Brasil precisa de uma reforma institucional, diz Walter Schalka
Membro de conselhos de empresas defende credibilidade das instituições e aponta três reformas prioritárias para o país; executivo foi um dos signatários do manifesto pela retomada da credibilidade do STF

O Brasil precisa de forma "urgente" de uma reforma institucional, e a fragilização das instituições gera perda de credibilidade e, sem credibilidade, não há investimentos.
É o que diz Walter Schalka, membro de conselhos de diversas empresas, em entrevista ao CNN Money .
Schalka foi um dos signatários do manifesto pela retomada da credibilidade do STF (Supremo Tribunal Federal), documento que ganhou repercussão diante das suspeitas de corrupção atribuídas a ministros da corte e da insegurança jurídica gerada pelo caso.

"A fragilização das instituições no Brasil gera uma perda de credibilidade e sem credibilidade você não tem investimento, que é a mola mestra dos negócios para o futuro", afirmou.
Sobre os desafios macroeconômicos do país, Schalka destacou que o Brasil gasta atualmente R$ 1,2 trilhão por ano com juros . Segundo ele, equilibrar as contas públicas seria o caminho para reduzir esse peso.
"Abaixando dois pontos percentuais da taxa de juros, nós vamos estar economizando R$ 200 bilhões, que é recurso suficiente para a gente investir em crescimento, para investir em educação, para investir em saúde", disse.

Ele também defendeu uma reforma administrativa com uso de inteligência artificial para aumentar a eficiência do Estado, que classificou como "caro e ineficiente".
Quando questionado sobre as prioridades para o próximo governo, Schalka elencou três reformas fundamentais.
A primeira é a reforma institucional, para resgatar a credibilidade das instituições brasileiras. A segunda é a reforma administrativa, voltada para a geração de maior eficiência no setor público. A terceira é a reforma de segurança, diante do avanço das facções criminosas.

"A combinação dessas três reformas vai gerar oportunidades para a gente não ter que mexer nas condições sociais", afirmou.
Schalka também criticou o modelo atual de gastos do Estado e os subsídios concedidos ao setor produtivo, que segundo ele somam mais de 600 bilhões de reais por ano.
"O país virou um país corporativista e patrimonialista. Nós precisamos desconstruir esse processo", declarou. Ele ressaltou, no entanto, que não tocaria nos programas de apoio social à população de baixa renda, defendendo que o problema não está nesses programas, mas na forma como o Estado gasta seus recursos.

Ao refletir sobre os avanços e retrocessos do Brasil ao longo das últimas décadas, Schalka foi enfático ao afirmar que o país perdeu relevância no mundo empresarial. Para ele, o Brasil regrediu em educação, competitividade global e na atração de novos investimentos.
Citou WEG e Embraer como exemplos de empresas brasileiras competitivas globalmente, mas lamentou que sejam exceções. "O Brasil precisa de mais empresas, o Brasil precisa de mais investimentos, o Brasil precisa de gente mais preparada para a economia do futuro", disse.
O executivo ainda defendeu o engajamento da sociedade civil nos debates sobre os problemas nacionais. Ele afirmou que fala sempre como pessoa física, sem representar nenhuma empresa, e convocou a população a se manifestar.

"Não adianta colocar os problemas para debaixo do tapete e esperar que alguém resolva", concluiu.

Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/brasil-precisa-de-uma-reforma-institucional-diz-walter-schalka/.

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