Benzetacil: antibiótico tradicional não serve para curar qualquer doença
O Benzetacil dói por ser viscoso e só age em quadros bacterianos específicos, como os de sífilis, erisipela e amigdalites bacterianas

Quem nunca escutou a frase “toma um Benzetacil que passa”? A depender do caso, uma simples agulhada do antibiótico é o suficiente para trazer melhora ao quadro clínico. Porém, a fama de “resolve tudo” tem ligação com o impacto causado quando o medicamento foi lançado, em 1951.
“A penicilina benzatina foi uma das maiores revoluções da medicina. Quando surgiu, salvou milhares de vidas e resolvia infecções graves em uma época com pouquíssimos recursos”, conta a farmacêutica Pâmela Saavedra, integrante da equipe de coordenação técnica do Conselho Federal de Farmácia (CFF). Leia também Saúde Injeção em dose única pode tratar osteoartrite em poucas semanas Saúde Nova injeção contra hepatite B elimina vírus em até 20% dos casos Saúde Estudo testa injeção que pode reverter osteoartrite Saúde Injeção semestral contra HIV será testada pela Fiocruz em sete cidades No entanto, não é em toda situação médica que o Benzetacil vai fazer efeito. Na verdade, o medicamento só age em quadros bacterianos específicos, como os de sífilis, erisipela, febre reumática e algumas amigdalites bacterianas.
Em quadros de gripe, resfriado e dengue, o medicamento não funciona, pois tratam-se de condições médicas virais. “A maioria das dores de garganta são virais, e nesses casos o Benzetacil não faz efeito nenhum”, acrescenta Pâmela.

O uso indiscriminado de antibióticos é o principal fator que tem provocado uma maior resistência das bactérias aos tratamentos atuais e, com a fama de “resolve tudo”, a utilização do Benzetacil passa a ser ainda mais indiscriminada.
Segundo a infectologista Eliana Bicudo, o medicamento frequentemente é recomendado de forma errônea em prontos-socorros, especialmente em casos de infecção das vias aéreas.
“Existem estudos mostrando que cerca de 50% dos antibióticos prescritos em prontos-socorros e serviços de urgência são desnecessários”, afirma a especialista do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília. A utilização incorreta faz com que várias bactérias antes tratadas com penicilina benzatina não respondam mais adequadamente ao tratamento, como em algumas pneumonias e infecções. “Elas sofreram a pressão causada pelo uso indiscriminado dos antibióticos. Ao longo do tempo, foram selecionadas bactérias capazes de resistir aos medicamentos”, explica Eliana.

A infectologista explica que a solução é usar o medicamento somente em situações em que realmente existam vantagens na evolução do quadro , como em indivíduos que estejam com dificuldade de engolir ou com sintomas mais graves, incluindo vômitos e febre alta.
Além de resolver quadros causados por bactérias, o Benzetacil também é conhecido por outra fama: a dor “rasgante” na hora da aplicação. De acordo com Pâmela, o incômodo tem a ver com a alta viscosidade e o volume do líquido, que irrita as fibras musculares ao entrar no corpo.
“O produto é uma suspensão densa composta por microcristais, o que torna a sua passagem pelos tecidos mais pesada e lenta. Além disso, como a medicação precisa ser injetada profundamente no tecido muscular, o volume introduzido acaba distendendo as fibras da região, gerando um desconforto imediato”, diz a especialista do CFF. No entanto, existem maneiras de diminuir a dor durante e após a aplicação intramuscular do medicamento. Relaxar a perna, não apoiar o peso do corpo sobre o lado da aplicação, utilizar compressas mornas no local e nunca massagear ou friccionar o local de aplicação são dicas importantes.

“O procedimento em si deve ser realizado por um profissional treinado para injetar o líquido de forma lenta e contínua no músculo glúteo, o que ajuda a suavizar a experiência”, avalia a farmacêutica.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/benzetacil-antibiotico-tradicional-nao-serve-para-curar-qualquer-doenca.

Mufid Majnun/Unsplash — Foto: Metrópoles
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