escuro, um com gravata vermelha e outro com gravata azul, estão lado a lado em ambiente formal. Ao fundo, duas bandeiras dos Estados Unidos e um estandarte presidencial. Pessoas desfocadas aparecem em primeiro plano. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Na medida em que o governo Donald Trump intensifica uma ofensiva contra o Brasil sem precedentes na história recente, um grupo de lideranças do Partido Democrata, de oposição ao presidente, tem se mobilizado para criticar políticas que, segundo elas, afastam os Estados Unidos de parceiros tradicionais e semeiam desconfiança em relação a processos eleitorais.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante evento em Washington - Kent Nishimura - 7.ago.26/AFP · Kent Nishimura - 7.ago.26/AFP
    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante evento em Washington - Kent Nishimura - 7.ago.26/AFP · Kent Nishimura - 7.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Quando o jornal The Washington Post revelou que o Departamento de Estado americano havia tentado enviar ao Brasil emissários para lançar dúvidas sobre a integridade do pleito brasileiro , a ala democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado publicou uma mensagem no X na qual afirmou que a gestão Trump busca "espalhar teorias da conspiração" e que isso não torna os EUA um lugar mais seguro.

    No caso mais recente, a senadora Jeanne Shaheen declarou que, ao revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti , Trump "jogou fora a diplomacia em detrimento dos povos brasileiro e americano".

    Para dois especialistas em política externa dos EUA que ocuparam cargos de assessoramento nos governos Barack Obama e Joe Biden , essas manifestações visam mostrar que "o Brasil ainda tem muitos amigos em Washington".

    O ex-diretor para assuntos de Brasil e Cone Sul no Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Nick Zimmerman. - WestExec Advisors LLC · WestExec Advisors LLC
    O ex-diretor para assuntos de Brasil e Cone Sul no Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Nick Zimmerman. - WestExec Advisors LLC · WestExec Advisors LLC — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nick Zimmerman foi diretor para assuntos de Brasil e Cone Sul no Conselho de Segurança Nacional entre 2014 e 2016, no final do governo Obama. Já Frank Mora foi embaixador dos EUA na OEA (Organização dos Estados Americanos), nomeado por Biden.

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    Ambos conversaram com a Folha para discutir a política externa de Trump para a América Latina em geral e para o Brasil em particular.

    O ex-embaixador dos EUA na OEA (Organização dos Estados Americanos), Frank Mora. - Divulgaçao FIU LACC-07.Ago.26 · Divulgaçao FIU LACC-07.Ago.26
    O ex-embaixador dos EUA na OEA (Organização dos Estados Americanos), Frank Mora. - Divulgaçao FIU LACC-07.Ago.26 · Divulgaçao FIU LACC-07.Ago.26 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O que vimos na Comissão de Relações Exteriores do Senado, por parte da senadora Shaheen, é uma condenação das ações de Trump contra o Brasil. É um reconhecimento explícito de que esse comportamento só serve para afastar os EUA de parceiros e amigos históricos. Os democratas veem o Brasil como um parceiro e amigo histórico", afirma Zimmerman.

    "Existe uma preocupação com o que Trump está fazendo em relação às eleições em outros países, porque ele está tentando fazer a mesma coisa nos EUA . Os democratas e os americanos estão enfrentando o mesmo ataque às nossas instituições eleitorais."

    No âmbito mais amplo, Mora define a política americana para a região como "imprevisível e incoerente". "Trump vê isso sempre num nível muito pessoal: as pessoas estão com ou contra ele. Se as pessoas o elogiam, fazem declarações sobre como Trump é maravilhoso, é provável que recebam algum tratamento preferencial, inclusive apoio em uma eleição", afirma Mora.

    Preparativos para os 250 anos da independência dos Estados Unidos
    Preparativos para os 250 anos da independência dos Estados Unidos — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Essa abordagem caso a caso se reflete na forma como os EUA abordam a América Latina, onde a gestão Trump privilegia ações bilaterais e medidas de coerção em detrimento de organizações multilaterais —como a própria OEA, onde Mora liderou a missão americana.

    Se sobram críticas à condução da política externa por Trump, os especialistas dizem que é importante reconhecer que ele colocou foco inédito sobre a América Latina, num nível superior à ênfase dada pelas últimas administrações do Partido Democrata.

    Para Zimmerman, reconhecer a importância das Américas para os EUA é "uma das poucas coisas positivas" da gestão Trump, embora existam divergências profundas sobre como essa política é conduzida.

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    Frank Mora, por sua vez, diz que o próximo presidente americano não poderá simplesmente "desviar os olhos do Hemisfério Ocidental" —forma como a administração dos EUA se refere às Américas.

    "Cabe a nós convencer o próximo governo democrata —ou mesmo um governo republicano que não seja alinhado a Trump— de que a região precisa continuar sendo uma prioridade. De uma forma diferente, completamente diferente , mas precisa continuar sendo uma prioridade, porque disso dependem os interesses nacionais dos EUA."

    A atual estratégia de coerção mostra-se ineficiente e ameaça ter efeitos opostos aos desejados pela administração Trump, segundo Zimmerman e Mora, tanto no Brasil quanto no continente.

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    Mora cita a situação de Cuba , submetida há meses a um bloqueio no fornecimento de combustível por ordem do governo Trump. "Não existe um caso empírico histórico que diga que a adoção dessas medidas punitivas econômicas resulte em uma mudança de regime".

    Quando questionado sobre o que seria uma política americana eficiente para a América Latina, Zimmerman diz que o pensamento americano sobre política externa precisa evoluir e adaptar-se às mudanças globais. "Parte do nosso pensamento em política externa não acompanhou essas mudanças. No contexto das Américas, isso está mais evidente do que nunca", diz.

    "[A relação dos EUA com o continente] Precisa partir de uma relação de parceria e respeito. Precisa vir acompanhado do reconhecimento de que a prosperidade futura dos EUA, inclusive sua posição geopolítica, depende em grande medida de manter uma relação pragmática e mutuamente produtiva com as Américas".

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    Já Mora diz que a gestão Trump olha para a América Latina exclusivamente sob um prisma de ameaças.

    "Deveríamos adotar uma abordagem baseada em oportunidades, algo que já tentamos fazer no passado. Há enormes oportunidades na região, e podemos trabalhar com os países e nossos parceiros para encontrar maneiras de enfrentar não apenas os problemas. Em vez de recorrer a medidas coercitivas, há muito mais a ganhar por meio da cooperação", afirma.

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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/brasil-tem-amigos-nos-eua-que-nao-podem-tirar-os-olhos-da-america-latina-dizem-analistas.shtml.

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    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante evento em Washington - Kent Nishimura - 7.ago.26/AFP · Kent Nishimura - 7.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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