Bolsa recua à espera de decisões de juros do Copom e do Fed, com petróleo no radar; dólar ronda estabilidade
A Bolsa recua nesta quarta-feira (16), com investidores atentos às decisões de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central e do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA). Leia mais (09/16/2026 - 09h43)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
A Bolsa recua nesta quarta-feira (16), com investidores atentos às decisões de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central e do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).

No Brasil, a expectativa é de redução da taxa básica de juros, a Selic. Nos Estados Unidos , o mercado espera uma elevação dos juros.
A queda do petróleo no exterior também pesa sobre os negócios. Os preços da commodity recuam durante a sessão e pressionam o mercado acionário, revertendo os ganhos registrados na véspera.
Por volta das 11h40, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,50%, a 185.555 pontos. No mesmo horário, o dólar avançava 0,01%, a R$ 5,154, praticamente estável.

As atenções dos investidores estão voltadas para as decisões de juros dos bancos centrais do Brasil e dos EUA. O Fed comunica sua decisão de política monetária às 15h, e a previsão do mercado é de alta da faixa de 3,5% a 3,75% para 3,75% a 4%.
A expectativa de alta, que antes estava concentrada na reunião de outubro, passou a incluir a decisão desta tarde em meio à inflação persistente. Segundo a ferramenta FedWatch, 93% das apostas indicavam uma elevação de 0,25 ponto percentual.
O PCE, indicador de inflação preferido do Fed, subiu 3,7% nos 12 meses até julho. O CPI (índice de preços ao consumidor), último indicador divulgado antes da reunião, também avançou: a inflação acumulada em 12 meses até agosto foi de 3,4%, mesma taxa registrada em julho.

A inflação continua acima da meta do Fed e apresenta pouca melhora. No fim de agosto , Kevin Warsh, presidente do Fed, afirmou no simpósio de Jackson Hole que a instituição teria trabalho a fazer caso a alta de preços continuasse. Para Warsh, "o progresso nos últimos dois anos tem sido modesto" no combate à inflação.
No comunicado da última reunião do Fed, em julho, o banco central afirmou que a atividade econômica continuava sólida, mas que a inflação permanecia acima da meta, em parte devido aos choques de oferta provocados pelo conflito no Oriente Médio . Nas últimas semanas, a guerra escalou, com novos ataques entre EUA e Irã e ofensivas contra embarcações e instalações de petróleo. O estreito de Hormuz também teve os fluxos interrompidos, e as cotações do petróleo voltaram a superar US$ 100 .
A decisão ocorre ainda sob pressão de Donald Trump pela redução dos juros. Nesta semana , o presidente americano afirmou que "nenhum país deveria ter taxas de juros inferiores às dos Estados Unidos". Kevin Warsh, indicado por Trump para presidir o Fed em substituição a Jerome Powell , assumiu o cargo em meio às críticas do republicano ao banco central.

Caso se confirme, a alta será a primeira promovida pelo Fed desde julho de 2023 e a primeira sob a gestão de Warsh.
"Se a alta de 0,25 ponto percentual for confirmada, o foco dos investidores passará para o número de votos dissidentes, que servirá como termômetro da coesão do comitê em relação ao ciclo monetário [...] Em linhas gerais, uma elevação dos juros americanos tende a atrair capital para os Estados Unidos e fortalecer o dólar globalmente", diz Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

O dia também é marcado pela decisão do Copom , que será divulgada a partir das 18h, após o fechamento do mercado. A mediana das estimativas de analistas consultados pela Bloomberg é de redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano.
Por aqui, analistas apontam a melhora dos indicadores de inflação como um dos fatores que justificam a redução da taxa básica de juros. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou para 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto .
Caso se confirmem as expectativas, as decisões tendem a reduzir a atratividade da estratégia de carry trade. Nela, investidores tomam recursos em economias com taxas de juros mais baixas, como os EUA, e aplicam em países com juros mais altos, como o Brasil.
"A redução desse diferencial, com tudo mais constante, acaba sendo um vento contrário para o real, porque torna o carry trade menos atrativo, reduzindo o incentivo para quem realiza essa operação", afirma Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue.
A tensão na guerra do Irã segue no radar dos investidores. Nesta quarta-feira, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, recua mais de 1%. Ao contrário da véspera, quando o movimento favoreceu as ações da Petrobras, a baixa hoje pesa sobre os ativos locais.
O recuo ocorre após a Arábia Saudita afirmar que destruiu um drone lançado pelos houthis em direção à cidade sagrada de Meca.
Desde a semana passada, o grupo do Iêmen passou a atacar cidades sauditas, atingindo oleodutos e refinarias e interrompendo o tráfego pelo estreito de Bab el-Mandeb.
A política brasileira influencia os negócios, em meio à crise envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro.
A divulgação do conteúdo levou a novos desdobramentos no tribunal, incluindo o afastamento de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e de André Mendonça, relator dos casos do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), do caso que apura a ligação entre o ministro e Vorcaro.
Na terça-feira (15), começou a sessão sobre a atuação de Moraes e sua relação com Vorcaro. O julgamento, contudo, foi interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino .
A interpretação predominante no mercado é de que o desgaste do STF pode favorecer mais a campanha de Flávio Bolsonaro do que a de Lula, uma vez que o senador é historicamente crítico ao Supremo e usa esse discurso para defender o impeachment de ministros da corte.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/dolar-abre-em-queda-a-espera-de-decisoes-de-juros-do-copom-e-do-fed.shtml.

Uma pessoa aponta para um painel eletrônico que exibe informações sobre flutuações recentes de índices de mercado na B3, em São Paulo - Amanda Perobelli - 4.abr.2025/Reuters · Amanda Perobelli - 4.abr.2025/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

