Brasil

    'Bombeiro', Jair Ventura sugere que nova geração de treinadores se reinvente

    Jair Ventura, 47, tinha só 38 anos em 2017 quando passou a ser apontado como o principal rosto de uma nova geração de treinadores capaz de mudar a arranhada imagem do país depois da derrota por 7 a 1 da seleção brasileira para a Alemanha, na Copa de 2014. Naquele ano, o jovem técnico havia conseguido descolar a sua imagem da do pai, o ex-ponta Jairzinho , o Furacão da Copa de 1970, graças a um trabalho surpreendente à frente de um Botafogo de recursos escassos -semifinalista da Copa do Brasil , chegou até as quartas da Libertadores, só caindo para o Grêmio, que seria campeão do torneio. Leia m

    Folha de S.Paulo
    22 de agosto de 2026 às 20:00
    'Bombeiro', Jair Ventura sugere que nova geração de treinadores se reinvente
    Treinador com camisa preta e calça preta gesticula enquanto jogador com uniforme vermelho e preto está próximo da bola na lateral do campo. Público e árbitros aparecem ao fundo no estádio. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Jair Ventura, 47, tinha só 38 anos em 2017 quando passou a ser apontado como o principal rosto de uma nova geração de treinadores capaz de mudar a arranhada imagem do país depois da derrota por 7 a 1 da seleção brasileira para a Alemanha, na Copa de 2014. Naquele ano, o jovem técnico havia conseguido descolar a sua imagem da do pai, o ex-ponta Jairzinho , o Furacão da Copa de 1970, graças a um trabalho surpreendente à frente de um Botafogo de recursos escassos —semifinalista da Copa do Brasil , chegou até as quartas da Libertadores, só caindo para o Grêmio, que seria campeão do torneio.

    Jair Ventura orienta seus jogadores durante a final da Copa do Nordeste, contra o Fortaleza, no Castelão - Edileudo Rodrigues - 2.jun.26/MyPhoto Press/Folhapress · Edileudo Rodrigues - 2.jun.26/MyPhoto Press/Folhapress
    Jair Ventura orienta seus jogadores durante a final da Copa do Nordeste, contra o Fortaleza, no Castelão - Edileudo Rodrigues - 2.jun.26/MyPhoto Press/Folhapress · Edileudo Rodrigues - 2.jun.26/MyPhoto Press/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Quase uma década depois, entre questionamentos e rótulos, ele vive uma nova fase elogiada na carreira desde que assumiu o Vitória em setembro do ano passado. Já são 57 partidas, próximo de igualar o segundo trabalho mais longevo da carreira. "Estou feliz com o meu novo momento, mas também não me iludo: a segurança é zero no futebol . A gente sabe como é a vida do treinador. Basta uma sequência de jogos negativos e as cobranças já vêm e já não presto de novo", disse à Folha . Estigmatizado por um longo período pela fama de retranqueiro durante as passagens principalmente por Santos e Corinthians , Ventura conduziu a equipe baiana a uma arrancada surpreendente em 2025, salvando-se do rebaixamento com um aproveitamento de 55% dos pontos disputados em 14 partidas —7 vitórias, 2 empates e 5 derrotas. Este foi o quinto trabalho em que assumiu uma equipe na degola e teve êxito. Antes, já havia conseguido o feito com o Botafogo, em 2016, o Sport , em 2020, o Juventude, em 2021, e o Goiás, em 2022. Por isso, agora lida com um outro rótulo: o de ser visto como um "técnico bombeiro". "O que as pessoas pensam de mim não me define. Eu respeito a opinião de todo mundo, mas sei do meu tamanho e daquilo que sou capaz", afirmou o técnico. "Se dizem que sou bombeiro, retranqueiro... está tudo certo. Que possam continuar esses rótulos e eu possa continuar fazendo o que mais amo com a qualidade que tenho entregado." Cumprida a meta inicial, neste ano o treinador conquistou o título da Copa do Nordeste e avançou às quartas de final da Copa do Brasil ao eliminar adversários de peso no cenário nacional, como Flamengo e Athletico-PR.

