Brasil e Camboja formulam acordo contra tráfico humano, mas sem aplicação de recursos
Brasil e Camboja elaboram um memorando de entendimento para o combate ao tráfico internacional de pessoas e aos golpes eletrônicos , segundo o ministro da Informação do país asiático, Neth Pheaktra. O acordo, segundo a autoridade, é feito para formalizar a cooperação entre a Polícia Federal e a Polícia Nacional do país asiático. Leia mais (10/03/2026 - 23h00)

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Brasil e Camboja elaboram um memorando de entendimento para o combate ao tráfico internacional de pessoas e aos golpes eletrônicos , segundo o ministro da Informação do país asiático, Neth Pheaktra. O acordo, segundo a autoridade, é feito para formalizar a cooperação entre a Polícia Federal e a Polícia Nacional do país asiático.

"Camboja e Brasil já têm cooperação ativa em golpes eletrônicos, tráfico humano e outras formas de crime transnacional", diz à Folha .
No Brasil, o processo tramita na assessoria de assuntos internacionais do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A pasta afirmou que não comenta processos em andamento. A Polícia Federal, por sua vez, direcionou o pedido de comentários ao ministério.
Documento publicado pela pasta aponta que memorandos de entendimento firmados entre a corporação e instituições de outros países têm como finalidade a cooperação para combater o crime organizado e manter a segurança interna. Esses instrumentos não implicam transferência de recursos e podem ser rescindidos a qualquer momento por qualquer uma das partes, segundo a Justiça.

Dados do ministério mostram que o Camboja se tornou o principal destino de vítimas de tráfico humano do Brasil em 2025, com 44 dos 84 casos registrados no ano .
Reportagem da Folha visitou o Camboja para entender porque o país se tornou o destino de vítimas brasileiras de tráfico de pessoas
As vítimas são atraídas ao país asiático por meio de falsas promessas de emprego que oferecem remuneração alta, acomodação, alimentação e passagens aéreas, mas, ao chegar ao local, as pessoas têm o passaporte retido e são obrigadas a trabalhar em jornadas exaustivas realizando golpes eletrônicos. Muitas das vítimas também passam por episódios de tortura, que envolvem espancamentos, choques, privação de comida e assédio sexual .

O Camboja é um dos países conhecidos por ser o destino de vítimas de tráfico de pessoas. O país vive agora a maior escalada da repressão aos chamados complexos de golpe, locais onde as vítimas são mantidas em privação de liberdade para a realização das fraudes.
Segundo o ministro cambojano, o país asiático e o Brasil têm uma cooperação que "já vem produzindo coordenação prática, incluindo esforços conjuntos contra crimes de golpe online, a repatriação de cidadãos brasileiros e casos envolvendo brasileiros detidos".
Pheaktra afirma que a embaixadora do Brasil no país, Vivian Sanmartin, e o vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, Sar Sokha, reuniram-se em agosto para discutir a cooperação contra golpes eletrônicos e tráfico humano , ocasião em que a representante do Itamaraty teria congratulado a autoridade pelos resultados da repressão cambojana.

O Itamaraty afirma que o combate ao tráfico de pessoas tem sido uma prioridade para a política externa do Brasil e que o assunto foi tratado, por exemplo, na visita do chanceler Mauro Vieira à Tailândia em setembro.
"O tema é frequentemente tratado em contatos diplomáticos com autoridades dos países onde há registro da presença de redes de tráfico que aliciam brasileiros", diz, em nota.
Segundo o ministro cambojano, de julho de 2025 ao mesmo mês em 2026, a ofensiva resultou na investigação de 751 endereços ligados a complexos e no fechamento de 605. Ao menos 21,6 mil estrangeiros de 38 nacionalidades foram resgatados e tiveram sua repatriação processada, e 388 casos que envolvem golpes eletrônicos estão na Justiça.
"O Camboja também reforçou seu arcabouço legal com a Lei de Combate a Golpes Viabilizados por Tecnologia. A campanha mira cada vez mais os mentores e as redes financeiras por trás das operações de golpes, incluindo esforços para rastrear e apreender os recursos obtidos com o crime ."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/brasil-e-camboja-formulam-acordo-contra-trafico-humano-mas-sem-aplicacao-de-recursos.shtml.

Complexo de golpes na cidade de Sihanoukville, região litoral do Camboja, país que foi o principal destino de brasileiros vítimas de tráfico humano em 2025 - Victoria Damasceno/Folhapress · Victoria Damasceno/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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