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    Brasil chega às eleições com poder de compra de alimentos acima de 2022 e abaixo do pré-pandemia

    O Brasil chega às eleições de 2026 com poder de compra de alimentos em patamar superior ao registrado às vésperas do primeiro turno de 2022 . Leia mais (10/03/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    4 de outubro de 2026 às 02:00
    Brasil chega às eleições com poder de compra de alimentos acima de 2022 e abaixo do pré-pandemia
    Duas pessoas empurram carrinhos em corredor de supermercado com prateleiras cheias de pacotes de arroz e outros alimentos. Placas amarelas indicam preços. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O Brasil chega às eleições de 2026 com poder de compra de alimentos em patamar superior ao registrado às vésperas do primeiro turno de 2022 .

    Clientes fazem compras em supermercado em São Paulo - Rafaela Araújo - 20.mar.26/Folhapress · Rafaela Araújo - 20.mar.26/Folhapress
    Clientes fazem compras em supermercado em São Paulo - Rafaela Araújo - 20.mar.26/Folhapress · Rafaela Araújo - 20.mar.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O indicador, porém, segue abaixo de níveis observados no pré-pandemia, e não há previsão de recuperação completa pelo menos até o fim de 2027.

    As conclusões são de um levantamento do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, que compara quantas cestas básicas podem ser adquiridas com o salário mínimo e a renda média do trabalho . O primeiro turno das eleições deste ano ocorre neste domingo (4).

    Segundo Imaizumi, o custo dos alimentos é um ponto sensível para os eleitores, e os dados sinalizam que a melhora dos rendimentos no governo Lula ( PT ) não foi suficiente para fazer frente a toda a carestia acumulada pela comida a partir do choque da pandemia.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em agosto de 2026, um salário mínimo conseguia comprar o equivalente a 1,8 cesta básica. O cálculo considera o piso deste ano, reajustado por Lula para R$ 1.621 , e o preço médio da cesta na cidade de São Paulo (R$ 900,59). Não há uma média nacional para esse conjunto de alimentos.

    O patamar de 1,8 cesta básica é 11,3% superior ao de agosto de 2022, de 1,62. À época, o país se aproximava das eleições presidenciais nas quais Lula venceria o então presidente Jair Bolsonaro ( PL ). O mínimo estava em R$ 1.212, enquanto a cesta paulistana custava R$ 749,78.

    A partir de 2023, Lula apostou em políticas como a retomada do reajuste do salário acima da inflação , mas o poder de compra permanece em torno de 13% abaixo da média da década anterior à pandemia (2010 a 2019). Nesse período, o piso comprava 2,07 cestas básicas em São Paulo.

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao longo da série histórica, o salário mínimo já chegou ao equivalente a 2,28 cestas em março de 2012. É o maior nível do levantamento, com dados desde 1998.

    A análise usa valores da cesta básica pesquisada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O conjunto abrange 13 alimentos – carne , leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga.

    O cenário é semelhante quando Imaizumi substitui o salário mínimo pelo rendimento habitual de todos os trabalhos no país, em termos nominais.

    No trimestre encerrado em agosto de 2026, a renda média brasileira foi de R$ 3.777 por mês. O valor poderia comprar o equivalente a 4,07 cestas básicas, considerando uma média de preços nos mesmos três meses em São Paulo (R$ 927,02).

    O nível é 15% maior do que o registrado em agosto de 2022 (3,54). O patamar, porém, está em torno de 15% abaixo da média da década anterior à pandemia (4,82), de 2010 a 2019.

    O levantamento usa dados de rendimento calculados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    Projeções de Imaizumi sinalizam que a capacidade de compra de cestas básicas tende a ficar abaixo da média pré-pandemia pelo menos até dezembro de 2027, considerando tanto a renda do trabalho quanto o salário mínimo.

    Analistas afirmam que o El Niño é o principal risco para a inflação dos alimentos a partir do final de 2026. A ameaça aparece no radar porque o fenômeno climático altera a distribuição das chuvas.

    Isso desafia a produção agropecuária . Em caso de perdas no campo, repasses podem ocorrer para o consumidor final na cidade.

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    Na terça-feira (29), a Folha questionou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República sobre os dados do poder de compra, mas não recebeu retorno.

    O nível dos preços da comida tem sido explorado na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro ( PL - RJ ). Em vídeos, o filho de Jair associa o custo dos alimentos nas gôndolas dos supermercados ao governo Lula.

    A campanha do presidente passou a rebater as críticas. "Tem gente prometendo baixar o preço das coisas. Mas, quando eles tiveram a caneta na mão, o arroz e o feijão chegaram às alturas", disse Lula em propaganda eleitoral .

    "Os impostos que zeraram foram de jet ski e jatinho. Entregaram de mão beijada a distribuição e o refino dos combustíveis aos estrangeiros. Isso tudo doeu no seu bolso, no posto e no supermercado."

    Segundo o cientista político José Niemeyer, professor do Ibmec no Rio, emprego, inflação e poder de compra podem influenciar processos eleitorais. Em 2026, ele vê a primeira variável se sobrepondo em meio ao cenário de mudanças no mundo do trabalho .

    "Há um receio de a tecnologia tirar empregos . Se você tem uma ocupação laboral, por mais simples que ela seja, parece redentor, algo importantíssimo."

    Apoiadores de Lula têm procurado ressaltar o desempenho de indicadores econômicos desde 2023, incluindo a queda do desemprego , além de citar medidas como o reajuste do salário mínimo acima da inflação e a defesa do fim da escala 6x1 –seis dias de trabalho e um de descanso por semana.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/brasil-chega-as-eleicoes-com-poder-de-compra-de-alimentos-acima-de-2022-e-abaixo-do-pre-pandemia.shtml.

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    Clientes fazem compras em supermercado em São Paulo - Rafaela Araújo - 20.mar.26/Folhapress · Rafaela Araújo - 20.mar.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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