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    Bispo diz que desgaste com caso 'Dark Horse' decantou, e Flávio Bolsonaro se reaproxima de evangélicos

    O desgaste causado pela revelação de que o senador Flávio Bolsonaro ( PL ) pediu dinheiro a Daniel Vorcaro , então dono do Banco Master , "decantou" e já não causa mais tanto estrago entre o segmento evangélico, afirma o bispo Robson Rodovalho , fundador da igreja Sara Nossa Terra. Leia mais (08/14/2026 - 12h36)

    Folha de S.Paulo
    14 de agosto de 2026 às 15:36
    Bispo diz que desgaste com caso 'Dark Horse' decantou, e Flávio Bolsonaro se reaproxima de evangélicos
    Foto: Folha de S.Paulo

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    O desgaste causado pela revelação de que o senador Flávio Bolsonaro ( PL ) pediu dinheiro a Daniel Vorcaro , então dono do Banco Master , "decantou" e já não causa mais tanto estrago entre o segmento evangélico, afirma o bispo Robson Rodovalho , fundador da igreja Sara Nossa Terra.

    Jair Bolsonaro participa de culto da Igreja Sara Nossa Terra ao lado de Michelle e do bispo Robson Rodovalho, quando ainda era presidente - Divulgação -7.jan.22/Bispo Robson Rodovalho no Facebook · Divulgação -7.jan.22/Bispo Robson Rodovalh
    Jair Bolsonaro participa de culto da Igreja Sara Nossa Terra ao lado de Michelle e do bispo Robson Rodovalho, quando ainda era presidente - Divulgação -7.jan.22/Bispo Robson Rodovalho no Facebook · Divulgação -7.jan.22/Bispo Robson Rodovalh — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mais do que perdoar Flávio, os evangélicos compreenderam que ele não cometeu um crime, diz Rodovalho. "Foi infeliz da forma com que foi abordado, uma forma desajeitada, de relatar isso para a imprensa. Deveria ter sido mais claro. Mas já passou, as pesquisas mostram isso", opina.

    Em entrevista à Folha , Rodovalho conta que Flávio passou a buscar uma aproximação com os líderes das igrejas após ser criticado pelo distanciamento. O grupo agora discute estratégias para ajudá-lo, como um ato unificado para mostrar o apoio e construir uma rede de informações para divulgar as propostas dele.

    Rodovalho afirma que o presidente Lula (PT) não perseguiu o segmento nem fez nenhum "gesto extensivamente à esquerda", mas também não se esforçou para se aproximar dos líderes. Para ele, a pauta de costumes continuará tema na eleição, mas a carestia pesará mais no voto.

    Lideranças femininas da direita
    Lideranças femininas da direita — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Escolhido por Jair Bolsonaro (PL) para prestar assistência religiosa enquanto estava na prisão, o bispo não fala com o ex-presidente desde que ele passou para a prisão domiciliar, em maio. Ele diz acreditar que não haverá autorização para visitas até o fim da campanha.

    O senhor criticou Flávio há dois meses pela falta de interlocução com os líderes evangélicos. Ele mudou depois disso? Mudou e mudou muito. Estou otimista em relação a tudo o que eu estou vendo desabrochar na campanha. O acerto do Flávio com a Michelle [Bolsonaro], com seu próprio time interno, com a escolha do vice, que esvaziou o tema sobre quem seria. Acabou, definiu.

    O vice foi acusado pela oposição de estupro de vulnerável e de engravidar uma adolescente. O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) se diz inocente , e o caso está sob investigação, mas não foi um erro escolher um vice com essa polêmica? Para quem o conhece, é uma acusação sem muita força, meio leviana. Ele rebateu muito bem, inclusive com provas, e já se vê que realmente não procede. O sentimento que eu tenho é de que não colou. E foi uma escolha boa por ser do Nordeste, pela carreira que ele construiu no Ministério Público.

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    Voltando aos evangélicos, o Flávio passou a procurá-los para conversar? É diferente do pai dele, que era católico, mas tinha uma relação conosco de muitos anos. O Flávio não, e ele entrou agora nessa missão de ser candidato a presidente. Então ele está procurando [os líderes] para se aproximar. Falamos algumas vezes, e a tendência é o segmento se unir.

    Qual será a participação dos evangélicos na campanha? O segmento é gigante. A ideia é ter o maior número de líderes com ele para propagar a mensagem dos programas, do que ele defende, da família. Construir uma rede de informação. Estamos pensando também num ato unificado para potencializar isso. O Flávio precisa sair com o segmento forte, unânime e transferindo o maior número possível de votos.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O eleitor evangélico perdoou ele pelo episódio do "Dark Horse "? Já compreendeu, mais do que perdoar, porque até agora ninguém viu um crime. O tema decantou, as prestações de contas estão com a procuradoria e realmente se viu que a parte dele foi bater na porta [do Vorcaro] e pedir o patrocínio, que não era dinheiro público, para fazer um filme.

    Foi infeliz da forma com que foi abordado, uma forma desajeitada de relatar isso para a imprensa. Deveria ter sido mais claro. Mas já passou, as pesquisas mostram isso.

    Após quase quatro anos de governo Lula , qual é o balanço da relação entre os líderes evangélicos e o presidente? Não tivemos um relacionamento oficial. O que tivemos foi uma boa relação com o ministro Jorge Messias [da Advocacia-Geral da União]. Não houve nenhum movimento [do presidente], nenhuma energia para construir qualquer ponte.

    O governo Lula adotou ações que desagradaram o segmento? Não houve nenhuma ação que nós poderíamos dizer: "Ah, isso aí de alguma maneira violou nossos princípios". Até porque a gente entende que isso foi um compromisso do Messias também, e ele honrou isso de um modo geral, não fez nenhum gesto extensivamente à esquerda. Fora alguns momentos, como a criminalização das irmãzinhas de coque, com Bíblia na mão, do 8 de Janeiro .

    Considerado esse histórico, então essa pauta de valores, de acusação sobre perseguição a igrejas ou o discurso contra a liberação do aborto, não vai ser tema desta eleição? Vai ter o seu espaço. Não acabou de jeito nenhum. Mas estou sentindo que o ponto central será a pauta da carestia, do aumento dos preços para os mais pobres. É o que está dando a oscilação nas pesquisas. Essa faixa de quem ganha de um a três salários mínimos está em dúvida sobre votar no Lula.

    Se a Michelle for eleita para o Senado, e o Flávio derrotado para a Presidência, ela vira o nome mais forte para 2030? É um quadro tão imprevisível, com tantos fatores. E hoje eu não conto com a derrota de Flávio. Para mim, está zero a zero o jogo, pode acontecer qualquer coisa.

    Ela fez as pazes com o Flávio, mas quase não participou de eventos da campanha. Ela vai mesmo ajudar? Pelo que eu sinto, ela vai participar no limite do que for possível porque ela está mergulhada numa campanha muito difícil em Brasília. Ela demorou muito para tomar a decisão [de concorrer ao Senado] e perdeu pontos. Ela está bem posicionada, a [governadora] Celina [Leão] está bem posicionada, mas tem que ter muito trabalho. Não sei se ela vai conseguir fazer viagens pelo Brasil, e acho que nem é a expectativa da campanha.

    Fundador e presidente da igreja Sara Nossa Terra, foi deputado federal e secretário de Trabalho do Distrito Federal. Em janeiro, foi escolhido por Bolsonaro para prestar assistência espiritual na prisão.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/bispo-diz-que-desgaste-com-caso-dark-horse-decantou-e-flavio-bolsonaro-se-reaproxima-de-evangelicos.shtml.

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