Brasil

    Brasil é o epicentro da 'Economia da Esperança'

    O Brasil costuma ser descrito como o país do futuro. O problema é que tratamos esse futuro como uma promessa permanente. Hoje, porém, talvez estejamos diante de uma oportunidade diferente: não apenas participar da transição para uma nova economia global mas também ajudar a defini-la. Leia mais (08/12/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de agosto de 2026 às 11:00
    Brasil é o epicentro da 'Economia da Esperança'
    Foto: Folha de S.Paulo

    Espaço de debate para temas emergentes da agenda socioambiental

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    Agentes ambientais e recicladores trabalham na sede da Coopercaps, em Interlagos (São Paulo), que atua em parceria com a Boomera no desenvolvimento de negócios e melhorias na rede de reciclagem do plástico na cidade - Renato Stockler - 31.j
    Agentes ambientais e recicladores trabalham na sede da Coopercaps, em Interlagos (São Paulo), que atua em parceria com a Boomera no desenvolvimento de negócios e melhorias na rede de reciclagem do plástico na cidade - Renato Stockler - 31.j — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Empreendedor, engenheiro de materiais e especialista em economia circular e inovação de impacto. Fundou a Boomera, uma das empresas pioneiras do setor no Brasil

    O Brasil costuma ser descrito como o país do futuro. O problema é que tratamos esse futuro como uma promessa permanente. Hoje, porém, talvez estejamos diante de uma oportunidade diferente: não apenas participar da transição para uma nova economia global mas também ajudar a defini-la.

    A renovação do meu mandato como conselheiro sênior do Centro para Natureza e Clima do Fórum Econômico Mundial reforça essa possibilidade e me desafia a aprofundar a reflexão sobre o potencial brasileiro de liderar o que denomino Hope Economy .

    Boomera e Coopercaps
    Boomera e Coopercaps — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No primeiro ano, diante da COP30 , estive focado em apoiar o Fórum a melhor compreender o Brasil. No próximo ciclo, tenho à frente uma missão de aproximar o ecossistema brasileiro de bioeconomia , inovação e empreendedorismo de impacto das principais discussões econômicas globais.

    Essa mudança de foco é bastante significativa. Durante muito tempo, o Brasil ocupou espaço nas conversas internacionais como detentor de recursos naturais e protagonista das negociações climáticas. E agora o país pode assumir o protagonismo na construção de uma nova economia.

    Convivendo com lideranças empresariais, investidores, formuladores de políticas públicas e especialistas ligados ao Fórum Econômico Mundial , uma percepção tornou-se evidente: o mundo já começou a reorganizar as próprias prioridades econômicas.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Bioeconomia, biotecnologia, segurança alimentar, minerais críticos, inteligência artificial e transição energética deixaram de ser agendas setoriais para ocupar o centro das estratégias das principais economias globais.

    O Brasil precisa rever a narrativa que construiu sobre si mesmo. Faz sentido continuarmos nos apresentando ao mundo como um grande exportador de commodities, quando reunimos condições para ocupar uma posição muito mais estratégica?

    Temos biodiversidade, conhecimento científico, centros de pesquisa, empreendedores, capacidade produtiva e uma das maiores oportunidades de inovação baseada na natureza do planeta. O que ainda não conseguimos construir foi um ecossistema capaz de transformar esses ativos em tecnologia, propriedade intelectual, empresas de alcance global e desenvolvimento econômico.

    O conceito Hope Economy nasce de uma visão econômica pragmática, que defende uma economia baseada na capacidade de transformar ativos naturais, ciência, inovação e empreendedorismo em soluções para os grandes desafios do século 21. Uma economia em que impacto deixa de ser consequência e passa a fazer parte da estratégia de competitividade.

    Com essa convicção, inicio meu segundo mandato com foco em aproximar o ecossistema brasileiro de bioeconomia, inovação e empreendedorismo das discussões que definirão as próximas estratégias econômicas globais.

    Precisamos ajudar a construir essas agendas, conectando os ativos naturais, científicos e empreendedores que temos a investimentos, tecnologia e oportunidades de escala. Ao longo das cerca de 70 entrevistas realizadas para o documentário The Hope Economy, identificamos um padrão recorrente em diferentes países, especialmente nas economias emergentes: o Triângulo Quebrado.

    De um lado, há pesquisadores, empreendedores e inovadores capazes de desenvolver soluções para alguns dos maiores desafios do nosso tempo . De outro, existe capital em busca de oportunidades com potencial de gerar impacto e retorno.

    O vértice que permanece desconectado é o mercado —sobretudo os primeiros grandes compradores dispostos a validar essas inovações e incorporá-las em escala. Quando essa conexão não acontece, instala-se um círculo vicioso: investidores hesitam porque não enxergam tração comercial, enquanto negócios de impacto permanecem limitados a pilotos e provas de conceito por falta de clientes estratégicos. Vivi esse processo na prática durante minha trajetória na Boomera.

    Foi a decisão de um grande cliente de apostar na nossa solução que transformou a percepção do mercado sobre a empresa, atraiu investimentos e viabilizou o crescimento.

    O desafio do Brasil é construir mecanismos capazes de reconectar esse triângulo, aproximando soluções, mercado e capital. O Brasil talvez ainda seja o país do futuro. A diferença é que, agora, reúne as condições para começar a construí-lo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/08/brasil-e-o-epicentro-da-economia-da-esperanca.shtml.

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    Agentes ambientais e recicladores trabalham na sede da Coopercaps, em Interlagos (São Paulo), que atua em parceria com a Boomera no desenvolvimento de negócios e melhorias na rede de reciclagem do plástico na cidade - Renato Stockler - 31.j — Foto: Folha de S.Paulo

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