Botecos são o refúgio das comidas enjeitadas
Domingo passado me aventurei pelas longínquas terras do Tatuapé, lá na direção do Sol nascente. Fui almoçar num boteco de que há muito ouvia falar: o bar do Berinjela, que acumula prêmios por seus petiscos. Ali desde 1964, tem esse nome porque seu fundador vendia berinjela na feira. Leia mais (08/20/2026 - 18h20)

Marcos Nogueira fala de comida de verdade, receitas e gastronomia com humor (bom e mau)
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Domingo passado me aventurei pelas longínquas terras do Tatuapé, lá na direção do Sol nascente. Fui almoçar num boteco de que há muito ouvia falar: o bar do Berinjela, que acumula prêmios por seus petiscos. Ali desde 1964, tem esse nome porque seu fundador vendia berinjela na feira.
Pensei que fosse apenas um apelido. Mas o povo leva a sério a temática berinjelística. Para começar, a fachada do imóvel é toda roxa, gritando aos olhos numa paisagem de casas antigas, de pinturas discretas.
E aí metade do cardápio é dedicada a pratos e petiscos de berinjela. Achei ousado.

Não me levem a mal: sou um fã absoluto do vegetal. Do ponto de vista do negócio, porém, é como se o lugar se chamasse Cantinho do Brócolis ou Rei da Couve-de-Bruxelas.
Botecos , biroscas e assemelhados são essenciais para a sobrevivência de tesouros gastronômicos com alto índice de rejeição: entranhas, hortaliças amargas e aquela fauna miúda que causa repulsa em estômagos delicados.
Exemplo máximo desse prodígio botequeiro é o fígado com jiló, atração turística do Mercado Central de Belo Horizonte .
Em São Paulo, dois de meus bares favoritos —o Luiz Nozoie, na Saúde, e A Juriti, no Cambuci— são ninjas em fritar rã à doré. A carne é suave, finíssima. Mas a aparência do anfíbio, servido inteiro, remete a uma bailarina fazendo plié. Há quem se incomode.
Moela, codorna, pescoço de peru —e não nos esqueçamos dos roll mops, sardinhas avinagradas com cebola— subsistem entre batidas de amendoim, garrafas de jurubeba e mesas de plástico.
Duvido que alguém tenha estudado o fenômeno, mas eu tenho um palpite: boteco real é orgânico, não tem business plan. O dono serve o que lhe apetece, e quem não gosta que procure outro lugar.
O bar sempre foi refúgio dos enjeitados. Vale para pessoas, não haveria de ser diferente com alimentos.
Fiquemos agora com uma receita de berinjela.
Fiz um baba ghanoush, pasta árabe de berinjela e tahine, um pouco diferente. Processei o vegetal enquanto despejava o azeite: isso criou uma emulsão semelhante à maionese, lisa, de textura bem bacana.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cozinha-bruta/2026/08/botecos-sao-o-refugio-das-comidas-enjeitadas.shtml.

Baba ghanoush, uma pasta árabe de berinjela e tahine com o vegetal processado e azeite - Marcos Nogueira/Folhapress · Marcos Nogueira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

