Brasil diz aos EUA que tarifaço é injusto e discriminatório, e negociações devem continuar
Representantes do governo brasileiro disseram aos Estados Unidos nesta segunda-feira (31), na primeira negociação bilateral após o anúncio do tarifaço de julho, que o tratamento dispensado ao país pela Casa Branca é injusto e discriminatório. Leia mais (08/31/2026 - 16h13)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Representantes do governo brasileiro disseram aos Estados Unidos nesta segunda-feira (31), na primeira negociação bilateral após o anúncio do tarifaço de julho, que o tratamento dispensado ao país pela Casa Branca é injusto e discriminatório.

Os ministros da Indústria, Márcio Elias Rosa, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmaram, na reunião virtual com Jamieson Greer, representante comercial da Casa Branca, "que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio", segundo nota divulgada pelo governo Lula (PT).
Brasil e EUA concordaram em voltar a se reunir em nível ministerial, em encontro ainda sem data, para revisar o progresso alcançado nas negociações bilaterais e nas reuniões de nível técnico que devem acontecer nas próximas semanas.
"O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanos, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países", diz a nota assinada pelo Itamaraty e pelo ministério da Indústria. Segundo a chancelaria, as próximas reuniões de alto nível podem ser presenciais ou virtuais.

A parte brasileira não esperava grandes avanços a partir da reunião desta segunda, e cabe agora ver se as conversas avançam no nível técnico, segundo um membro do governo ouvido pela reportagem. Para essa pessoa, o encontro ainda assim foi positivo por mostrar que os canais continuam funcionando, já que o governo brasileiro sempre insistiu nas negociações.
Como mostrou a Folha , o governo Lula teme uma espécie de tarifaço permanente caso o impasse com os americanos se prolongue.
Um auxiliar do presidente lembra que as barreiras comerciais sobre o aço e o alumínio implementadas em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, não foram revogadas pelo sucessor, o democrata Joe Biden. O risco seria que as tarifas da Seção 301 implementadas em julho seguissem o mesmo caminho, com impactos ainda mais graves.

São duas as tarifas aplicadas pelos EUA contra o Brasil. Uma primeira, de 25%, por supostas práticas comerciais desleais. E uma segunda, de 12,5%, por supostas falhas no combate à importação de produtos produzidos com trabalho forçado –esta última substituiu a tarifa global de 10% que vigorou até julho.
Essas duas sobretaxas atingem ao mesmo tempo 3.985 produtos , ou US$ 10,8 bilhões (R$ 55 bilhões) em mercadorias brasileiras aos EUA, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Neste mês, o governo brasileiro deu início aos procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade, que permite à União retaliar medidas comerciais aplicadas por outros países de forma injusta ou desproporcional. Nesta primeira etapa, o governo procurou os EUA e abriu consultas com diferentes ministérios da Esplanada, que se manifestarão sobre o tema.

Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/brasil-diz-aos-eua-que-tarifaco-e-injusto-e-discriminatorio-e-negociacoes-devem-continuar.shtml.

À frente, da esquerda para a direita, os ministros Márcio Elias Rosa (Indústria), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e o vice-presidente Geraldo Alckmin caminham para entrevista coletiva sobre o tarifaço de 25% dos EUA contra o Brasil - Gab — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

