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    BlackRock e JPMorgan apostam em mercados emergentes

    À medida que os títulos públicos das principais economias sofrem fortes quedas, fundos administrados por instituições como JPMorgan Asset Management e BlackRock encontraram uma vantagem improvável nos mercados emergentes.

    UOL
    6 de setembro de 2026 às 19:00
    BlackRock e JPMorgan apostam em mercados emergentes
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    À medida que os títulos públicos das principais economias sofrem fortes quedas , fundos administrados por instituições como JPMorgan Asset Management e BlackRock encontraram uma vantagem improvável nos mercados emergentes.

    Site do Tesouro Direto, que comercializa títulos do Tesouro Nacional brasileiro - Rafael Hupsel - 30.mai.2009/Folhapress · Rafael Hupsel - 30.mai.2009/Folhapress
    Site do Tesouro Direto, que comercializa títulos do Tesouro Nacional brasileiro - Rafael Hupsel - 30.mai.2009/Folhapress · Rafael Hupsel - 30.mai.2009/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Títulos da dívida pública, dos Estados Unidos ao Japão, despencaram à medida que a inflação impulsionada pela energia e as preocupações fiscais reacendem a possibilidade de taxas de juros mais altas. No entanto, boa parte do mundo em desenvolvimento escapou do pior da onda de vendas, favorecida por uma inflação que permanece relativamente controlada , políticas monetárias já restritivas e posições fiscais mais sólidas em alguns países.

    Taxas de juros reais elevadas e posições fiscais mais fortes em algumas partes do mundo em desenvolvimento estão oferecendo aos investidores tanto renda quanto um lugar para atravessar a volatilidade que vem abalando os maiores mercados de títulos.

    A recente onda global de vendas de títulos "torna os mercados emergentes mais atraentes, pois eles funcionam como um diversificador de renda", disse Pierre-Yves Bareau, diretor de investimentos para dívida de mercados emergentes da JPMorgan Asset Management.

    Conheça algumas das principais aplicações da renda fixa
    Conheça algumas das principais aplicações da renda fixa — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os títulos de mercados emergentes em moeda local acumulam retorno superior a 3% neste ano, enquanto os Treasuries americanos e títulos equivalentes europeus perderam 0,6%, segundo dados compilados pela Bloomberg.

    "Isso demonstra a resiliência dessa classe de ativos", disse Elina Theodorakopoulou, gestora de portfólio de dívida de mercados emergentes da Manulife Investment Management, que considera a recente onda de vendas uma "oportunidade relativa para a dívida global de mercados emergentes".

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    Ao contrário de seus pares nos mercados desenvolvidos, os bancos centrais dos mercados emergentes têm mais espaço para seguir seu próprio caminho. A inflação nas economias em desenvolvimento está em média em 3,8%, segundo o JPMorgan, aproximadamente um terço do nível registrado durante o choque de 2022. O banco estima que os formuladores de política monetária têm cerca de 1 ponto percentual a mais de margem para absorver pressões sobre os preços do que tinham quatro anos atrás.

    Essa flexibilidade já está evidente. Brasil, Turquia e Hungria reduziram os custos de empréstimos em agosto, enquanto Coreia do Sul e Filipinas apertaram a política monetária. O banco central tcheco manteve as taxas após elevá-las em junho.

    "Com a inflação ainda controlada e o crescimento próximo ou ligeiramente abaixo do potencial em várias economias emergentes, as taxas locais também devem permanecer relativamente bem ancoradas diante da onda de vendas de títulos dos mercados desenvolvidos", disse Chris Kushlis, principal estrategista macroeconômico para mercados emergentes da T. Rowe Price. Sua equipe prefere títulos em moeda local do Brasil, Hungria, México e África do Sul.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Da mesma forma, Michel Aubenas, chefe de dívida de mercados emergentes da BlackRock, está mirando títulos de países nos quais espera que os bancos centrais surpreendam os investidores ao manter as taxas inalteradas.

    A BlackRock, assim como o Societe Generale, prefere os mercados tchecos, partindo da premissa de que os formuladores de política monetária não serão pressionados a elevar as taxas. Os preços de mercado indicam uma alta de 25 pontos-base até o fim deste ano, totalizando 100 pontos-base até meados de 2027, mas o SocGen espera que o banco central tcheco mantenha as taxas em 3,75% no futuro previsível.

    O estrategista do SocGen, Juan Orts, também argumenta que as apostas do mercado de que o Banco Nacional da Polônia promoverá três altas de 25 pontos-base estão exageradas.

    "O mercado é sempre agressivo demais", disse Bareau, do JPMorgan, cujos fundos favorecem títulos em moeda local e dívida soberana de grau especulativo. "Mesmo que alguns bancos centrais aumentem as taxas para combater a inflação, eles não entregarão todo o prêmio que o mercado está precificando."

    A história também oferece algum encorajamento. A dívida de mercados emergentes normalmente apresenta bom desempenho durante ciclos de aperto monetário do Federal Reserve quando as taxas mais altas são provocadas por um crescimento mais forte, e não por inflação e estresse fiscal.

    Espera-se que o crescimento das economias emergentes permaneça estável, próximo de 3,7% neste ano, uma taxa que está ajudando a fortalecer as finanças públicas e impulsionando uma tendência favorável nas classificações de crédito de países como Argentina, Gana e Nigéria. Em contraste, as pressões fiscais estão aumentando nos governos de grandes economias desenvolvidas, que vêm gastando muito, e isso está elevando os rendimentos dos títulos.

    "A imprudência fiscal dos mercados desenvolvidos, de modo geral, torna os mercados emergentes mais interessantes", disse Thomas Christiansen, diretor de investimentos e chefe de dívida de mercados emergentes da Union Bancaire Privee. "E, em certa medida, acredito que os movimentos dos mercados de títulos dos países desenvolvidos nas últimas semanas sejam um reflexo disso."

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/blackrock-e-jpmorgan-apostam-em-mercados-emergentes.shtml.

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