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    BC percebe custo alto de juros, mas manterá aperto, diz Figueiredo

    Ex-BC avalia corte da Selic a 14% ao ano e alerta para risco de recessão caso juros não caiam mais

    CNN Brasil
    13 de agosto de 2026 às 07:00
    BC percebe custo alto de juros, mas manterá aperto, diz Figueiredo
    Foto: CNN Brasil

    O Banco Central percebe o custo elevado que os juros na casa de dois dígitos trazem à economia brasileira, mas deverá manter a taxa ainda apertada diante de um cenário que mostra uma série de adversidades.

    Essa é a opinião de Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de Política Monetária do BC e sócio da Jubarte Capital, em entrevista ao CNN Money .

    Apesar da sequência de cortes promovida pela autoridade monetária, que reduziu a Selic de 15% para 14% ao ano nos últimos meses, o economista enxerga que o BC não está promovendo um afrouxamento monetário expressivo, mas sim um ajuste fino.

    Com sinais de desaceleração, podemos ter novo corte da Selic, diz analista
    Com sinais de desaceleração, podemos ter novo corte da Selic, diz analista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “O Banco Central vai manter a taxa de juros apertada. O que ele está fazendo é um ajuste fino, dizendo que não precisa de uma taxa tão apertada, mas pode continuar com ela apertada num grau um pouco menor”, afirmou.

    O Copom cortou os juros em 0,25 ponto na semana passada, rebaixando a Selic a 14% ao ano, em decisão já bastante esperada pelo mercado. Foi o quarto corte seguido deste tamanho desde março, após mais de seis meses com juros pressionados na casa de 15%.

    O comunicado da autoridade monetária foi interpretado pelo mercado com possibilidade de repetição do corte no encontro agendado para setembro, apesar de a maioria dos agentes não concordar com essa decisão .

    Setor produtivo reage à redução da Selic e aponta patamar ainda restritivo
    Setor produtivo reage à redução da Selic e aponta patamar ainda restritivo — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para Figueiredo, a autoridade enfrenta uma série de desafios, com destaque para a política fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    As despesas do governo federal caminham em direção ao maior patamar da história, alcançado em novembro de 2020. No período, os gastos da União somaram R$ 2,822 trilhões no acumulado de 12 meses, com dados atualizados pela inflação .

    Agora, os dados de maio divulgados no início de julho mostram uma distância de R$ 189,5 bilhões do ápice da pandemia. No mês anterior, os gastos do governo no acumulado de 12 meses totalizaram R$ 2,633 trilhões.

    BC alerta para efeitos da política fiscal na inflação e juros do Brasil
    BC alerta para efeitos da política fiscal na inflação e juros do Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    BC manterá taxa de juros apertada, diz Figueiredo | FECHAMENTO DE MERCADO

    “O governo, este ano, fora da meta, expandiu mais de R$ 200 bilhões, o que gera o que os economistas chamam de impulso fiscal, ou seja, um crescimento da demanda muito forte”, explicou.

    E esse custo está no radar do BC, diz o economista. Entre outros aspectos, os juros elevados acabam aumentando o custo da dívida pública, já que o custo para o financiamento da máquina acaba pressionado pelos juros.

    Setor produtivo reage à redução da Selic e aponta patamar ainda restritivo
    Setor produtivo reage à redução da Selic e aponta patamar ainda restritivo — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A Dívida Bruta do Governo Geral – que compreende o governo federal, o INSS, os governos estaduais e municipais – avançou para 81,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em junho. No mês, alcançou R$ 10,4 trilhões.

    É o maior valor desde abril de 2021, quando a dívida estava em 82,62% do PIB, segundo dados do BC divulgados no fim de julho.

    De acordo com a autoridade monetária, o resultado representa um aumento de 0,9 ponto percentual do PIB em relação ao mês de maio. A evolução mensal decorreu, principalmente, dos juros nominais apropriados (0,8 p.p.), das emissões líquidas de dívida (0,6 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,5 p.p.).

    BC alerta para efeitos da política fiscal na inflação e juros do Brasil
    BC alerta para efeitos da política fiscal na inflação e juros do Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “O Banco Central não tem muito o que fazer mais do que isso, o que é muito duro, porque há um custo enorme da dívida pública nesse nível de taxa de juros”, afirmou Figueiredo.

    Figueiredo alertou ainda para o risco concreto de recessão.

    Na sua avaliação, caso o Banco Central só consiga manter ou reduzir marginalmente os juros, uma recessão no ano seguinte estaria “praticamente contratada”.

    Com sinais de desaceleração, podemos ter novo corte da Selic, diz analista
    Com sinais de desaceleração, podemos ter novo corte da Selic, diz analista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “O Banco Central precisa ter as condições necessárias para reduzir bem mais os juros para evitar um processo recessivo. Mas é para lá que nós estamos indo hoje”, afirmou.

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    BC manterá taxa de juros apertada, diz Figueiredo | FECHAMENTO DE MERCADO — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/bc-percebe-custo-alto-de-juros-mas-mantera-aperto-diz-figueiredo/.

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