BNDES negocia empréstimo e sociedade em projeto bilionário de terras raras em MG
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) negocia o financiamento de um projeto bilionário de terras raras previsto para ser erguido no sul de Minas Gerais. Leia mais (10/07/2026 - 11h00)

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Brasília O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) negocia o financiamento de um projeto bilionário de terras raras previsto para ser erguido no sul de Minas Gerais.

O chamado Projeto Caldeira prevê a instalação de etapas industriais no Brasil para o processamento desses minerais, em vez da simples exportação do minério. Conforme informações obtidas pela Folha , a transação poderá incluir, ainda, a entrada do BNDESPar —o braço de participações do banco estatal— no negócio como sócio minoritário do projeto.
A parceria financeira envolve a companhia australiana já instalada na região, Meteoric Resources . A mineradora foi adquirida nesta semana pelo grupo australiano Lynas, numa transação de aproximadamente R$ 3,5 bilhões .
O banco estatal já mantinha negociações com a Meteoric antes da chegada da Lynas. As tratativas fazem parte de uma iniciativa do BNDES com a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), lançada em janeiro de 2025, numa chamada pública para industrialização de minerais estratégicos no país.

O projeto da Meteoric está entre os dez mais avançados dentro da carteira do programa que, em junho de 2025, selecionou 56 planos de negócios que somam R$ 45,8 bilhões em planos de investimentos apresentados pelas empresas.
O negócio entre BNDES e Meteoric ainda não está fechado, mas pessoas próximas da operação afirmam que a concessão de crédito é a etapa mais avançada, em vez de uma possível sociedade.
Ainda não há definição sobre o valor de financiamento que deve ser repassado ao projeto. O estudo de viabilidade do Projeto Caldeira estima um valor total de US$ 498 milhões, cerca de R$ 2,6 bilhões, para desenvolver a planta.

Segundo informações obtidas pela reportagem, a entrada da Lynas na operação foi tratada com o BNDES antes mesmo de o anúncio de aquisição ter sido formalizado pela empresa, nesta semana.
No dia 17 de setembro, houve uma reunião no Rio de Janeiro com representantes das duas companhias australianas e diretores do BNDES. A aquisição da Meteoric pela Lynas foi oficializada no dia 30 de setembro, na bolsa da Austrália.
Questionado sobre o assunto, o BNDES declarou que "não comenta operações não aprovadas", ou seja, projetos que ainda estão em análise.

Internamente, o banco estatal vê no projeto Caldeira o principal empreendimento no país com capacidade de dar o pontapé no plano de formar uma cadeia nacional de beneficiamento de terras raras e minerais críticos , tornando-se uma alternativa global à produção concentrada na China .
Por meio de nota, a Meteoric declarou, referindo-se ao BNDES, que "mantém, desde o início do Projeto Caldeira, diálogo institucional com as diferentes partes interessadas, pautado pela transparência e pelo compromisso com o desenvolvimento do projeto".
A empresa afirmou que, "após o anúncio, em 30 de setembro, da intenção de aquisição da Meteoric pela Lynas, a Lynas informou que pretende avaliar diferentes alternativas de financiamento para apoiar o futuro desenvolvimento do Projeto Caldeira, incluindo financiamento estratégico, financiamento de projetos e recursos próprios".
A entrada da Lynas nesta operação é vista como um fator que pode facilitar a concessão de crédito, porque o grupo tem maior capacidade financeira e de oferecer garantias. Ao mesmo tempo, a mudança de controle vai exigir que sejam revisadas a habilitação e a estrutura societária apresentada ao banco. Não há prazo definido para concluir a análise.
A operação entre Meteoric e Lynas prevê que a fusão seja feita integralmente em ações. Os acionistas da Meteoric passarão a deter 5,9% da companhia combinada.
A Meteoric é uma empresa australiana sediada em Perth, com ações negociadas na Bolsa da Austrália. No Brasil, mantém a Meteoric Caldeira Mineração, com endereço em Poços de Caldas, região onde o projeto está instalado, abrangendo ainda áreas de Andradas e Caldas.
A empresa adquiriu os direitos de exploração das terras raras de Caldeira a partir de um acordo com a brasileira Togni Materiais Refratários, em dezembro de 2022. A empresa ainda precisa cumprir etapas de licenciamento e antes da implantação e operação comercial.
A Lynas já atua na mineração e no processamento de terras raras, com operações na Austrália e na Malásia. No anúncio da aquisição, a empresa apresentou o processamento adicional no Brasil como uma possibilidade a ser avaliada.
Uma eventual participação do BNDES numa sociedade brasileira controlada pela Lynas não tornaria o banco automaticamente acionista da matriz australiana. A possibilidade desse investimento e seu alcance continuam em discussão.
As terras raras são um grupo de elementos usados em produtos como motores de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Parte deles é essencial para fabricar ímãs permanentes de alto desempenho, capazes de gerar força magnética em peças pequenas e leves.
A extração do minério e a sua separação são etapas diferentes. Na mina, o material pode ser tratado para produzir um concentrado que reúne vários elementos. Uma unidade de separação recebe essa mistura e produz materiais específicos, com características e pureza para cada aplicação industrial. A fabricação de ímãs é uma etapa posterior.
O interesse do governo brasileiro é atrair essas etapas e tecnologias que multiplicam em dezenas de vezes o valor do material extraído, em vez de apenas enviar o concentrado de minério para ser separado no exterior e revendido a terceiros.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/infraestrutura/2026/10/bndes-negocia-emprestimo-e-sociedade-em-projeto-bilionario-de-terras-raras-em-mg.shtml.

Rampa de voo livre no Pico do Gavião, em Andradas (MG), região próxima do Projeto Caldeira, em MG - Hanuska Bertoia - 09.ago.26/Folhapress · Hanuska Bertoia - 09.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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