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    BNDES pode virar sócio de refinaria de terras raras em MG

    Banco ainda estuda se apoio será por crédito ou participação acionária; planta em MG pode virar hub para diversos projetos de terras raras, enquanto Lynas mantém Malásia como alternativa

    CNN Brasil
    2 de outubro de 2026 às 07:30
    BNDES pode virar sócio de refinaria de terras raras em MG
    Foto: CNN Brasil

    O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) estuda participar do projeto de uma futura planta de refino e separação de óxidos de terras raras ligada à Lynas Rare Earths e à Meteoric Resources em Minas Gerais e avalia até entrar como sócio do empreendimento, segundo fontes ouvidas pela CNN.

    A participação do banco no projeto está praticamente acertada, de acordo com interlocutores envolvidos nas conversas.

    O que ainda está em discussão é o formato do apoio: se será concedido um financiamento ou se o BNDES entrará por meio de uma participação acionária , passando a dividir o risco e o retorno do empreendimento com os investidores privados.

    Logo do BNDES no prédio do banco no Rio de Janeiro • 8 de janeiro de 2019REUTERS/Sergio Moraes · • 8 de janeiro de 2019REUTERS/Sergio Moraes
    Logo do BNDES no prédio do banco no Rio de Janeiro • 8 de janeiro de 2019REUTERS/Sergio Moraes · • 8 de janeiro de 2019REUTERS/Sergio Moraes — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    No caso de participação acionária, a entrada poderia ocorrer por meio da BNDESPar, braço de participações do BNDES. Nesse modelo, o banco passaria a deter uma fatia do empreendimento.

    Ainda não há definição sobre o valor do aporte ou sobre qual instrumento do banco será utilizado.

    A possibilidade de participação do BNDES ganhou respaldo público nesta quinta-feira (1º), durante uma teleconferência da Lynas com investidores. Daniel Havas, vice-presidente de Estratégia e Relações com Investidores da mineradora australiana, afirmou que o banco de desenvolvimento brasileiro demonstrou “grande interesse” em participar do projeto.

    Sigma suspende produção em MG enquanto aguarda decisão da Justiça
    Sigma suspende produção em MG enquanto aguarda decisão da Justiça — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo ele, a presença do banco significaria ter o Brasil com “skin in the game” — expressão usada para indicar que o país teria participação direta e interesses financeiros ligados ao sucesso do empreendimento.

    O banco já vinha mantendo conversas com a Meteoric.

    A planta estudada para a região de Poços de Caldas pode ganhar uma dimensão maior do que atender apenas o projeto Caldeira, hoje controlado pela Meteoric.

    Lynas planeja planta de refino de terras raras em MG, diz ministro à CNN
    Lynas planeja planta de refino de terras raras em MG, diz ministro à CNN — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo fontes ouvidas pela CNN, uma das possibilidades discutidas é que a unidade receba matéria-prima de outros projetos de terras raras da região. Nesse cenário, a instalação funcionaria como uma espécie de hub de processamento, concentrando uma das etapas mais complexas da cadeia para diferentes minas.

    O desenho ainda não está fechado e dependerá, entre outros fatores, da compatibilidade técnica dos produtos produzidos pelos diferentes projetos.

    A região de Poços de Caldas concentra uma série de projetos de terras raras, o que aumenta a possibilidade de compartilhamento de infraestrutura no futuro.

    Governo vê caso Meteoric como referência e sinaliza aval no conselho
    Governo vê caso Meteoric como referência e sinaliza aval no conselho — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A proposta apresentada ao governo prevê a instalação de uma planta de separação de óxidos de terras raras na região, segundo afirmou à CNN o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O ministro disse que a unidade poderia se tornar uma das maiores do setor fora da China.

    A separação é uma etapa posterior à extração e ao primeiro processamento do minério. É nela que o produto intermediário é transformado em óxidos separados de elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, utilizados principalmente na fabricação de ímãs permanentes.

    Apesar das conversas no Brasil, a Lynas ainda evita tratar publicamente a construção da planta brasileira como uma decisão definitiva.

    Sigma suspende produção em MG enquanto aguarda decisão da Justiça
    Sigma suspende produção em MG enquanto aguarda decisão da Justiça — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Na teleconferência com investidores, Havas destacou repetidamente a “flexibilidade” que a aquisição da Meteoric dará à empresa para decidir onde refinar a produção de Caldeira.

    A Lynas já possui uma grande estrutura de separação na Malásia e pretende elevar a capacidade downstream no país para 12 mil toneladas por ano. Segundo Havas, à medida que Caldeira entrar em produção, o novo material permitirá à companhia aumentar a utilização dessa estrutura e, futuramente, produzir acima desse patamar.

    O executivo disse que o plano inicial é produzir em Caldeira um carbonato misto de terras raras, conhecido pela sigla MREC, e enviar esse material para separação na Malásia. Ao mesmo tempo, afirmou que a companhia poderá, “ao longo do tempo”, avaliar o desenvolvimento de processamento downstream no Brasil.

    Lynas planeja planta de refino de terras raras em MG, diz ministro à CNN
    Lynas planeja planta de refino de terras raras em MG, diz ministro à CNN — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A estratégia permitiria à Lynas manter duas alternativas. Aproveitar uma estrutura industrial já existente e de baixo custo na Malásia ou avançar com uma nova cadeia de processamento no Brasil.

    Segundo Havas, uma instalação brasileira também daria à companhia a possibilidade de abastecer diretamente clientes do Hemisfério Ocidental.

    A diferença entre o discurso mais assertivo do governo brasileiro e a linguagem cautelosa da Lynas também está relacionada ao estágio da aquisição, segundo fontes ouvidas pela CNN.

    Governo vê caso Meteoric como referência e sinaliza aval no conselho
    Governo vê caso Meteoric como referência e sinaliza aval no conselho — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A intenção das empresas é avançar com etapas downstream no Brasil, afirmam esses interlocutores. A companhia, porém, evita assumir compromissos definitivos enquanto a compra da Meteoric ainda precisa cumprir o rito societário e judicial previsto na Austrália.

    A Lynas fechou acordo para adquirir 100% da Meteoric em uma operação integralmente em ações, avaliada em A$ 968 milhões, cerca de R$ 3,5 bilhões. O negócio ainda precisa ser aprovado pelos acionistas da Meteoric, pela Justiça australiana e pelas autoridades brasileiras.

    Por isso, fontes do setor privado afirmam que termos como “avaliar”, “potencial” e “flexibilidade”, usados pela Lynas nas comunicações ao mercado, também refletem uma precaução antes da conclusão formal da transação.

    Isso não significa que já exista uma decisão final de investimento para a refinaria.

    Capacidade, cronograma, desenho financeiro e participação de outros projetos ainda precisarão ser definidos.

    Mas a possível entrada do BNDES reduz uma das principais incertezas para a opção brasileira: como financiar uma nova estrutura industrial em um momento em que a Lynas já dispõe de capacidade instalada na Malásia.

    O movimento ocorre enquanto o governo tenta aumentar o processamento de minerais críticos dentro do país. A política sancionada em setembro estabeleceu a agregação de valor no território brasileiro como uma das diretrizes para o setor.

    Procurado, o BNDES afirmou que não se manifesta sobre projetos que ainda não foram, aprovados.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/bndes-pode-virar-socio-de-refinaria-de-terras-raras-em-mg/.

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