BC vê 90% de chance de IPCA estourar teto da meta em 2026
Relatório de Política Monetária de setembro de 2026 projeta IPCA de 5,2% no ano e reduz estimativa do PIB de 2,0% para 1,8%

Relatório de Política Monetária de setembro de 2026 projeta IPCA de 5,2% no ano e reduz estimativa do PIB de 2,0% para 1,8%
O BC (Banco Central) estimou em 90% a probabilidade de o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) superar o teto da meta de inflação em 2026.
O teto do intervalo de tolerância é de 4,50%. A meta contínua é de 3,00%, com margem de 1,50% a 4,50%. Segundo o BC, a probabilidade de descumprimento subiu 11 pontos percentuais. Era de 79% antes desta avaliação.

O entendimento consta do RPM (Relatório de Política Monetária) de setembro, divulgado nesta 5ª feira (24.set.2026). Leia a íntegra (PDF – 3 MB).
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. A decisão foi tomada na 4ª feira (16.set.2026), na 281ª reunião do colegiado.
O corte se deu com a inflação projetada acima do teto. Segundo o BC, a política monetária segue contracionista, o que se justifica pela incerteza fiscal e pela desancoragem das expectativas de longo prazo, isto é, projeções de inflação acima da meta.
O relatório reúne os dados que sustentam essa cautela:
A queda do IPCA em 12 meses foi influenciada por fatores temporários nos preços administrados, segundo o relatório:
O BC projeta que o IPCA volte a subir no último trimestre de 2026 e feche o ano em 5,2%. Para 2027, a probabilidade de estouro do teto de 4,50% é de 33%.
A Selic real ex-ante –que desconta a inflação esperada– segue acima da taxa neutra, estimada em 5,00%, de acordo com o BC.
A mediana da Pesquisa Focus para o IPCA de 2026 caiu para 4,90%, abaixo da projeção do BC (5,2%). Para 2027 e 2028, as projeções subiram e seguem acima da meta em todo o horizonte.
O BC busca a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, o 1º trimestre de 2028.
Para 2027, o BC projeta crescimento de 1,4% do PIB, abaixo dos 1,8% estimados para 2026.
O PIB cresceu 0,5% no 2º trimestre, depois de avançar 1,1% no 1º trimestre. O resultado foi afetado pela queda de 0,4% no consumo das famílias, segundo o relatório.
O BC aponta riscos para a agropecuária associados a um El Niño intenso. Milho, algodão e arroz são as lavouras mais afetadas negativamente. Os efeitos sobre a soja tendem a variar por região.
O percentual de atrasos superiores a 90 dias no SFN (Sistema Financeiro Nacional) subiu para 4,9% em julho. É o maior valor da série histórica.
Os segmentos com os maiores índices foram:
O endividamento das famílias está em 49,9% da renda disponível. O comprometimento da renda com o serviço da dívida chegou a 28,9% em junho.
O BC projeta expansão de 9,1% do saldo de crédito do SFN em 2026 e de 8,8% em 2027.
O RARDP (Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias) do 3º bimestre projeta deficit de R$ 52 bilhões para o Governo Central em 2026. Com exclusões legais de R$ 63 bilhões, o resultado é um superávit de R$ 11 bilhões no critério da meta fiscal.
Segundo o BC, o deficit projetado aciona os gatilhos da Lei Complementar nº 235 de 2026 para o Orçamento de 2027. A medida reduz gastos obrigatórios em cerca de R$ 9 bilhões.
A mediana da Pesquisa Focus indica que a DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) subirá 17 p.p. e chegará a 100% do PIB em 2033.
O Tesouro Nacional projeta pico de 88% do PIB em 2029.
O BC estima deficit em transações correntes de US$ 60 bilhões em 2026 (2,3% do PIB) e de US$ 55 bilhões em 2027 (2,0% do PIB).
O IDP (Investimento Direto no País) está projetado em US$ 75 bilhões nos 2 anos, o equivalente a 2,7% do PIB. O valor cobre integralmente o deficit corrente, de acordo com o relatório.
O BC também citou conflitos no Oriente Médio e gargalos logísticos no estreito de Ormuz como fatores de volatilidade do petróleo Brent.
Segundo o relatório, o repasse de custos de combustíveis e insumos petroquímicos causa impactos secundários em várias cadeias produtivas.
O Copom informou que segue acompanhando como a política fiscal afeta a política monetária e os ativos financeiros. O colegiado volta a se reunir na 3ª e na 4ª feira (3 e 4.nov.2026).
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/bc-ve-90-de-chance-de-ipca-estourar-teto-da-meta-em-2026/.

o BC projeta deficit primário de R$ 52 bilhões do Governo Central em 2026 e aponta o cenário fiscal como principal fator de incerteza para a ancoragem das expectativas — Foto: Poder360
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