Brasil pode ter bomba nuclear? Veja o que a lei diz sobre proposta de Renan
Renan Santos defende armas atômicas como forma de garantir a soberania, porém a Constituição restringe atividade nuclear a fins pacíficos

O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos , voltou a defender, nesta quarta-feira (26/8), que o Brasil desenvolva armas nucleares como instrumento de soberania e defesa nacional.
Durante sabatina na TV Globo, o presidenciável afirmou que o país precisará discutir a produção de bombas atômicas caso queira se tornar uma das cinco maiores potências mundiais.
“Eu vejo o Brasil como uma das cinco maiores nações do mundo nos próximos 30 anos. E uma nação que será uma das mais importantes do mundo nos próximos 30 anos precisa ter armas nucleares ”, declarou. Em outro momento, Renan afirmou que a posse de armas atômicas seria uma forma de proteger a soberania brasileira. “Ter armas nucleares dá uma forma de defender a sua própria soberania”, disse. Confira:

➡️ Renan Santos defende armas nucleares e diz que Brasil não pode ser “o eterno Zé Carioca” do mundo
— Metrópoles (@Metropoles) August 26, 2026
A defesa, porém, não é compatível com as regras atualmente em vigor no Brasil. A Constituição Federal determina que toda atividade nuclear em território nacional deve ter finalidade pacífica.

Para que uma mudança desse tipo fosse possível, seria necessário alterar o texto constitucional, além de enfrentar os compromissos internacionais assumidos pelo país.
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Além da Constituição, o Brasil assumiu compromissos internacionais que impedem a produção e a posse de armas nucleares.

O país é signatário do Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) desde 1998. O Ministério da Defesa afirma que o acordo integra o conjunto de tratados internacionais aos quais o Brasil aderiu na área de desarmamento e não proliferação.
O Brasil também integra o Tratado de Tlatelolco, que estabeleceu a América Latina e o Caribe como uma zona livre de armas nucleares.
O acordo proíbe os países da região de testar, usar, fabricar, produzir ou adquirir armas nucleares, além de impedir seu armazenamento e posse.

Na sabatina no JN, Renan foi questionado sobre a necessidade de o Brasil romper compromissos internacionais para desenvolver armas nucleares. O candidato não defendeu uma saída imediata do TNP, mas afirmou que a discussão deveria ocorrer no futuro.
Em seguida, citou a Coreia do Norte como exemplo de país que, segundo a avaliação dele, passou a ser mais respeitado internacionalmente depois de desenvolver armas nucleares.
“Se nós quisermos ser uma nação séria e respeitada, nos próximos 30 anos nós precisamos ter armas nucleares”, afirmou.

O paulista ainda relacionou a proposta à necessidade de proteger recursos estratégicos brasileiros, como as terras raras, e de aumentar o poder de negociação do país diante de potências como os Estados Unidos e a China.


Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/brasil-pode-ter-bomba-nuclear-veja-lei-proposta-renan.

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto — Foto: Metrópoles
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