Brasil diz a ONU que família de estudante morto pela PM de SP não recebeu reparação nem pedido de desculpa
O governo brasileiro informou a um órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) que até o momento não houve nenhum tipo de compensação, pedido de desculpas ou oferta de apoio psicossocial à família do estudante Marco Aurélio Cardenas Acosta, morto em novembro de 2024, aos 22 anos , pela Polícia Militar de São Paulo. Leia mais (08/21/2026 - 16h20)

Editado por Fábio Zanini, espaço traz notícias e bastidores da política. Com Carlos Petrocilo e Gabriela Echenique
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Receba no seu email as informações exclusivas da coluna Painel
O governo brasileiro informou a um órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) que até o momento não houve nenhum tipo de compensação, pedido de desculpas ou oferta de apoio psicossocial à família do estudante Marco Aurélio Cardenas Acosta, morto em novembro de 2024, aos 22 anos , pela Polícia Militar de São Paulo.
O posicionamento foi em resposta a uma carta enviada em junho deste ano ao Brasil por dois relatores especiais da ONU a respeito da morte de Acosta, na qual também pedem medidas para o combate à violência policial.

O caso aconteceu na Vila Mariana, zona sul de São Paulo . Após um desentendimento, o estudante de medicina desferiu um tapa no retrovisor de uma viatura em que estavam dois policiais militares. Perseguido pelos agentes, ele buscou abrigo em um hotel e acabou morto com um disparo.
O caso gerou desgaste para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que admitiu conduta imprópria.
"Com relação específica ao caso de Marco Aurélio Cardenas Acosta, não existe ainda registro de qualquer compensação que tenha sido paga à família, nem desculpas públicas ou qualquer oferta individualizada de apoio psicossocial após sua morte", diz o comunicado do Brasil, assinado pela missão do país junto à ONU em Genebra (Suíça).

O documento brasileiro foi enviado em 14 de agosto ao Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos .
Ele respondia a uma carta de 16 de junho assinada por dois representantes da entidade: Ashwini K.P., que cuida de racismo e intolerância, e Morris Tidball-Binz Special, que lida com execuções extrajudiciais e arbitrárias.
A ONU foi acionada pela família do estudante, com apoio da ONG Conectas.
No texto endereçado ao Brasil, a dupla diz que o caso do estudante é uma manifestação de "padrão de uso sistemático de uso de força letal excessiva, resultando na privação arbitrária da vida no Brasil, com impacto desproporcional em grupos raciais e étnicos marginalizados e contínua impunidade destas violações"
"Estamos seriamente preocupados que as alegações recebidas indicam que a violência letal usada contra o sr. Aurélio contraria padrões internacionais de direitos humanos", acrescentam.
Os representantes da ONU cobraram do governo brasileiro investigações independentes, imparciais e efetivas sobre mortes que podem ser consideradas ilegais no país. Perguntam ainda quais medidas foram tomadas neste e em outros casos e questionam se houve possíveis reparações à família do estudante.
Na resposta, o Brasil diz que "os fatos relativos à morte de Marco Aurélio Cardenas Acosta estão sujeitos aos procedimentos investigativos apropriados nas esferas militar, criminal e judiciária, de acordo com as respectivas jurisdições de cada corte".
Afirma ainda que "o Estado brasileiro está adotando medidas abrangentes para prevenir e reduzir fatalidades que resultam de ações de agentes de segurança pública, fortalecendo mecanismos de investigação, supervisão e prestação de contas, além de combater racismo em ações estatais".
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2026/08/brasil-diz-a-onu-que-familia-de-estudante-morto-pela-pm-de-sp-nao-recebeu-reparacao-nem-pedido-de-desculpa.shtml.

Pais do estudante Marco Aurélio Cardenas com foto do filho, morto pela polícia em 2024 - Karime Xavier/Folhapress · Karime Xavier/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

