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    Bodycams mostram PMs matando jovem rendido em Paraisópolis

    Os dois PMs que atiraram contra o jovem foram absolvidos pelo Tribunal do Júri no dia 30 de julho deste ano. O caso ocorreu no ano passado

    Metrópoles
    7 de agosto de 2026 às 20:14
    Bodycams mostram PMs matando jovem rendido em Paraisópolis
    Foto: Metrópoles

    Novas imagens de câmeras corporais da Polícia Militar ( PM ) mostram que Igor Oliveira de Moraes Santos , de 24 anos, estava rendido, com as duas mãos visíveis, e não apresentou resistência ou fez movimentos bruscos antes de ser morto a tiros , em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo . Após os tiros, os policiais sussurraram entre si e comentaram sobre as bodycams. O caso ocorreu em julho de 2025.

    No vídeo, é possível ver os policiais entrarem na casa onde estavam os suspeitos e encontrá-los em um quarto. Assim que os PMs abrem a porta do cômodo, os indivíduos já levantam as mãos e se rendem, sem resistir à abordagem ou realizar qualquer movimentação suspeita.

    No entanto, um dos policiais atira duas vezes contra uma parede, enquanto os suspeitos reforçam a rendição: “Perdeu. Perdeu, chefe”, implorou um.

    Reprodução / Polícia Militar
    Reprodução / Polícia Militar — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Segundos depois, dois policiais atiram de novo. Dessa vez, eles acertam e matam Igor Oliveira. As imagens mostram que o segundo tiro foi dado quando Igor já estava neutralizado. Outros suspeitos foram baleados, mas sobreviveram e foram algemados e detidos pelos agentes.

    Com o fim dos disparos, os policiais começaram a sussurrar entre si. Em certo momento, um dos PMs que atirou em Igor comentou sobre a câmera corporal. Segundo a Polícia Militar ( PM ), os agentes não sabiam que as câmeras estavam gravando.

    Após a ação, um superior hierárquico dos policiais chegou ao local da ocorrência e pediu explicações aos soldados. O diálogo foi registrado em vídeo:

    Imagem das câmeras corporais dos policiais militares (PMs) envolvidos na morte de Igor Oliveira de Moraes Santos - Metrópoles
    Imagem das câmeras corporais dos policiais militares (PMs) envolvidos na morte de Igor Oliveira de Moraes Santos - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    — Superior hierárquico: Senhores, como é que foi aí? Alguém pode explicar como é que foi desde o começo? — PMs: […] Eles estavam todos atrás da cama. Às vezes ‘pá’, às vezes levantavam as mãos. E as armas tudo embaixo da cama, no alcance da mão deles. — PMs: Toda hora ciscando, abaixa a mão, abaixa e levanta. Teve até um que meio que sacou e aí a gente… — Superior hierárquico: Daí vocês viram isso na mão dele? — PMs: É. Viu um cabo de madeira ali, né.. — Superior hierárquico: Vocês já sabiam que a arma estava debaixo da cama? — PMs: Não. Não sabia.

    Conforme registrado no vídeo e mostrado pela reportagem, todos os suspeitos estavam com as mãos levantadas e rendidos no momento dos disparos.

    Os soldados Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, apontados pelo Ministério Público de São Paulo ( MPSP ) como os autores dos disparos que mataram o jovem durante a abordagem, foram inocentados pelo Tribunal do Júri , após três dias de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste da capital paulista.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Durante o julgamento, o MPSP manteve a acusação dos PMs por homicídio sob a versão de que Renato e Robson foram os responsáveis pelos tiros que mataram Igor rendido. Em contramão, a defesa dos oficiais afirmou que não havia provas suficientes para confirmar essa versão e também alegou que os policiais agiram em legítima defesa.

    Na votação, os jurados entenderam que os dois policiais participaram da morte de Igor. Mesmo assim, a maioria decidiu absolvê-los. Com esse resultado, a juíza Luiza Torggler Silva confirmou a decisão do júri e determinou a soltura de ambos, que estavam presos no Presídio Militar Romão Gomes.

    Os outros dois policiais militares envolvidos, Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, também respondem pelo caso. De acordo com o Ministério Público, eles teriam colaborado com o crime. O processo deles foi separado e ainda não há data para o julgamento.

    Em nota, os advogados Gabriela Amoras, Jonatha Carvalho Matos e Wilson Zaska, que representam a família de Igor Oliveira, informaram que já recorreram da decisão que absolveu os dois policiais militares. Segundo a defesa, o resultado do julgamento contraria as provas apresentadas ao longo do processo. Os advogados afirmaram ainda que esperam que o Tribunal de Justiça determine a realização de um novo julgamento pelo Tribunal do Júri.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/bodycams-mostram-pms-matarem-jovem-rendido-e-com-maos-a-mostra-em-sp.

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