Tecnologia

    Brasil e Turquia se unem para ampliar negócios e tecnologia nuclear

    Memorando entre ABDAN e associação turca busca integrar cadeias de suprimentos, estimular negócios e abrir espaço para investimentos e transferência de tecnologia no setor nuclear O post Brasil e Turquia se unem para ampliar negócios e tecnologia nuclear apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    12 de setembro de 2026 às 01:22
    Brasil e Turquia se unem para ampliar negócios e tecnologia nuclear
    Foto: Olhar Digital

    A Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) e a Nuclear Industry Association of Türkiye (NIATR) formalizaram um Memorando de Entendimento (MoU) voltado ao desenvolvimento, à implantação e ao uso civil da energia nuclear .

    Com validade de três anos, o acordo pretende aproximar as cadeias de suprimentos dos dois países, estimular o comércio bilateral e criar oportunidades para investimentos conjuntos. A parceria também prevê a realização de eventos do setor e a possibilidade de futuras joint ventures industriais e voltadas à medicina nuclear.

    A governança do acordo será feita por meio de um grupo de coordenação (steering group) e de planos de ação destinados a transformar as iniciativas de intercâmbio de conhecimento e comunicação institucional em resultados práticos para empresas dos dois países.

    Ilustração de reator nuclear emitindo raio azul de energia que se dissipa no ar – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital
    Ilustração de reator nuclear emitindo raio azul de energia que se dissipa no ar – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    “A parceria com a Turquia conecta nossos mercados e abre canais diretos para novos negócios, fortalecimento da cadeia produtiva e troca de inovação. Integrar o Brasil a esse ecossistema internacional é necessário para transformar potencial tecnológico em oportunidades concretas para a nossa indústria”, declarou o presidente da ABDAN, Celso Cunha.

    O planejamento brasileiro também prevê uma expansão da capacidade nuclear. No PNE 2055, a previsão de adição da fonte foi elevada para 14 GW , ante os 8 GW a 10 GW considerados no PNE 2050. A ABDAN vem defendendo que a expansão seja acompanhada pelo fortalecimento da indústria e da cadeia de fornecedores nacionais.

    A Turquia, por sua vez, também estabeleceu metas ambiciosas para ampliar sua geração nuclear. O país pretende chegar a 20 GW de capacidade nuclear até 2050 , com novos projetos além da usina de Akkuyu, atualmente em construção. O governo turco planeja ainda desenvolver capacidade de 5 GW em pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês) .

    Ilustração de reator nuclear emitindo raio azul de energia que se dissipa no ar
    Ilustração de reator nuclear emitindo raio azul de energia que se dissipa no ar — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A usina de Akkuyu , na província de Mersin, é o primeiro grande projeto nuclear da Turquia. O complexo terá quatro reatores do tipo VVER-1200, com capacidade total de aproximadamente 4,4 GW. A previsão do governo turco é produzir a primeira eletricidade da unidade 1 ainda em 2026.

    O país também planeja novos empreendimentos em Sinope e na região da Trácia , além de estudar tecnologias de SMRs. A estratégia inclui aumentar a participação da indústria nacional e promover transferência de tecnologia e formação de mão de obra especializada.

    Esse cenário ajuda a explicar o interesse em ampliar a cooperação com parceiros estrangeiros. Para a Turquia, a expansão do setor nuclear envolve não apenas geração de eletricidade, mas também o desenvolvimento de fornecedores, tecnologias e competências industriais.

    Rodrigo Mozelli
    Rodrigo Mozelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    No caso brasileiro, a expansão da energia nuclear também cria oportunidades para empresas que atuam na cadeia de combustível, engenharia, equipamentos, serviços e tecnologia.

    A Indústrias Nucleares do Brasil (INB), por exemplo, vem discutindo a ampliação de parcerias internacionais diante das perspectivas de crescimento do setor. Em maio, a estatal afirmou que o cumprimento das metas previstas para a expansão nuclear brasileira exigirá aumento significativo da produção nacional de urânio e ampliação do ciclo do combustível no país.

    A cooperação entre ABDAN e NIATR pode, portanto, funcionar como uma ponte entre duas indústrias que estão buscando ampliar suas capacidades e participação em um mercado nuclear internacional em expansão.

    Ilustração de reator nuclear emitindo raio azul de energia que se dissipa no ar – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital
    Ilustração de reator nuclear emitindo raio azul de energia que se dissipa no ar – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A assinatura do memorando faz parte de uma série de missões internacionais lideradas pela ABDAN neste mês em fóruns na Europa. A comitiva reúne autoridades, especialistas e representantes de empresas e operadoras para discutir temas como pequenos reatores modulares, segurança energética, mineração e o papel da tecnologia nuclear na descarbonização .

    A parceria com a NIATR também ocorre em meio a uma articulação internacional mais ampla do setor nuclear. Em março, ABDAN e NIATR estiveram entre as entidades que participaram da mobilização da indústria nuclear global em torno da ampliação da capacidade nuclear mundial até 2050.

    Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/11/pro/brasil-e-turquia-se-unem-para-ampliar-negocios-e-tecnologia-nuclear/.

    Imagem 1
    1 / 4

    Ilustração de reator nuclear emitindo raio azul de energia que se dissipa no ar – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital — Foto: Olhar Digital

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)