Bolsa sobe com disparada do petróleo e cenário eleitoral no radar; dólar ronda a estabilidade
A Bolsa sobe nesta quinta-feira (8), com o avanço do petróleo no exterior e em meio à expectativa pela divulgação de uma nova pesquisa do Datafolha sobre o 2º turno das eleições , prevista para depois do pregão. Leia mais (10/08/2026 - 09h54)

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A Bolsa sobe nesta quinta-feira (8), com o avanço do petróleo no exterior e em meio à expectativa pela divulgação de uma nova pesquisa do Datafolha sobre o 2º turno das eleições , prevista para depois do pregão.

Por volta das 11h30, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário, avançava 0,86%, aos 206.062 pontos, impulsionado pelas ações do setor petrolífero.
No mesmo horário, o dólar rondava a estabilidade, em leve queda de 0,08%, a R$ 5,009. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, tinha queda de 0,02%, próximo da estabilidade.
A alta do petróleo acompanha as tensões no Oriente Médio . Há temor de novos ataques dos EUA após reportagem da revista The Atlantic afirmar que o presidente Donald Trump estaria considerando uma ofensiva contra o Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. Segundo a publicação, a Casa Branca teria pedido ao Pentágono que elaborasse opções para atacar instalações iranianas antes da votação.

A reportagem afirmou que a dimensão e os alvos dos ataques ainda estavam sendo discutidos, mas acrescentou que uma operação mais ampla poderia estar sendo planejada para depois da votação de 3 de novembro.
Além disso, os ataques a petroleiros que navegavam pelo estreito de Hormuz atingiram na semana passada o maior número registrado em uma única semana desde o início da guerra com o Irã, de acordo com dados do Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), liderado pela Marinha dos Estados Unidos .
O número de embarcações que cruzaram o estreito de Hormuz caiu para o menor nível em mais de dois meses, em razão dos ataques na região.

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Antes do início do conflito entre EUA e Israel e o Irã, a via marítima era responsável por cerca de 20% da circulação mundial de petróleo. A possibilidade de um novo agravamento da guerra aumenta os temores de interrupção do fluxo pelo estreito de Hormuz e de uma inflação global mais persistente.
Nesse cenário, o petróleo Brent subia 5,34%, a US$ 105,61. A alta impulsionava as ações da Petrobras, com os papéis preferenciais subindo 2,20%.

O conflito tem pressionado os ativos globais. Na véspera, a perspectiva de retomada das tensões já apareceu nos preços, com os rendimentos dos Treasuries, títulos da dívida americana, atingindo o maior nível desde março de 2002. Na máxima, o rendimento do Treasury de dez anos chegou a 5,3624%. Nesta quinta-feira (8), a máxima até o momento foi de 5,351%, queda de 0,20%.
"Temos aqueles encadeamentos tradicionais: isso acaba fortalecendo o dólar, enfraquecendo o ouro e impactando alguns setores específicos. O setor imobiliário, por exemplo, acaba sofrendo, enquanto os bancos também têm apresentado uma performance mais fraca, diante da preocupação com a concessão de crédito em um ambiente de juros elevados", afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
No mercado doméstico, investidores voltam suas atenções para o cenário eleitoral. Flávio Bolsonaro ( PL ) terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula ( PT ). Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25.
Nunca houve uma virada do segundo colocado na disputa pela Presidência da República no segundo turno.
Por volta das 18h45, o instituto Datafolha divulgará uma nova pesquisa sobre a intenção de voto para o segundo turno da eleição, após o encerramento do pregão.
Parte dos analistas avalia que uma eventual alternância de poder, com Flávio no lugar de Lula, poderia resultar em uma condução fiscal mais sólida e reduzir a percepção de risco em relação aos ativos brasileiros.
A equipe responsável pelo programa econômico do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro estuda um pacote de medidas fiscais para viabilizar um ajuste inicial da ordem de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a cerca de R$ 250 bilhões , valor considerado razoável para estancar a trajetória de crescimento da dívida pública bruta.
O núcleo do plano mira as maiores rubricas do Orçamento federal: a desvinculação dos reajustes da Previdência Social e do BPC (Benefício de Prestação Continuada) em relação aos ganhos reais do salário mínimo, além do fim dos pisos constitucionais que atrelam os gastos com saúde e educação ao comportamento das receitas federais.
A expectativa de maior controle fiscal está relacionada à forte valorização dos ativos domésticos no começo da semana. Na segunda-feira , a Bolsa superou o patamar inédito de 200 mil pontos e chegou a 209.605 pontos, um novo recorde durante o período de negociações. O dólar, por outro lado, recuou para abaixo da marca de R$ 5. Na terça-feira, a moeda atingiu o menor patamar desde maio .
Com uma trajetória da dívida mais controlada, o governo poderia pagar um prêmio menor para se financiar, o que tende a aliviar a curva de juros. Taxas mais baixas, por sua vez, reduzem o custo do crédito para empresas e podem melhorar as perspectivas para os lucros, favorecendo a Bolsa.
Nesse cenário, os juros futuros continuam repercutindo o resultado eleitoral. Às 12h40, a taxa para janeiro de 2028 estava em 12,555%, queda de 0,03 ponto percentual, enquanto a taxa para janeiro de 2035 estava em 12,590%, recuo de 0,18 ponto percentual.
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Entre os bancos, o JPMorgan estima alta de 10% a 11% para as ações brasileiras, dólar entre R$ 4,95 e R$ 5 e fechamento da curva de juros com uma vitória de Flávio. O BTG Pactual projeta valorização de 11% a 20% para a Bolsa.
O Morgan Stanley vê espaço para ganhos maiores caso o resultado seja confirmado e haja avanço na agenda fiscal. O banco projeta dólar a R$ 4,50 e Ibovespa a 250 mil pontos no primeiro trimestre de 2027.
O UBS também prevê valorização dos ativos e projeta dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,60 e alta superior a 30% para a Bolsa nos próximos meses.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/dolar-abre-em-alta-com-disparada-do-petroleo-e-cenario-eleitoral-no-radar.shtml.

Pessoas permanecem próximas a um painel eletrônico que exibe informações sobre as oscilações dos índices do mercado na Bolsa de Valores, em São Paulo - Amanda Perobelli - 04.mar.2025/Reuters · Amanda Perobelli - 04.mar.2025/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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