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    Brasil descobre mais petróleo e torra o dinheiro como se não houvesse amanhã

    Parece que há petróleo no mar diante e distante da costa do Amapá e do Pará, chamado de bacia da Foz do Amazonas , disse a Petrobras . Vai levar tempo para saber quanto petróleo explorável há por ali. Pode bem ser que exista mais petróleo em toda a Margem Equatorial (o mar diante de Norte e parte do Nordeste) e na Bacia de Pelotas. Leia mais (08/15/2026 - 19h23)

    Folha de S.Paulo
    15 de agosto de 2026 às 22:23
    Brasil descobre mais petróleo e torra o dinheiro como se não houvesse amanhã
    Navio de perfuração offshore vermelho ancorado em mar calmo sob céu azul claro com poucas nuvens. Estrutura complexa de plataformas e equipamentos visíveis no convés. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA)

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Sonda NS-42, também chamada de ODN 2, da Petrobras; equipamento é usado na perfuração do bloco 59 da bacia Foz do Amazonas - Agência Petrobras · Agência Petrobras
    Sonda NS-42, também chamada de ODN 2, da Petrobras; equipamento é usado na perfuração do bloco 59 da bacia Foz do Amazonas - Agência Petrobras · Agência Petrobras — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Parece que há petróleo no mar diante e distante da costa do Amapá e do Pará, chamado de bacia da Foz do Amazonas , disse a Petrobras . Vai levar tempo para saber quanto petróleo explorável há por ali. Pode bem ser que exista mais petróleo em toda a Margem Equatorial (o mar diante de Norte e parte do Nordeste) e na Bacia de Pelotas.

    Caso exista petróleo na Foz do Amazonas, vai levar tempo para que comece a ser extraído (uns sete anos). Ainda assim, diminuiria o risco ora previsto de que, a partir de 2031, por aí, comece a diminuir a produção petroleira do Brasil.

    Projeto de petróleo encarece casas e amplia invasões no Amapá
    Projeto de petróleo encarece casas e amplia invasões no Amapá — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Seja como for, a disposição política quase geral é de gastar em despesa corrente o dinheiro que os governos recebem com impostos, dividendos, royalties, participações e outras rendas petrolíferas. O país já torra a receita crescente de petróleo ou se endivida com base na ideia de que tal receita é regular e permanente. O futuro que se dane.

    Os governos dependem mais e mais de receitas petrolíferas (o Rio de Janeiro iria à ruína sem elas). O governo federal (o atual, os outros) gasta o dinheiro do petróleo sem ao menos aumentar o investimento público (em obras de infraestrutura, instalações, equipamentos, etc). Gastam, além do mais, como se essa receita fosse regular. Não é, óbvio, pois depende de preço, de quantidade produzida, etc.

    No ano 2000, a receita petroleira federal era de 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto) e de 1,3% da arrecadação federal bruta. Essas contas variam um tanto a depender do critério de quem as faça. Não há contabilidade oficial consolidada, necessária até para o país ter noção da dependência do petróleo e de suas possibilidades.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    De 2000 a 2009, a receita federal com petróleo foi em média de 0,44% do PIB e 2% da arrecadação. De 2010 a 2013, de 0,78% do PIB e de 3,4% da arrecadação. Desde 2022, depois da epidemia e com guerras, as rendas do petróleo são cerca de 1,5% do PIB e cerca de 7% da receita. Sem o "ouro negro", faltaria dinheiro para pagar um Bolsa Família inteiro e algo mais.

    O primeiro óleo do pré-sal foi extraído em 2008. Para usar a data como marco simbólico, o investimento "produtivo" federal era de 1% do PIB naquele ano. Desde 2017, a média é de 0,5% do PIB, inclusive sob Lula 3, um nada histórico.

    O investimento em ciência e tecnologia nunca voltou aos níveis do final dos anos 2000. Esses são dados do Tesouro Nacional; na prática, o investimento é um tanto menor.

    A dívida pública explode desde 2014, quando o país apenas teve déficits primários (que não incluem gasto com juros), com a exceção do ano de sorte e gambiarra de 2022. A receita excepcional com petróleo e minérios cresce, mas o país se endivida mais.

    Em suma, os governos não usam o dinheiro para criar condições de crescimento maior adiante. Isto é, para investir de modo produtivo ou de modo a consertar ruínas ambientais; para bancar ciência e pesquisa a fim de aumentar a capacidade tecnológica e produtiva ou acelerar a transição energética.

    Nem ao menos criam fundo ou coisa que o valha a fim de compensar anos de vacas magras (com petróleo e outras receitas) com o leite dos anos de vacas gordas (elaborar um plano anticíclico, como se diz no jargão).

    Nem se discutiu aqui o risco ambiental ou a falta de planejamento preciso de transição energética, coisa ainda mais complicada. Não se cria nem uma regra para prevenir a torra do dinheiro da indústria extrativa (petróleo e minérios). Sem futuro.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2026/08/brasil-descobre-mais-petroleo-e-torra-o-dinheiro-como-se-nao-houvesse-amanha.shtml.

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    Sonda NS-42, também chamada de ODN 2, da Petrobras; equipamento é usado na perfuração do bloco 59 da bacia Foz do Amazonas - Agência Petrobras · Agência Petrobras — Foto: Folha de S.Paulo

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