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    Bolsa recua à espera de decisões de juros do Copom e do Fed, com petróleo no radar; dólar ronda estabilidade

    A Bolsa recua nesta quarta-feira (16), com investidores atentos às decisões de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central e do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA). Leia mais (09/16/2026 - 09h43)

    Folha de S.Paulo
    16 de setembro de 2026 às 12:43
    Bolsa recua à espera de decisões de juros do Copom e do Fed, com petróleo no radar; dólar ronda estabilidade
    Dois homens de costas, um apontando para tela grande que exibe gráfico em queda do índice IBOV, com valores em vermelho indicando perdas. Tela mostra variações de ações e dados financeiros em fundo preto. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A Bolsa recua nesta quarta-feira (16), com investidores atentos às decisões de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central e do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).

    Uma pessoa aponta para um painel eletrônico que exibe informações sobre flutuações recentes de índices de mercado na B3, em São Paulo - Amanda Perobelli - 4.abr.2025/Reuters · Amanda Perobelli - 4.abr.2025/Reuters
    Uma pessoa aponta para um painel eletrônico que exibe informações sobre flutuações recentes de índices de mercado na B3, em São Paulo - Amanda Perobelli - 4.abr.2025/Reuters · Amanda Perobelli - 4.abr.2025/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No Brasil, a expectativa é de redução da taxa básica de juros, a Selic. Nos Estados Unidos , o mercado espera uma elevação dos juros.

    A queda do petróleo no exterior também pesa sobre os negócios. Os preços da commodity recuam durante a sessão e pressionam o mercado acionário, revertendo os ganhos registrados na véspera.

    Por volta das 11h40, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,50%, a 185.555 pontos. No mesmo horário, o dólar avançava 0,01%, a R$ 5,154, praticamente estável.

    Entenda o impacto da inflação e dos juros dos EUA no Brasil
    Entenda o impacto da inflação e dos juros dos EUA no Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As atenções dos investidores estão voltadas para as decisões de juros dos bancos centrais do Brasil e dos EUA. O Fed comunica sua decisão de política monetária às 15h, e a previsão do mercado é de alta da faixa de 3,5% a 3,75% para 3,75% a 4%.

    A expectativa de alta, que antes estava concentrada na reunião de outubro, passou a incluir a decisão desta tarde em meio à inflação persistente. Segundo a ferramenta FedWatch, 93% das apostas indicavam uma elevação de 0,25 ponto percentual.

    O PCE, indicador de inflação preferido do Fed, subiu 3,7% nos 12 meses até julho. O CPI (índice de preços ao consumidor), último indicador divulgado antes da reunião, também avançou: a inflação acumulada em 12 meses até agosto foi de 3,4%, mesma taxa registrada em julho.

    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil
    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A inflação continua acima da meta do Fed e apresenta pouca melhora. No fim de agosto , Kevin Warsh, presidente do Fed, afirmou no simpósio de Jackson Hole que a instituição teria trabalho a fazer caso a alta de preços continuasse. Para Warsh, "o progresso nos últimos dois anos tem sido modesto" no combate à inflação.

    No comunicado da última reunião do Fed, em julho, o banco central afirmou que a atividade econômica continuava sólida, mas que a inflação permanecia acima da meta, em parte devido aos choques de oferta provocados pelo conflito no Oriente Médio . Nas últimas semanas, a guerra escalou, com novos ataques entre EUA e Irã e ofensivas contra embarcações e instalações de petróleo. O estreito de Hormuz também teve os fluxos interrompidos, e as cotações do petróleo voltaram a superar US$ 100 .

    A decisão ocorre ainda sob pressão de Donald Trump pela redução dos juros. Nesta semana , o presidente americano afirmou que "nenhum país deveria ter taxas de juros inferiores às dos Estados Unidos". Kevin Warsh, indicado por Trump para presidir o Fed em substituição a Jerome Powell , assumiu o cargo em meio às críticas do republicano ao banco central.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Caso se confirme, a alta será a primeira promovida pelo Fed desde julho de 2023 e a primeira sob a gestão de Warsh.

    "Se a alta de 0,25 ponto percentual for confirmada, o foco dos investidores passará para o número de votos dissidentes, que servirá como termômetro da coesão do comitê em relação ao ciclo monetário [...] Em linhas gerais, uma elevação dos juros americanos tende a atrair capital para os Estados Unidos e fortalecer o dólar globalmente", diz Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.

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     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O dia também é marcado pela decisão do Copom , que será divulgada a partir das 18h, após o fechamento do mercado. A mediana das estimativas de analistas consultados pela Bloomberg é de redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano.

    Por aqui, analistas apontam a melhora dos indicadores de inflação como um dos fatores que justificam a redução da taxa básica de juros. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou para 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto .

    Caso se confirmem as expectativas, as decisões tendem a reduzir a atratividade da estratégia de carry trade. Nela, investidores tomam recursos em economias com taxas de juros mais baixas, como os EUA, e aplicam em países com juros mais altos, como o Brasil.

    "A redução desse diferencial, com tudo mais constante, acaba sendo um vento contrário para o real, porque torna o carry trade menos atrativo, reduzindo o incentivo para quem realiza essa operação", afirma Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue.

    A tensão na guerra do Irã segue no radar dos investidores. Nesta quarta-feira, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, recua mais de 1%. Ao contrário da véspera, quando o movimento favoreceu as ações da Petrobras, a baixa hoje pesa sobre os ativos locais.

    O recuo ocorre após a Arábia Saudita afirmar que destruiu um drone lançado pelos houthis em direção à cidade sagrada de Meca.

    Desde a semana passada, o grupo do Iêmen passou a atacar cidades sauditas, atingindo oleodutos e refinarias e interrompendo o tráfego pelo estreito de Bab el-Mandeb.

    A política brasileira influencia os negócios, em meio à crise envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro.

    A divulgação do conteúdo levou a novos desdobramentos no tribunal, incluindo o afastamento de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e de André Mendonça, relator dos casos do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), do caso que apura a ligação entre o ministro e Vorcaro.

    Na terça-feira (15), começou a sessão sobre a atuação de Moraes e sua relação com Vorcaro. O julgamento, contudo, foi interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino .

    A interpretação predominante no mercado é de que o desgaste do STF pode favorecer mais a campanha de Flávio Bolsonaro do que a de Lula, uma vez que o senador é historicamente crítico ao Supremo e usa esse discurso para defender o impeachment de ministros da corte.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/dolar-abre-em-queda-a-espera-de-decisoes-de-juros-do-copom-e-do-fed.shtml.

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