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    Brasil gastou R$ 1,16 trilhão com juros da dívida pública, diz estudo

    Valor foi registrado nos 12 meses encerrados em junho de 2026, conforme dados do Banco Central citados em estudo sobre finanças

    CNN Brasil
    25 de agosto de 2026 às 17:21
    Brasil gastou R$ 1,16 trilhão com juros da dívida pública, diz estudo
    Foto: CNN Brasil

    Um estudo encomendado pelo Sistema CNA/Senar aponta a necessidade de mudanças nas regras fiscais brasileiras para garantir a sustentabilidade da dívida pública, ampliar a previsibilidade das contas do governo e criar condições para o aumento dos investimentos e do crescimento econômico. O documento destaca que o pagamento de juros é apenas uma parte do problema. Nos últimos 12 meses, o Brasil gastou R$ 1,16 trilhão com juros da dívida pública, segundo dados do BC (Banco Central) citados no estudo.

    Segundo o estudo, apresentado nesta terça-feira (25), em São Paulo, o atual modelo de planejamento e execução do Orçamento engessa as políticas públicas e faz com que o aumento da arrecadação seja absorvido pelo crescimento automático das despesas. O diagnóstico também aponta problemas como a rigidez orçamentária, a baixa qualidade dos gastos e a falta de credibilidade fiscal.

    A avaliação é de que as regras fiscais atuais não são suficientes para garantir a estabilização da dívida . O estudo mostra ainda que o cumprimento da meta fiscal, por si só, não significa necessariamente que a trajetória da dívida pública esteja sob controle.

    Edifício-sede do Ministério da Fazenda em Brasília • , Brasil, em 14 de fevereiro de 2023. REUTERS/Adriano Machado · • , Brasil, em 14 de fevereiro de 2023. REUTERS/Adriano Machado
    Edifício-sede do Ministério da Fazenda em Brasília • , Brasil, em 14 de fevereiro de 2023. REUTERS/Adriano Machado · • , Brasil, em 14 de fevereiro de 2023. REUTERS/Adriano Machado — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Outro ponto destacado é o peso das despesas obrigatórias no Orçamento. Em 2025, as despesas pagas somaram R$ 2,3 trilhões, sem considerar encargos especiais. Mais de 60% desse valor foi destinado às funções de Previdência Social e Assistência Social.

    O estudo também chama atenção para as despesas que ficaram fora da meta fiscal. Entre 2023 e 2026, foram registrados valores excluídos do cálculo, incluindo precatórios, medidas de apoio ao Rio Grande do Sul, recursos para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), defesa nacional e outras despesas. Para 2026, a programação apresentada soma R$ 76,1 bilhões.

    De acordo com o levantamento, o modelo atual também não produz previsibilidade e credibilidade suficientes. O TCU (Tribunal de Contas da União) identificou R$ 22,6 bilhões em despesas que não entraram nem nas exclusões da meta fiscal, segundo acórdão citado pelo estudo.

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    Análise: Tesouro Nacional vê meta fiscal do país inalcançável até 2030 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para enfrentar os problemas, o estudo defende uma regra fiscal mais simples e com foco direto na sustentabilidade da dívida. Entre as propostas estão a adoção de regras de despesa mais simples, a redução das exceções é uma recondução mais efetiva em caso de descumprimento das regras.

    O documento também propõe eliminar bandas e simplificar o cálculo do limite de despesas, reduzir as hipóteses de exclusão e ampliar a comparabilidade das estatísticas fiscais. Outra recomendação é corrigir desvios de forma mais tempestiva, fazendo com que a dívida volte a orientar a política fiscal de médio prazo.

    Além do controle das contas, o estudo critica a qualidade do gasto público. A análise afirma que o problema não está apenas no volume de recursos empregados, mas também nos resultados obtidos pelas políticas públicas. “Gasto sem resultado é desperdício de futuro”, resume o documento.

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    Gastos da União batem R$ 2,6 tri em 12 meses e encostam no pico da pandemia — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Na área social, o levantamento aponta crescimento real de 271% nos gastos com as principais políticas sociais entre 2010 e 2025. A proposta apresentada é criar um Sistema Nacional Integrado de Proteção Social, com cadastro, gestão, avaliação e governança integrados, buscando maior eficiência e racionalidade na aplicação dos recursos e, ao mesmo tempo, mecanismos de reinserção produtiva.

    A avaliação apresentada pela CNA é que uma estrutura fiscal mais previsível e sustentável pode fortalecer a confiança na economia, melhorar as condições para investimentos e contribuir para um crescimento econômico sustentado no longo prazo.

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    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/brasil-gastou-r-116-trilhao-com-juros-da-divida-publica-diz-estudo/.

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