BC diz que endividamento das famílias é alto e reforça necessidade de novas medidas
A ata do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira) do Banco Central apontou nesta quarta-feira (2) que o nível de endividamento das famílias está em "patamar históricamente alto" e reforçou que o órgão prepara medidas no mercado de crédito. Leia mais (09/02/2026 - 08h42)

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A ata do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira) do Banco Central apontou nesta quarta-feira (2) que o nível de endividamento das famílias está em "patamar históricamente alto" e reforçou que o órgão prepara medidas no mercado de crédito.

Ontem, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, já havia dito que medidas são preparadas. A ata afirma que elas "visam promover o reconhecimento tempestivo dos riscos, o acúmulo gradual de capital e condições mais sustentáveis de oferta de crédito aos tomadores".
No evento que participou na última terça-feira (1º), Aquino afirmou que o cartão de crédito e o crédito não consignado devem ser as linhas-alvo das novas medidas, e que a transparência é um dos focos.
A ata do comitê diz que o endividamento "continua pressionando a condição financeira de famílias e empresas". "Níveis elevados de ativos problemáticos e de probabilidade de default seguem indicando que a materialização de risco no crédito às empresas e às famílias deve permanecer elevada", apontou o Comef.

O BC ainda afirma que "o comprometimento de renda atingiu o maior nível da série histórica". "Esse quadro segue sendo influenciado pela participação relevante de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias. Na visão do Comitê, o cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito", afirmou a ata.
Os dados mais recentes do BC indicam que a parcela de empréstimos em atraso no crédito livre, que contempla o cartão, o crédito pessoal e o financiamento de veículos, chegou a 6,4% em julho, o maior nível da série histórica, desde 2011. Quando consideradas somente as pessoas físicas, a inadimplência atingiu 7,8% em julho.
O comitê do órgão também aponta que o crédito bancário e o mercado de capitais estão desacelerando. Em relação às pessoas físicas, o órgão aponta que crescimento do crédito caiu nas modalidades de maior risco, "mas não o suficiente para reduzir a participação dessas modalidades no comprometimento de renda das famílias".

A ata do Comef ainda diz que, no mercado de capitais, permanece a preocupação com estruturas que envolvem "múltiplas camadas de fundos de investimento e que podem dificultar a adequada avaliação de riscos".
No evento, o diretor também destacou o papel das bets no endividamento, ao dizer que as plataformas de aposta são "elemento central" no comprometimento da renda das famílias.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/bc-diz-que-endividamento-das-familias-e-alto-e-reforca-necessidade-de-novas-medidas.shtml.

Sede do Banco Central em Brasília - Antonio Molina - 11.jan.22/Folhapress · Antonio Molina - 11.jan.22/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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