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    Brasil chega às eleições de 2026 com mais emprego, renda e dívidas

    As famílias brasileiras chegam às eleições de 2026 com mais emprego , renda e dívidas do que em anos anteriores de votações presidenciais. Leia mais (10/03/2026 - 16h00)

    Folha de S.Paulo
    3 de outubro de 2026 às 19:00
    Brasil chega às eleições de 2026 com mais emprego, renda e dívidas
    Multidão caminha em rua com lojas. Homem sentado em cadeira alta observa o movimento. Pessoas carregam sacolas e roupas, e o ambiente é urbano. — Foto: Folha de S.Paulo

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    As famílias brasileiras chegam às eleições de 2026 com mais emprego , renda e dívidas do que em anos anteriores de votações presidenciais.

    Movimentação de pedestres em área comercial de Duque de Caxias (RJ), na Baixada Fluminense - Tércio Teixeira - 10.jul.26/Folhapress · Tércio Teixeira - 10.jul.26/Folhapress
    Movimentação de pedestres em área comercial de Duque de Caxias (RJ), na Baixada Fluminense - Tércio Teixeira - 10.jul.26/Folhapress · Tércio Teixeira - 10.jul.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Enquanto o mercado de trabalho mostrou recuperação após a crise da pandemia , a alta dos juros para conter a inflação apertou o orçamento domiciliar, o que ajuda a explicar o quadro de endividamento e inadimplência, dizem analistas.

    Os contrastes têm sido explorados nas campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) e Flávio Bolsonaro ( PL ). O atual presidente buscou destacar os recordes de emprego e renda, ao passo que o senador tentou chamar a atenção para a pressão do endividamento e do custo de vida.

    Os dois candidatos aparecem como favoritos nas pesquisas de intenção de voto antes do primeiro turno, que ocorre neste domingo (4).

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Fabio Bentes, economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), diz que, em qualquer lugar do mundo, se a população permanecer empregada e tiver ganhos em consumo e qualidade de vida, o cenário tende a contribuir para a reeleição de um governante.

    A questão, segundo ele, é que o Brasil chega a este domingo com sinais dúbios na economia, o que traz incerteza para as projeções eleitorais. A avaliação é uma referência às diferenças nos contextos do mercado de trabalho e do endividamento.

    "Faz sentido que a disputa esteja tão acirrada como está para o governo federal e na maioria dos estados", afirma.

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Dados da CNC apontam que, em agosto, 82% das famílias tinham dívidas a vencer, maior patamar da série histórica iniciada em 2010. O indicador inclui compromissos financeiros com cartão de crédito, cheque especial, carnês, empréstimos e outros.

    Considerando apenas os meses de agosto, o percentual era de 59,1% em 2010, de 63,6% em 2014, de 60,7% em 2018 e de 79% em 2022. Esses são os anos das eleições presidenciais anteriores no país.

    Quando a pesquisa considera somente as famílias com contas em atraso (inadimplentes), a proporção foi de 29,9% no último mês de agosto. O pico da série ocorreu em setembro e outubro do ano passado (30,5%). A fatia era de 29,6% em agosto de 2022.

    Outro indicador é o das famílias que sinalizam não ter condições de pagar as contas em atraso.

    Em agosto de 2026, 12,5% estavam nessa condição, nível superior ao de quatro anos atrás (10,8%). O pico da série ocorreu em outubro de 2025 (13,2%).

    "Esse cenário evidencia o impacto que o aperto monetário [juros altos] teve sobre as famílias", afirma Bentes.

    "As famílias não estão se endividando para consumir. Estão se endividando por outro motivo: o histórico de dívidas passadas que dificulta muito o reequilíbrio orçamentário."

    A taxa básica de juros ( Selic ) está em 13,75% ao ano . O patamar elevado reflete a tentativa do BC (Banco Central) de conter a inflação após a economia ter sido estimulada, em parte, por medidas do governo .

    Mesmo com o aperto dos juros, o mercado de trabalho segue mostrando sinais de força .

    A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,3% nos três meses até agosto . É o menor patamar para esse trimestre na série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), iniciada em 2012.

    O número de pessoas de 14 anos ou mais ocupadas com algum tipo de trabalho (formal ou informal) foi de 103,5 milhões até agosto. É o maior já registrado pelo IBGE.

    Na média, a população ocupada teve renda de R$ 3.777 por mês. O valor é recorde para o trimestre finalizado em agosto.

    Para Sergio Vale , economista-chefe da consultoria MB Associados e colunista da Folha , o cenário econômico, em linhas gerais, ainda é favorável para o governo Lula na busca pela reeleição.

    Nesse sentido, Vale cita o impacto de variáveis consideradas relevantes como a queda do desemprego e os sinais recentes de trégua da inflação .

    "O que tem de negativo, e que afeta potencialmente a popularidade do governo, é a questão da inadimplência. Tem uma conjunção de juros elevados e população endividada, além do efeito das bets , que também afeta a inadimplência."

    A liberação de crédito continua crescendo no país, mas ocorre em um ambiente de maior pressão sobre os orçamentos e se apoia em linhas mais caras, segundo artigo publicado na quarta (30) no Blog do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

    "A proporção de famílias endividadas, o comprometimento da renda e a inadimplência bancária estão em níveis recordes ou muito próximos deles, e a pressão é especialmente intensa entre as famílias de menor renda", diz o texto assinado pelos pesquisadores Pedro Avelino, Flávio Ataliba Barreto e João Mário Santos de França.

    A técnica em enfermagem Luana Dutra Gomes, 37, vive essas dificuldades. Ela afirma que já estava com o orçamento apertado por um empréstimo vinculado ao salário de um emprego formal quando foi vítima de um golpe digital no ano passado.

    Segundo a trabalhadora, outras duas operações de crédito foram tomadas em seu nome de modo fraudulento à época. Luana não conseguiu lidar com os custos financeiros e diz tentar na Justiça uma resolução para o caso.

    "Meu nome sujou. Não consegui pagar cartão, não consegui fazer mais nada, me atolei em dívida", afirma. Ela vendeu pertences, recorre a bicos e recebe doações de alimentos para sobreviver.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/brasil-chega-as-eleicoes-de-2026-com-mais-emprego-renda-e-dividas.shtml.

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    Movimentação de pedestres em área comercial de Duque de Caxias (RJ), na Baixada Fluminense - Tércio Teixeira - 10.jul.26/Folhapress · Tércio Teixeira - 10.jul.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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