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    Brasil tem 1.070 pequenas hidrelétricas em estudo e potencial de 13,4 GW

    Mais da metade das áreas com potencial já tem projeto considerado adequado pela Aneel

    Poder360
    21 de setembro de 2026 às 09:30
    Brasil tem 1.070 pequenas hidrelétricas em estudo e potencial de 13,4 GW
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    Mais da metade das áreas com potencial já tem projeto considerado adequado pela Aneel

    O Brasil tem 1.070 projetos de hidrelétricas de pequeno porte em etapas anteriores à outorga. Juntos, os empreendimentos têm potencial para adicionar cerca de 13,4 GW ao sistema elétrico, segundo levantamento do Poder360 com dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A potência projetada corresponde a aproximadamente 96% dos 14 GW de capacidade instalada de Itaipu , a maior hidrelétrica do Brasil.

    Foram levados em conta projetos de CGHs (Centrais Geradoras Hidrelétricas), cuja potência é de até 5 MW, e PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), que têm mais de 5 MW, mas menos 30 MW e, em regra, reservatórios de até 13 km².

    A presença das pequenas hidrelétricas em operação acompanha principalmente regiões com maior disponibilidade de rios
    A presença das pequenas hidrelétricas em operação acompanha principalmente regiões com maior disponibilidade de rios — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Dos projetos identificados, 401 estão na etapa de “ eixo disponível ”. São potenciais mapeados e abertos à manifestação de interessados. Estudos que identificam a viabilidade de áreas podem ser realizados por empreendedores, a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e até a própria Aneel.

    Uma vez mapeadas, as áreas ficam sujeitas a serem solicitadas por empreendedores e entram na próxima fase. O DRI-PCH (Despacho de Registro de Intenção à Outorga de Autorização), que permite ao empreendedor elaborar o projeto básico –patamar em que estão 68 projetos. Essa etapa só é exigida para PCHs. No caso de CGHs, o potencial hidrelétrico pode ser aproveitado apenas com o aval dos órgãos ambientais. Os empreendimentos são informados para a Aneel para fins estatísticos.

    Na fase mais avançada do processo estão 601 pequenas hidrelétricas –56% do total. São projetos que já obtiveram o DRS-PCH (Despacho de Registro da Adequabilidade do Sumário Executivo), pelo qual a Aneel reconhece que está de acordo com o melhor aproveitamento energético daquela região.

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    O DRS, porém, ainda não é a outorga nem a autorização para o início das obras. A partir dessa etapa, o empreendedor precisa obter o licenciamento ambiental e a declaração de disponibilidade hídrica. Depois da entrega dos documentos à agência, a PCH pode receber uma autorização com vigência de 35 anos.

    Segundo o vice-presidente da Abrapch (entidade que representa empresas do setor de pequenas hidrelétricas), Daniel Faller, o número de projetos que já receberam o DRS é expressivo. “ Esses empreendimentos somam cerca de 8 GW, potência próxima ou superior ao parque de PCHs e CGHs atualmente em operação ”, afirmou ao Poder360 .

    Para ele, a quantidade de projetos nessa etapa evidencia as “ dificuldades ” para obter licenças e outras autorizações necessárias, que julga serem morosas.

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    O tempo necessário para concluir o licenciamento varia. “ Há empreendimentos que conseguem licenças em 4 ou 5 anos e outros que permanecem mais de uma década em análise ”, relata. Faller estima que o ciclo de desenvolvimento de uma PCH leve, em média, de 8 a 10 anos no Brasil.

    “ Os estudos são muito complexos e muitas vezes desproporcionais com o porte dos aproveitamentos ”, disse. Segundo ele, pedidos de complementação e a necessidade de manifestação de diferentes órgãos podem prolongar os processos.

    “ Esses processos de interação entre órgãos, eles são muito lentos e desintegrados. Não existe um balcão único de licenciamento ”, declarou.

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    A presença das pequenas hidrelétricas em operação acompanha principalmente regiões com maior disponibilidade de rios, desníveis naturais e infraestrutura de conexão. Mato Grosso lidera em potência fiscalizada, com 1.208 MW, ou 17,3% do total. Santa Catarina tem o maior número de empreendimentos: 255.

    Atualmente, 433 PCHs e 711 CGHs estão em operação no país. Juntas, somam quase 7 GW de potência fiscalizada, o equivalente a 3,2% dos 220,5 GW de geração centralizada acompanhados pelo Siga (Sistema de Informações de Geração da Aneel).

    Mesmo com participação limitada na capacidade nacional, PCHs e CGHs ajudam a diversificar a localização da geração. O principal argumento utilizado por empreendedores em favor de pequenas hidrelétricas é que a abundância de rios no Brasil permite que esses empreendimentos sejam instalados próximos a centros de consumo.

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    “ Eles vão abastecer um município, ou metade de um município, ou 3 municípios pequenos ”, afirma Faller.

    Outra característica ressaltada pelo setor é a “ flexibilidade” . No jargão de quem atua na área, o termo corresponde à capacidade de se oferecer energia a qualquer momento, sobretudo quando há alta demanda e baixa geração eólica e solar, cuja geração é intermitente: varia conforme a intensidade do sol e do vento.

    As grandes hidrelétricas continuam sendo a principal fonte de capacidade do parque gerador brasileiro, mas novos projetos desse porte perderam espaço na expansão. Essas usinas exigem investimentos elevados, longos períodos de construção, grandes obras de transmissão e demanda suficiente para absorver a energia produzida. Também podem provocar impactos ambientais e sociais mais extensos, especialmente quando dependem da formação de grandes reservatórios.

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    Faller afirma que a fronteira ainda disponível para grandes hidrelétricas está concentrada principalmente na Amazônia. Segundo ele, restam poucos potenciais de grande porte no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul, e vários deles enfrentam restrições socioambientais que dificultam sua implantação.

    “ Então, as PCHs passaram a ser uma alternativa para continuidade da expansão da fonte hidrelétrica no Brasil ”, afirma. As pequenas hidrelétricas exigem investimentos absolutos menores e costumam ocupar áreas mais reduzidas. Isso não significa ausência de impactos: a instalação de várias usinas numa mesma bacia pode produzir efeitos ambientais cumulativos.

    Ao longo das últimas décadas, PCHs estiveram entre as chamadas fontes incentivadas e receberam mecanismos específicos de estímulo. A legislação já determinou descontos nas tarifas de transmissão e distribuição e contratação direcionada de pequenas hidrelétricas.

    Desde 2002, a fonte é contemplada pelo Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica), uma das políticas mais antigas de incentivo simultâneo a diferentes fontes renováveis. Foi criado para contratar energia de PCHs, eólicas e térmicas a biomassa e ampliar a participação dessas fontes no SIN (Sistema Interligado Nacional).

    A ENBPar (Empresa Brasileira de Energia Nuclear e Binacional) administra os contratos e elabora o plano anual do programa, enquanto a Aneel homologa os custos e fixa as quotas cobradas dos agentes cotistas.

    Para 2026, o Proinfa projeta custo de R$ 5,24 bilhões para 10,93 milhões de MWh contratados. O custo médio das PCHs é de R$ 434,64 por MWh, 9,3% abaixo da média do programa e 31,3% inferior ao das eólicas. Nas PCHs sujeitas ao MRE (Mecanismo de Realocação de Energia), que compartilha entre hidrelétricas o risco de variações na geração, o valor sobe para R$ 468,69 por MWh.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-energia/brasil-tem-1-070-pequenas-hidreletricas-em-estudo-e-potencial-de-134-gw/.

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