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    Biodiesel é alternativa para soja brasileira reduzir dependência da China

    Secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos, afirma que governo intensificou prospecção de novos mercados e vê transição energética como alternativa para absorver parte da produção brasileira de grãos

    CNN Brasil
    11 de agosto de 2026 às 07:00
    Biodiesel é alternativa para soja brasileira reduzir dependência da China
    Foto: CNN Brasil

    O Brasil terá de acelerar a abertura de novos mercados e ampliar o consumo doméstico de produtos agrícolas diante da estratégia da China de reduzir a dependência de importações de alimentos nos próximos anos, em especial com o uso de biodiesel.

    A avaliação é do secretário de Política Agrícola do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Guilherme Campos, que, em entrevista à CNN, disse que a transição energética um dos principais “atenuantes” para uma eventual desaceleração da demanda externa, principalmente por meio da expansão do biodiesel e do etanol.

    A China é o principal destino de diferentes produtos do agronegócio brasileiro e tem peso especialmente relevante para a soja. A cada dez toneladas da oleaginosa embarcadas, sete vão para os portos chineses.

    São Paulo-SP, 28 de Julho de 2025 - Reunião do Cosag , com a presença do Guilherme Campos Júnior, Secretário de Política Agrícola doMinistério da Agricultura e Pecuária. • Ayrton Vignola · • Ayrton Vignola
    São Paulo-SP, 28 de Julho de 2025 - Reunião do Cosag , com a presença do Guilherme Campos Júnior, Secretário de Política Agrícola doMinistério da Agricultura e Pecuária. • Ayrton Vignola · • Ayrton Vignola — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Diante dessa dependência, uma parcela maior da produção poderia ser destinada ao esmagamento para fabricação de biodiesel, lembra Campos.

    O processo, segundo ele, ainda teria um efeito adicional sobre a pecuária: além do óleo destinado ao combustível, aumentaria a disponibilidade de farelo para alimentação animal, reforçando a competitividade das proteínas brasileiras.

    “Na moagem, parte do óleo vai para biodiesel, aumenta a disponibilidade para ração animal e aumenta ainda mais a competitividade da proteína animal brasileira”, afirmou.

    Setor do etanol minimiza impacto de tarifaço e aposta em novos mercados
    Setor do etanol minimiza impacto de tarifaço e aposta em novos mercados — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Na avaliação do secretário, o país precisa se preparar para um cenário de menor dependência do mercado chinês, ainda que existam dúvidas sobre a capacidade de Pequim de substituir internamente todo o volume que hoje importa.

    “O que eles fazem, planejam, eles executam. Ninguém pode falar que não sabia. Eles estão avisando”, disse Campos.

    Segundo ele, o movimento também coloca uma questão para a expansão contínua da produção agropecuária brasileira: se a oferta continuar crescendo, será necessário encontrar compradores ou ampliar usos domésticos para absorver os volumes adicionais.

    Produção de DDG deve superar 15 milhões de toneladas até 2030
    Produção de DDG deve superar 15 milhões de toneladas até 2030 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Campos avalia que esse movimento pode ocorrer no curto prazo e praticamente acompanhar o horizonte das mudanças planejadas pela China.

    O secretário defendeu ainda o avanço da mistura de biodiesel ao diesel fóssil e disse que gostaria de ver o país chegar também à oferta de biodiesel puro ao consumidor.

    “O meu sonho de consumo é ter uma outra bomba 100% de biodiesel. Por que não? Seria um jeito de estar alocando essa questão da soja. Seria um jeito no curto prazo”, disse.

    Setor vê B17 como impulso para soja e cadeia de proteínas
    Setor vê B17 como impulso para soja e cadeia de proteínas — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo Campos, existem resistências ao aumento da participação do biocombustível, especialmente de setores historicamente ligados ao diesel fóssil, mas o Brasil dispõe de uma vantagem difícil de ser reproduzida por outros países.

    O secretário também afirmou que há preocupação no governo com os sinais emitidos por Pequim e que a área responsável pelas relações comerciais internacionais já intensificou a prospecção de mercados para minimizar os efeitos de uma eventual redução das compras chinesas.

    “Está todo mundo nos bastidores prospectando para minimizar o impacto disso que já está acontecendo e desse futuro”, afirmou.

    Produção de DDG deve superar 15 milhões de toneladas até 2030
    Produção de DDG deve superar 15 milhões de toneladas até 2030 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A preocupação com a China não está restrita aos grãos. Campos citou também o mercado de carnes e as limitações impostas às importações chinesas como outro sinal de que o setor produtivo brasileiro precisa buscar alternativas.

    No curto prazo, segundo ele, uma das discussões envolve a possibilidade de aproveitar volumes de países que não tenham preenchido suas respectivas cotas de exportação para a China. A negociação, porém, dependeria do governo chinês.

    “É fazer um trabalho nas brechas. E o setor está muito preocupado”, afirmou.

    Campos relatou que representantes da indústria frigorífica têm discutido o tema com o governo e defendeu que as empresas mantenham a atenção sobre o cenário.

    Para o médio e longo prazo, a resposta é a diversificação dos destinos das exportações.

    “É procurar novos mercados. Não tem outro jeito”, afirmou.

    Segundo Campos, diferentes áreas do governo e do setor privado já trabalham nessa direção. Questionado sobre a possibilidade de acelerar negociações com países do Sul e Sudeste Asiático, o secretário afirmou que o ritmo das aberturas depende principalmente do interesse comercial dos compradores.

    Campos também citou açúcar e etanol como exemplos de cadeias que passam por rearranjos comerciais e produtivos. Segundo ele, mudanças nas condições de acesso ao mercado dos Estados Unidos e o avanço do etanol de milho aumentam a necessidade de adaptação do setor sucroenergético.

    Apesar dos desafios, o secretário afirmou enxergar espaço para acomodação da produção brasileira por meio da expansão dos combustíveis renováveis.

    A combinação entre diversificação das exportações e crescimento da demanda doméstica por biocombustíveis pode reduzir a exposição do agronegócio brasileiro a mudanças nas estratégias dos grandes compradores internacionais — principalmente da China.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/biodiesel-e-alternativa-para-soja-brasileira-reduzir-dependencia-da-china/.

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    São Paulo-SP, 28 de Julho de 2025 - Reunião do Cosag , com a presença do Guilherme Campos Júnior, Secretário de Política Agrícola doMinistério da Agricultura e Pecuária. • Ayrton Vignola · • Ayrton Vignola — Foto: CNN Brasil

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