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    Bolsonarismo propõe 'corte brutal' na Educação e 'abomina' a área, diz ministro de Lula

    Leonardo Barchini afirma à Folha que redução orçamentária sob Jair Bolsonaro representa projeto da direita para a área

    UOL
    28 de agosto de 2026 às 10:00
    Bolsonarismo propõe 'corte brutal' na Educação e 'abomina' a área, diz ministro de Lula
    Homem de meia-idade com cabelo curto e barba rala veste terno preto, camisa branca e gravata vermelha, sentado em cadeira preta em escritório com decoração sóbria. Ele gesticula com as mãos abertas sobre mesa de vidro, atrás há planta em va — Foto: UOL

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    O ministro da Educação , Leonardo Barchini, diz que o atual mandato do governo Lula ( PT ) garantiu avanços para a área, apesar do desmonte deixado pela gestão anterior de Jair Bolsonaro (PL).

    O ministro da Educação, Leonardo Barchini, durante entrevista à Folha em seu gabinete - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress
    O ministro da Educação, Leonardo Barchini, durante entrevista à Folha em seu gabinete - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Se olharmos para o que importa na gestão federal, que é o orçamento, eles não gostam da educação", afirma em entrevista à Folha . "Esse era o projeto deles para um segundo mandato: um corte brutal."

    A fala do ministro ecoa o próprio plano de governo da candidatura de Lula à reeleição , no qual se exploram mais as realizações nesses quatro anos pós-Bolsonaro do que promessas claras. O principal adversário de Lula é o senador Flávio Bolsonaro (PL) , filho do ex-presidente.

    À frente do MEC desde abril, Barchini, 50, defende forte expansão do ensino integral. A pasta prepara para outubro um novo projeto, que deve estabelecer meta superior aos 50% de matrículas com a jornada estendida previstos no PNE (Plano Nacional de Educação) .

    Conheça o programa Pé-de-Meia
    Conheça o programa Pé-de-Meia — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Ainda que não conste nas propostas de Lula, o ministro diz que a ideia de universalizar o Pé-de-Meia para todos os alunos do ensino médio segue firme dentro do governo. O programa federal que paga a estudantes bolsas como incentivo à permanência na escola.

    Divulgado neste mês, o Ideb [indicador federal de qualidade da educação] subiu em todas as etapas , mas reforçou tendência dos últimos anos, de avanço lento, com uma melhora nos anos iniciais que perde força nas etapas seguintes. Como encarar esses resultados com o pé no chão? A gente é otimista e está muito feliz com o que aconteceu de 20 anos para cá. A escola brasileira é tardia. Enquanto outras nações começaram no pós-guerra a investir pesadamente em educação, nós passamos o século 20 inteiro com 2,5%, 1% do PIB. Esse é o nosso retrato, aliado aos 300 anos de escravidão, que marcam profundamente as desigualdades no Brasil até hoje.

    Tem um argumento apontado por alguns economistas de que a escola brasileira é ineficiente. O dado concreto é que até hoje investimos 1/3 por aluno do que investem os países da OCDE [grupo de países ricos]. Então, que ineficiência é essa?

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    A educação respondeu nesses últimos 20 anos em que dobramos o orçamento em educação. A resposta se traduz na melhoria do acesso, trajetória e proficiência, ainda que a proficiência seja talvez o último capítulo para a gente, de vez, ter uma educação de qualidade para todos.

    Isso não tira de nós a responsabilidade. E temos uma janela histórica em que o número de estudantes vai diminuindo e o financiamento vai aumentar acima da inflação pelas projeções nos próximos dez anos.

    É comum ouvir de eleitores do Lula a sensação de que o atual governo não fez o suficiente, inclusive quando comparado a outros mandatos. Como avalia isso do ponto de vista da educação? Alcançamos várias vitórias e fizemos um trabalho satisfatório. Claro que gostaríamos de fazer mais, mas pelo estado em que pegamos o ministério, com alternância de comando [Bolsonaro teve quatro ministros da Educação ], sem direcionamento ou coordenação federativa, temos muito motivo para celebrar.

    logo do produto folha de redação
    logo do produto folha de redação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Porque não foi fácil reconstruir. E talvez só não foi mais destruído por incompetência deles, porque o objetivo claro era o desmonte do MEC, em linha com o que a extrema direita faz no mundo inteiro. Então precisamos retomar a coordenação federativa, recompor o orçamento, criar programas e dar diretrizes.

