BC evita sinal sobre próximos passos dos juros diante de riscos para inflação, dizem analistas
O Banco Central evita dar indicações sobre os próximos passos da política de juros por causa de fatores que podem influenciar a inflação, como o El Niño e choques nos preços do petróleo, segundo analistas ouvidos pela Folha . Leia mais (09/16/2026 - 23h00)

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O Banco Central evita dar indicações sobre os próximos passos da política de juros por causa de fatores que podem influenciar a inflação, como o El Niño e choques nos preços do petróleo, segundo analistas ouvidos pela Folha .

"O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", afirmou o Copom (Comitê de Política Monetária) nesta quarta-feira (16) no comunicado em que informou a queda da Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano.
Sérgio Vale, da MB Associados, diz que o corte dessa magnitude já era esperado, diante da desaceleração da atividade econômica e do cenário de inflação mais baixa no momento, mas ressalta que o BC chamou a atenção para fatores que podem pressionar os preços à frente.
Para ele, os eventos apontados pelo BC alteraram a perspectiva de uma queda mais rápida dos juros que existia no início do ano.

O petróleo Brent fechou esta quarta cotado a US$ 105 por barril. Nas últimas semanas, a escalada do conflito entre EUA e Irã interrompeu fluxos pelo estreito de Hormuz e levou as cotações novamente acima de US$ 100. Já o El Niño desafia o agronegócio porque afeta as temperaturas e a distribuição das chuvas entre as regiões.
Para Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, o BC passou a reconhecer de forma mais clara a desaceleração da economia, principalmente nos setores mais sensíveis aos juros.
O economista também avalia que as eleições podem afetar a política monetária de forma indireta. O resultado eleitoral, segundo ele, pode influenciar variáveis observadas pelo BC, como o câmbio e as expectativas de inflação.

Já Caio Megale, economista-chefe da XP, destaca que o comunicado foi praticamente idêntico ao anterior, mantendo um tom cauteloso e deixando aberta a possibilidade de novos cortes.
Segundo Megale, a descrição do cenário doméstico foi ajustada para incorporar os dados mais recentes de inflação e, principalmente, uma avaliação de atividade econômica mais fraca. A XP avalia que a desaceleração na economia deve ficar ainda mais evidente nos próximos meses.
O especialista diz que a corretora também projeta estabilidade do câmbio, apesar dos desafios externos, apoiada pela avaliação de que os números do balanço de pagamentos do país são sólidos. Nesse cenário, a XP espera que o Copom continue reduzindo a Selic em 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões.
Megale projeta Selic em 13,25% ao ano no fim de 2026 e em 11,50% em meados de 2027. A estimativa considera que em algum momento o BC acelere o ritmo de cortes para 0,50 ponto percentual por reunião.
Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, também destaca que o BC não antecipou os próximos passos e manteve liberdade para decidir conforme a evolução dos dados. Para ela, o comunicado reconhece a melhora recente da inflação e sinais mais claros de desaceleração da economia, mas mantém os riscos de alta para os preços.
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, ressalta que o BC manteve em 3,2% a projeção para a inflação no primeiro trimestre de 2028. Segundo ela, a estimativa para alguns preços subiu ligeiramente, em parte pelo efeito de uma inflação mais alta esperada para 2027, e há ainda a possibilidade de um impacto maior do El Niño sobre os preços dos alimentos.
Em nota, a Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) afirmou que a redução da Selic para 13,75% ao ano é necessária, mas ainda não é suficiente para aliviar os efeitos dos juros altos sobre a economia. Segundo a entidade, a taxa ainda encarece o crédito, adia investimentos e limita a expansão da indústria, afetando a produção, o emprego e a competitividade do país.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/bc-evita-sinal-sobre-proximos-passos-dos-juros-diante-de-riscos-para-inflacao-dizem-analistas.shtml.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante conferência internacional realizada na sede da instituição - Gabriela Bilo - 13.mai.2026/Folhapress · Gabriela Bilo - 13.mai.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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