    O novo bom momento contrasta com o de nomes antes citados como promissores, como Zé Ricardo, Maurício Barbieri, Alberto Valentim, Eduardo Barroca e outros, que passaram a ter seus potenciais em xeque, além de perderem espaço devido à chegada em massa de estrangeiros. "Aquela nossa geração veio na leva da necessidade de reciclar o futebol brasileiro. Alguns estão mais sumidos de forma injusta, mas acho que a gente tem que se reinventar também. Se eu de repente não tivesse esses feitos, de entender novas formas de jogar para livrar times e conquistar acessos, para ser sincero, estaria mais sumido", analisa. "Hoje sou um treinador muito melhor do que o que começou em 2016, o que dirá do ano passado. Precisamos de mais ideias, às vezes as minhas vêm até treinando na academia, escutando música. Corro para o bloco de notas da comissão e anoto. Na última semana, criei um trabalho tático inédito que nunca havia feito em dez anos."

    A intensidade que Jair exibe na linha lateral do campo ajudou a construir uma forte identificação com a torcida no Barradão. Após a classificação diante do Athletico-PR —a equipe havia perdido o primeiro jogo por 2 a 0, e passou goleando por 4 a 0—, concedeu entrevista abraçado a um torcedor que invadiu o campo para comemorar. A disputa também esquentou os ânimos inclusive com o técnico adversário, Odair Hellmann, com quem bateu boca à beira do gramado e depois respondeu após a classificação dizendo precisar estudar mais. "Eu sou mais um torcedor ali na beira do campo, sou um cara que vibro, jogo junto. Lembro de um lance em que o jogador cabeceou para o gol e o torcedor me filmou cabeceando junto. Eu sou esse cara de coração, que se entrega, sente a derrota e comemora do mesmo jeito que a torcida."

    O técnico do Vitória, Jair Ventura, gesticula durante jogo contra o Santos pelo Campeonato Brasileiro - Thiago Bernardes - 20.out.25/Reuters · Thiago Bernardes - 20.out.25/Reuters
    O técnico do Vitória, Jair Ventura, gesticula durante jogo contra o Santos pelo Campeonato Brasileiro - Thiago Bernardes - 20.out.25/Reuters · Thiago Bernardes - 20.out.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Eu e o Odair somos contemporâneos, fizemos a licença da CBF juntos. Ali o que acontece no jogo fica no jogo, os dois querem vencer", minimiza sobre a rusga com Hellmann. "Eu tenho respeito e carinho pelo Papito, amizade fora de campo. Ele também extravasa para caramba, como eu."

    O amadurecimento no extracampo foi moldado em passagens por cenários conturbados, como a gestão política do Santos e do Corinthians em 2018. Problema que ele conta não viver no Vitória, onde recebe, pela primeira vez, salários adiantados. "Foi o único clube que vi fazer isso em dez anos. É difícil chegar para trabalhar com um jogador sem receber por três, quatro meses. O campo fica pesado, não tem jeito", explica. Apesar da chance de título na Copa do Brasil, o time luta na tabela do Brasileiro desde a volta da Copa do Mundo, tendo conquistado somente uma vitória em seis jogos disputados. Neste domingo (23), terá o clássico contra o Bahia no Barradão. Ele diz não fazer mais projeções a longo prazo. Um dos sonhos que sempre revelou publicamente era o de treinar uma equipe fora do país. Agora brinca: "Se não me quiserem mais por aqui, ao menos já tenho quatro chances de um dos ameaçados ligar para o bombeiro".

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Treinador de futebol com camiseta cinza estende o braço direito apontando e fala com expressão intensa durante jogo à noite.
    Treinador de futebol com camiseta cinza estende o braço direito apontando e fala com expressão intensa durante jogo à noite. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026
    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/08/bombeiro-jair-ventura-sugere-que-nova-geracao-de-treinadores-se-reinvente.shtml.

    Imagem 1
    1 / 5

    Jair Ventura orienta seus jogadores durante a final da Copa do Nordeste, contra o Fortaleza, no Castelão - Edileudo Rodrigues - 2.jun.26/MyPhoto Press/Folhapress · Edileudo Rodrigues - 2.jun.26/MyPhoto Press/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)