    Olhando o plano de governo para eleição, as promessas são tímidas e há mais espaço retomando o que foi feito no mandato, sob o argumento de que Bolsonaro destruiu a área. Como convencer a sociedade ao manter esse discurso, sem promessas mais efetivas? Existe uma estratégia de campanha da qual eu, obviamente, não participo. O que nós temos aqui é o Plano Nacional de Educação, que nos guia, e a obsessão pelo tempo integral, pela melhoria da aprendizagem com equidade. Do ponto de vista do ministério, a gente tem e terá um plano muito ousado.

    Os planos de universalizar o Pé-de-Meia ficaram de fora do programa da campanha. A ideia foi abandonada? Está em discussão. Avaliaremos as condições fiscais e se a expansão será gradativa. A tendência dentro do governo é expandir.

    Sobre ampliação do tempo educação integral, como e quando isso será feito? Com o bônus demográfico, a redução do número de estudantes e o crescimento do Fundeb [mecanismo de financiamento da educação básica] acima da inflação, o investimento por aluno vai subir de forma inédita. Vai permitir financiar o custeio das escolas de tempo integral, que é uma condição indispensável para a melhoria da proficiência, como atestam todas as pesquisas internacionais.

    Estamos avaliando os estudos sobre os custos, mas o plano está pronto para ser apresentado em outubro.

    Para a infraestrutura, que é a nossa grande dívida histórica, o PNE e um projeto de lei preveem o aporte de recursos do Fundo Social do Pré-Sal. Com essa conjunção de fatores, de recursos do Fundeb para custeio e do pré-sal para construções, o Brasil tem todas as condições de realizar a expansão definitiva da escola pública de tempo integral.

    E o tempo integral tem ainda uma dimensão social, principalmente com as mulheres. É muito injusto o país não oferecer uma educação em tempo integral para os filhos das mulheres que mais precisam.

    No começo deste governo, a educação integral também foi colocada como prioridade. Depois, por causa do custo do Pé-de-Meia, o modelo perdeu dinheiro , e o governo colocou a expansão para ser financiada com o Fundeb. A rubrica de tempo integral acabou perdendo espaço nessa escolha. Mas o dinheiro do Pé-de-Meia foi um aporte adicional, quando você olha o que aconteceu a partir de 2023. Nosso discricionário [gastos não obrigatórios] era em torno de R$ 20 bilhões em 2022, em 2023 foi para R$ 40 bilhões, e de 2025 para 2026 subimos R$ 10 bilhões, que é o que se gasta no Pé-de-Meia. E o Fundeb cresceu em torno de R$ 20 bilhões no último ano. Então tem recurso para investir.

    O PNE prevê 50% de matrículas em tempo integral em dez anos, mas, se a gente puder fazer em quatro anos, melhor. Estamos avaliando a demanda e, conforme estamos fechando os estudos, talvez a meta seja um pouco maior.

    O sr. acredita que a direita tem uma visão diferente da esquerda do que seja educação de qualidade? Há uma diferença histórica e profunda sobre como a esquerda e a direita enxergam o papel do Estado na educação. Mas o ponto central é que não estamos lidando apenas com a direita tradicional, e, sim, com uma extrema direita que ataca e abomina a instituição escolar. Isso ficou evidente na asfixia orçamentária que eles promoveram [no governo Bolsonaro].

    Se olharmos para o que importa na gestão federal, que é o orçamento, eles não gostam da educação. Os ataques ao orçamento da educação e áreas sociais são incontestes. O orçamento de 2023 que o governo anterior enviou ao Congresso previa a compra de apenas um ônibus escolar para o país inteiro.

    Esse era o projeto deles para um segundo mandato: um corte brutal. Não é apenas uma visão diferente, é uma visão antagônica, expressa no sufocamento do orçamento.

    Como o sr. vê a evolução da rede estadual de SP, a maior do país? O secretário Renato Feder parece bem-intencionado, mas há um grave problema de subfinanciamento decorrente da emenda estadual que diminuiu o orçamento paulista da educação. Sem dúvida, isso terá efeitos deletérios na qualidade da educação paulista. Fico com pena dos gestores, porque qualquer centavo retirado nos obriga a correr para cobrir o buraco, e alguém sempre sai perdendo.

    Servidor federal desde 2002, ocupou diferentes funções no MEC e foi secretário-executivo da pasta de 2024 a abril de 2026, quando assumiu o cargo de ministro. Foi diretor da OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, Ciência e Cultura) no Brasil, secretário de Relações Internacionais e chefe de gabinete na Prefeitura de São Paulo, na gestão Fernando Haddad (PT). É graduado em direito e mestre em ciências sociais pela UnB.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/08/bolsonarismo-propoe-corte-brutal-na-educacao-e-abomina-a-area-diz-ministro-de-lula.shtml.

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    O ministro da Educação, Leonardo Barchini, durante entrevista à Folha em seu gabinete - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: UOL

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