Economia

    Bolsa e eleições: o que 5 ciclos revelam sobre o Ibovespa entre os turnos

    Ilustração horizontal mostra um ambiente inspirado na Bolsa brasileira, com gráficos de alta e queda, urna eleitoral e elementos visuais ligados ao Brasil, simbolizando a reação do mercado ao processo eleitoral. " data-image-caption=" Imagem conceitual representa a relação entre eleições, Ibovespa e volatilidade no mercado brasileiro. Imagem gerada com uso de IA. " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/09/ChatGPT-Image-15-de-set.-de-2026-18_12_15.jpg?fit=1280%2C720&quality=70&strip=all" />Estudo mostra predominância de altas entre as votações, mas episódios de f

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    16 de setembro de 2026 às 08:01
    Bolsa e eleições: o que 5 ciclos revelam sobre o Ibovespa entre os turnos
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    Ilustração horizontal mostra um ambiente inspirado na Bolsa brasileira, com gráficos de alta e queda, urna eleitoral e elementos visuais ligados ao Brasil, simbolizando a reação do mercado ao processo eleitoral.

    Imagem conceitual representa a relação entre eleições, Ibovespa e volatilidade no mercado brasileiro. Imagem gerada com uso de IA.

    O Ibovespa terminou o período entre o primeiro e o segundo turno em alta em quatro das últimas cinco eleições presidenciais. O histórico, porém, mostra que o caminho entre as duas votações foi bem menos uniforme do que esse saldo sugere.

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    É o que aponta estudo elaborado por André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, a partir das eleições de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022.

    Em 2014, por exemplo, foram registrados seis pregões com variações superiores a 3% em cerca de 14 dias úteis entre os turnos. Em 2022, o período teve uma sessão isolada de queda de 4,4%.

    Os episódios mostram como o desempenho acumulado do índice pode esconder movimentos importantes ocorridos dentro do intervalo entre as votações.

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    O ciclo de 2014 é um dos exemplos mais claros. Em aproximadamente duas semanas de negociação entre as votações, seis pregões registraram movimentos superiores a 3%, segundo o estudo. Em 2022, houve uma sessão de queda de 4,4%, mesmo com o Ibovespa encerrando o período entre os turnos no campo positivo.

    Para Moraes, olhar apenas para os pontos de partida e chegada pode esconder a intensidade das oscilações ocorridas no percurso.

    Uma valorização acumulada pode incluir quedas acentuadas, recuperações e mudanças rápidas de direção antes de chegar ao resultado final.

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    A leitura dos ciclos eleitorais, portanto, vai além de saber se o índice terminou o intervalo em alta ou em queda. O comportamento das sessões no caminho também ajuda a dimensionar como o mercado absorveu as novas informações que surgiram entre as duas votações.

    Outro ponto levantado por Moraes no estudo é o papel das expectativas formadas antes da votação.

    Segundo o analista, o mercado começa a incorporar diferentes cenários eleitorais aos preços antes mesmo de os votos serem contabilizados. A reação depois das urnas, assim, não dependeria apenas do resultado, mas também da diferença entre aquilo que aconteceu e o cenário que os investidores já vinham precificando.

    Mercado financeiro brasileiro em período eleitoral, com painéis de ações, urna e referências ao Brasil.
    Mercado financeiro brasileiro em período eleitoral, com painéis de ações, urna e referências ao Brasil. — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    “O risco não é o resultado da eleição. O risco é a distância entre o resultado e o que já estava no preço”, afirma Moraes.

    Nessa leitura, a confirmação de um cenário amplamente esperado pode produzir uma reação diferente daquela observada quando o resultado surpreende as expectativas.

    Parte da movimentação dos ativos pode, inclusive, ocorrer antes da votação. À medida que pesquisas, declarações, propostas econômicas e outros sinais políticos alteram as expectativas, os investidores ajustam suas posições e os preços incorporam essas mudanças.

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    É nesse contexto que o chamado trade eleitoral volta a ganhar espaço no mercado em 2026. Mais do que simplesmente apostar na vitória ou derrota de um candidato, o movimento reflete tentativas de antecipar como diferentes cenários podem afetar empresas, setores, juros, câmbio e Bolsa.

    Observar apenas o Ibovespa também pode esconder outra característica destacada por Moraes: os diferentes segmentos da Bolsa não necessariamente reagem da mesma maneira ao cenário eleitoral.

    “Em eleição, os setores não andam juntos”, afirma o analista.

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    Estatais, bancos, elétricas, exportadoras e empresas voltadas ao consumo doméstico estão entre os grupos citados por Moraes como exemplos de segmentos que podem responder de forma distinta a um mesmo resultado eleitoral.

    Isso ocorre porque cada grupo está exposto de maneira diferente a fatores que podem ser afetados pelas expectativas em torno do próximo governo.

    Empresas controladas pelo Estado podem reagir às expectativas sobre gestão e política de investimentos. Bancos e companhias de consumo tendem a ser sensíveis às perspectivas para juros e atividade econômica. Exportadoras, por sua vez, também respondem ao comportamento do câmbio e ao ambiente internacional.

    Por isso, uma alta do Ibovespa não significa necessariamente valorização generalizada das ações. Da mesma forma, um pregão negativo para o índice pode esconder papéis ou setores andando na direção contrária.

    A dispersão entre os ativos acrescenta, assim, outra camada à leitura do período eleitoral: além da direção do índice, importa observar quais empresas e setores concentram os maiores movimentos.

    Os ciclos anteriores deixam alguns pontos importantes para acompanhar quando a eleição de 2026 entrar em sua fase decisiva.

    O primeiro é que o resultado acumulado do Ibovespa entre as votações pode esconder movimentos bem mais intensos ao longo das sessões.

    O segundo passa pelas expectativas. Para Moraes, a reação dos ativos depende de quanto de determinado cenário eleitoral já foi incorporado aos preços e de quanto uma nova informação obriga o mercado a rever essas posições.

    Há ainda a dispersão entre setores. Mesmo diante de um único resultado nas urnas, diferentes grupos de ações podem responder de maneiras distintas, conforme sua exposição à política econômica, juros, câmbio, atividade doméstica ou decisões do governo.

    O histórico das eleições anteriores, portanto, ajuda menos a apontar uma direção predeterminada para a Bolsa e mais a mostrar quais movimentos merecem atenção entre uma votação e outra.

    Por fim, como ressalta o estudo, o desempenho passado não representa garantia de resultado futuro.

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