Brasil encosta nos Estados Unidos em exportações do setor de agronegócio
Ao contrário do que ocorre no Brasil, as exportações agropecuárias dos Estados Unidos têm crescimento lento nos anos recentes. No ano passado, as vendas externas dos americanos atingiram US$ 171 bilhões, 14% acima do valor de há cinco anos. No mesmo período, o Brasil elevou suas exportações para US$ 169 bilhões, 68% a mais. Leia mais (08/24/2026 - 20h15)

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP
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Ao contrário do que ocorre no Brasil, as exportações agropecuárias dos Estados Unidos têm crescimento lento nos anos recentes. No ano passado, as vendas externas dos americanos atingiram US$ 171 bilhões, 14% acima do valor de há cinco anos. No mesmo período, o Brasil elevou suas exportações para US$ 169 bilhões, 68% a mais.
Os brasileiros estão prestes a superar os americanos no comércio mundial nesse setor. Com a área de produção praticamente definida, os EUA não têm muito espaço para crescer. No que se refere à pecuária, estão com o menor rebanho em 70 anos e sem condições de elevar as exportações do setor.
Além disso, a política de afrontamento de Donald Trump com os parceiros comerciais tem reduzido as exportações, principalmente para grandes mercados, como o da China e, agora, o do Canadá, tradicional parceiro dos EUA.

No início deste século, os americanos tinham receitas de exportações do agronegócio de US$ 56 bilhões, 167% a mais do que as do Brasil. Neste ano, os dois países devem ficar com valores próximos a US$ 170 bilhões. O Brasil, apesar dos preços menos aquecidos no mercado externo, vem tendo exportações em ritmo recorde.
De janeiro a julho, são US$ 103 bilhões, uma média de US$ 14,7 bilhões. A média mensal dos EUA foi de US$ 15 bilhões.
Os americanos perdem espaço em mercados importantes, como o da Ásia. De 2022 a 2025, exportaram 25% a menos para a Ásia. Já o Brasil teve aumento de 9%. A perda no continente asiático ocorre, principalmente, devido à política de enfrentamento de Trump com a China, o que ocorre desde o seu primeiro mandato.

As exportações americanas de 2025 para os chineses, comparadas às de há cinco anos, recuaram 49%, enquanto as do Brasil subiram 8% no período. Os EUA continuam ocupando espaço no mercado internacional de milho, mas perdem no da soja. A oleaginosa, que liderava o volume de receitas obtidas na balança do agronegócio, cedeu o lugar para o cereal.
O Brasil passou a ocupar lugar dos americanos também nas carnes. O aumento da renda familiar nos países em desenvolvimento da região asiática e a maior facilidade no fluxo comercial permitiram um avanço da proteína animal brasileira naquele mercado.
Os EUA perdem mercado também nos países desenvolvidos da região, como o Japão. Os americanos chegaram a ganhar um impulso no comércio externo com o acordo USMCA, em 2020, bloco que reúne os países da América do Norte (Estados Unidos, México e Canadá).
A evolução do comércio do primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, no entanto, teve evolução de apenas 2%, devido à política externa de Trump. Já a pressão do presidente dos EUA sobre os europeus parece ter dado resultado neste ano. As negociações com a União Europeia renderam 12% a mais no primeiro semestre, após um período de estabilidade nos anos anteriores.
O Brasil ganha mercado em praticamente todas as regiões, inclusive na América do Norte. Nos últimos cinco anos, o crescimento da relação comercial com os países daquela região foi de 11%, puxado, principalmente, pela demanda de carne bovina pelos EUA. Líderes em produção mundial nessa proteína até pouco tempo, os americanos perderam a capacidade de exportação e se tornaram grandes importadores.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2026/08/brasil-encosta-nos-estados-unidos-em-exportacoes-do-setor-de-agronegocio.shtml.

Vista aérea de colheitadeiras em plantação de soja em Cruz Alta (RS) - Silvio Ávila - 2.abr.26/AFP · Silvio Ávila - 2.abr.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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