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    Brasil esgota cota de carne bovina e China passa a cobrar sobretaxa de 55%

    O Brasil atingiu a cota de carne bovina estabelecida pela China em salvaguarda divulgada no final do ano passado, e os carregamentos da commodity brasileira que desembarcarem nos portos chineses terão sobretaxa de 55% pelo resto do ano.

    UOL
    30 de setembro de 2026 às 06:00
    Brasil esgota cota de carne bovina e China passa a cobrar sobretaxa de 55%
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    O Brasil atingiu a cota de carne bovina estabelecida pela China em salvaguarda divulgada no final do ano passado , e os carregamentos da commodity brasileira que desembarcarem nos portos chineses terão sobretaxa de 55% pelo resto do ano.

    Funcionário em planta da JBS no município de Santana de Parnaíba, em São Paulo - Paulo Whitaker/Reuters · Paulo Whitaker/Reuters
    Funcionário em planta da JBS no município de Santana de Parnaíba, em São Paulo - Paulo Whitaker/Reuters · Paulo Whitaker/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A medida passa a valer no dia 1º de outubro após os carregamentos brasileiros atingirem o estipulado nesta terça-feira (29), segundo o Ministério do Comércio chinês. Além da sobretaxa, é cobrado ainda uma de tarifa de importação correspondente a 12%.

    Agora, o governo brasileiro atua para conseguir usar cotas que restaram de outros países, um pedido que já foi negado por Pequim no passado, conforme revelou a Folha . Na segunda-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que o Uruguai concordou que o Brasil utilizasse o seu remanescente

    "Agradeci a autorização concedida ao Brasil para uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China", disse Lula, em uma publicação no X. A chancelaria do país vizinho, por sua vez, explicou que aceitou apresentar a Pequim o pedido para o uso do remanescente, e que a decisão cabe completamente às autoridades chinesas, que ainda não se pronunciaram.

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    Tanto o governo brasileiro como o setor já esperavam que a cota fosse alcançada antes do fim do ano, uma vez que o teto anual do produto brasileiro estabelecido por Pequim corresponde a apenas 65% da quantidade exportada ao país em 2025.

    O regime chinês determinou que a taxação passaria a valer quando o Brasil atingisse 1,1 milhão de toneladas em 2026. Para se ter uma ideia, a China respondeu por 48% do volume total exportado pelo Brasil em 2025, com 1,68 milhão de toneladas e US$ 8,9 bilhões.

    Para reduzir os prejuízos, frigoríficos colocaram um freio na produção , determinando férias coletivas para funcionários e paralisações temporárias em plantas, por exemplo.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Após o estabelecimento da cota, o governo brasileiro entrou em rodadas de negociações com as autoridades chinesas buscando alternativas para mitigar os efeitos sobre o setor, mas não as tratativas não tiveram efeito.

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    A salvaguarda foi aplicada com o objetivo de diminuir danos às indústrias nacionais que estariam sendo afetadas pelo aumento da entrada de carne importada no mercado chinês. A medida, que afeta diversos países, poupa apenas nações em desenvolvimento com uma fatia de até 3% do total importado pela China, e desde que a soma do grupo não ultrapasse 9%.

    A determinação também faz parte de um movimento mais amplo do regime chinês de diminuir sua dependência de poucos fornecedores. Hoje, o Brasil é a principal origem de itens indispensáveis ao país, como a carne bovina e a soja.

    A China tem salientado com frequência que a diversificação de fornecedores é parte de sua estratégia para garantir a segurança alimentar, o que tem acendido o alerta no governo brasileiro e no setor agropecuário.

    Agora, a corrida do governo e do setor pecuário brasileiro é para que compradores alternativos supram, ao menos em parte, o vácuo deixado pelos chineses, uma vez que a salvaguarda vale até 2028. O nome que aparece primeiro é o dos Estados Unidos , onde a queda do rebanho e a demanda firme obrigam o país a buscar carne fora para se abastecer. Outras possibilidades, como a Coreia do Sul, também são negociadas.

    Um exemplo do esforço foi a habilitação de 21 frigoríficos de carne bovina para exportar à Indonésia , uma tratativa que foi anunciada pelo Ministério da Agricultura na quinta-feira (10). Agora são 73 plantas brasileiras habilitadas a atender ao mercado indonésio.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/brasil-esgota-cota-de-carne-bovina-e-china-passa-a-cobrar-sobretaxa-de-55.shtml.

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