Bolsonaros propõem caça às bruxas no Itamaraty
Duas reportagens de Patrícia Campos Mello publicad as nesta quarta (30) na Folha detalham como seria a política externa de Flávio Bolsonaro, se eleito. Leia mais (09/30/2026 - 20h14)

Advogado, é professor de direito internacional e direitos humanos na FGV Direito SP. Doutor pela Central European University (Budapeste), escreve sobre direitos e discriminação
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Duas reportagens de Patrícia Campos Mello publicad as nesta quarta (30) na Folha detalham como seria a política externa de Flávio Bolsonaro, se eleito.
Depois do isolacionismo implementado durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, a equipe de Flávio buscará, se bem-sucedida nas eleições, intensificar o alinhamento aos EUA, no estilo e na condução da política externa. O projeto possui um codinome: "reforma do Marco Rubio", referência ao belicoso secretário de Estado americano.
O que se propõe, afinal, é uma mudança radical do lugar da diplomacia do Brasil no mundo. Seria um cavalo de pau na política externa brasileira, que se tornaria menos multilateral e mais subserviente aos EUA; menos pragmática e mais ideológica, privilegiando alinhamentos a países sob a liderança da direita; mais conflituosa com a China e com o Brics em geral.

Ficam as perguntas sobre se o agro brasileiro está disposto a pagar a conta de tensões com os chineses e se a população estaria disposta a debater Pix , big techs e temas afins com os EUA.
O alvo principal seria o próprio Itamaraty , com uma reestruturação à la Rubio do corpo diplomático, com menor participação de diplomatas de carreira e mais indicações políticas, ou seja, menos João Cabral de Melo Neto e mais Filipe Martins. Hoje, apenas 9% dos embaixadores americanos vêm do corpo diplomático, evidenciando a partidarização da carreira.
Direto dos EUA, Eduardo Bolsonaro propôs uma "faxina" (leia-se caça às bruxas) no Itamaraty se o irmão for eleito, o que eleva o risco real de perseguição política no órgão.
Trata-se de um erro para o Brasil, que se beneficia, inclusive economicamente, da habilidade histórica da diplomacia de dialogar e negociar com o espectro mais amplo possível de países. E há o risco de que a caça às bruxas se alastre para outros órgãos, como Polícia Federal e Banco Central .
Um corpo técnico no alto funcionalismo é indispensável para a qualidade do Estado, da diplomacia ao combate à corrupção, e é isso o que está sob ameaça.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/thiago-amparo/2026/09/bolsonaros-propoem-caca-as-bruxas-no-itamaraty.shtml.

Marco Rubio e Trump em evento na Casa Branca - Kevin Lamarque/Reuters · Kevin Lamarque/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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